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Vendedor de amendoim rala para formar o filho em Direito

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Edson de Miranda herdou o ofício dos avós, mas com o tempo incrementou a receita

Alair Ribeiro/MidiaNews

Edson de Miranda, que ganha a vida vendendo amendoim em Cuiabá

O vendedor Edson de Miranda, de 41 anos, é uma figura bastante conhecida nas ruas de Cuiabá. É ele quem quase que diariamente atravessa a cidade com sacolas de amendoim torrado, que vende a preços entre R$ 7 e R$ 12.

 

Quem o vê todos os dias talvez não conheça a história por trás de sua rotina. Com cerca de 35 anos de profissão, o "Rei do Amendoim", como é conhecido, leva consigo alegria e uma trajetória escrita com muito trabalho e dedicação. Com pouco estudo, usa boa parte do dinheiro que ganha para ajudar na formação do filho, estudante de Direito.

 

O apelido não incomoda, pelo contrário. “Prefiro que me chamem de Rei. Se me chamar pelo nome não vou nem dar moral, nem olho”, brinca. O título de nobreza, que tem destaque no carrinho onde transporta a mercadoria, não é à toa.

 

Rei vende amendoim desde os 5 anos de idade. “Eu ia nas faculdades, principalmente lá na UFMT. Aí eu chegava [cantando] ‘olha o amendoim torrado, a alegria do seu namorado’. Era menininho, muito pequenininho, o povo ficava com tanta dó que comprava”, relembra.

 

Reprodução/Instagram

rei do amendoim

Edson com os filhos João Gabriel (à dir.) e Samuel (à esq.)

A atividade foi por muito tempo o único sustento da família. Seus avós, que preparavam o amendoim, tinham problemas de saúde e dependiam de medicamentos.

 

O trabalho na infância chegou a atrapalhar seus estudos. “Estudei muito pouco. Então hoje eu trabalho para ajudar meus filhos a terem um estudo que eu não pude”, afirma.

 

Pai de dois meninos, Rei - que é separado -, usa grade parte do que ganha para pagar a faculdade do filho mais velho, João Gabriel, que cursa Direto na Universidade de Cuiabá (Unic). Além do dinheiro da venda de amendoins, eles também recebem ajuda de amigos.

 

“Um contribui com R$ 50, outro contribui com R$ 20. A gente vai juntando e botando tudo em um envelopinho. Quando chega no final de mês, eu dou metade [da mensalidade] para ele e [a outra metade é] do estágio dele na Prefeitura”, declara Rei, orgulhoso.

 

10 km por dia

 

Todos os dias Rei faz um trajeto de aproximadamente 10 quilômetros. Grande parte desse caminho é feito a pé pelo centro da Capital. “Às vezes passam alguns motoristas de ônibus e buzinam, para me dar carona. Aí tem que dar o agrado dos motoristas também”, conta.

 

Não paro pra nada. Durmo 1 hora da manhã e quando é 4 horas já tenho que estar de pé

A rotina é mais pesada nos finais de semana. “Não paro pra nada. Durmo 1 hora da manhã e quando é 4 horas já tenho que estar de pé. Aí tenho que pegar um copinho e encher de guaraná ralado, bater pra ter mais energia, pro olho esticar”, relata.

 

O modo de preparo do amendoim veio dos seus avós e foi sendo adaptado com o tempo. O amendoim torrado simples deu lugar para variedades mais elaboradas e acompanhadas de bacon, linguicinha, chocolate e leite condensado, alho, limão e orégano.

 

Antes, ele preparava cerca de 20 quilos de amendoim por semana, mas Rei reduziu a produção semanal pela metade. Ele atribui a redução à crise econômica e ao aumento dos preços.

 

Sobre repassar o valor para o consumidor final, Rei afirma que se passar um pouco a mais o cliente já reclama. "Mas eu tenho cliente bacana que deixa gorjeta, falando para eu tomar uma água, um chopp”.

 

A grana extra é bem-vinda, mas acaba tendo um outro destino. “Como não bebo álcool, então ponho [a gorjeta] no envelopinho do menino para contribuir com a faculdade”, diz.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Rei do Amendoim

"Eu não vendo só amendoim, mas falo também sobre fé, sobre amor", diz Edson de Miranda, que percorre as ruas de Cuiabá desde os 5 anos de idade

Por percorrer as ruas de Cuiabá há anos com seu carrinho, Rei já é conhecido da maioria dos proprietários de bares e restaurantes.

 

“Eu sou muito grato à eles que me cedem o espaço para vender o amendoim. Tem muitas casas a quem eu sou muito grato, não tenho palavras para agradecer”, conta.

 

Nem pensa em se aposentar

 

Apesar do dia a dia puxado, ele não pensa em "aposentar a coroa" tão cedo.

 

“Eu contribuo com o INSS porque tem amigos meus pegando no meu pé. Acho que quando você se aposenta você fica preso, não tem mais aquela liberdade. Eu quero que Deus me dê muita vida para continuar no meio do povo, é uma coisa que eu gosto muito, sou muito grato”, diz.

 

Além de vender o amendoim de bar em bar, ele atende encomendas para eventos. Questionado se pretende ter um ponto fixo no futuro, Rei é categórico.

 

“Eu já pensei, mas já me acostumei em estar do lado do povo. Em qualquer lugar que eu vou, é uma hora e meia, duas horas conversando com o pessoal”, conta.

 

Com seu carrinho lotado de mercadoria e as camisetas estampadas, que são sua marca registrada, Rei ganha os clientes com sua simpatia e com o cardápio diferenciado. “Eles falam que eu transmito muita alegria. Eu não vendo só amendoim, mas falo também sobre fé, sobre amor”, diz.

 

Quem quiser experimentar os produtos do Rei do Amendoim, pode comprar direto na rua ou encomendar pelo telefone (65) 9 9976-8609.

 

Rei também atualiza um perfil no Instagram, que você pode conferir clicando AQUI.

 
 
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Edson de Miranda herdou o ofício dos avós, mas com o tempo incrementou a receita

Alair Ribeiro/MidiaNews

Edson de Miranda, que ganha a vida vendendo amendoim em Cuiabá

O vendedor Edson de Miranda, de 41 anos, é uma figura bastante conhecida nas ruas de Cuiabá. É ele quem quase que diariamente atravessa a cidade com sacolas de amendoim torrado, que vende a preços entre R$ 7 e R$ 12.

 

Quem o vê todos os dias talvez não conheça a história por trás de sua rotina. Com cerca de 35 anos de profissão, o "Rei do Amendoim", como é conhecido, leva consigo alegria e uma trajetória escrita com muito trabalho e dedicação. Com pouco estudo, usa boa parte do dinheiro que ganha para ajudar na formação do filho, estudante de Direito.

 

O apelido não incomoda, pelo contrário. “Prefiro que me chamem de Rei. Se me chamar pelo nome não vou nem dar moral, nem olho”, brinca. O título de nobreza, que tem destaque no carrinho onde transporta a mercadoria, não é à toa.

 

Rei vende amendoim desde os 5 anos de idade. “Eu ia nas faculdades, principalmente lá na UFMT. Aí eu chegava [cantando] ‘olha o amendoim torrado, a alegria do seu namorado’. Era menininho, muito pequenininho, o povo ficava com tanta dó que comprava”, relembra.

 

Reprodução/Instagram

rei do amendoim

Edson com os filhos João Gabriel (à dir.) e Samuel (à esq.)

A atividade foi por muito tempo o único sustento da família. Seus avós, que preparavam o amendoim, tinham problemas de saúde e dependiam de medicamentos.

 

O trabalho na infância chegou a atrapalhar seus estudos. “Estudei muito pouco. Então hoje eu trabalho para ajudar meus filhos a terem um estudo que eu não pude”, afirma.

 

Pai de dois meninos, Rei - que é separado -, usa grade parte do que ganha para pagar a faculdade do filho mais velho, João Gabriel, que cursa Direto na Universidade de Cuiabá (Unic). Além do dinheiro da venda de amendoins, eles também recebem ajuda de amigos.

 

“Um contribui com R$ 50, outro contribui com R$ 20. A gente vai juntando e botando tudo em um envelopinho. Quando chega no final de mês, eu dou metade [da mensalidade] para ele e [a outra metade é] do estágio dele na Prefeitura”, declara Rei, orgulhoso.

 

10 km por dia

 

Todos os dias Rei faz um trajeto de aproximadamente 10 quilômetros. Grande parte desse caminho é feito a pé pelo centro da Capital. “Às vezes passam alguns motoristas de ônibus e buzinam, para me dar carona. Aí tem que dar o agrado dos motoristas também”, conta.

 

Não paro pra nada. Durmo 1 hora da manhã e quando é 4 horas já tenho que estar de pé

A rotina é mais pesada nos finais de semana. “Não paro pra nada. Durmo 1 hora da manhã e quando é 4 horas já tenho que estar de pé. Aí tenho que pegar um copinho e encher de guaraná ralado, bater pra ter mais energia, pro olho esticar”, relata.

 

O modo de preparo do amendoim veio dos seus avós e foi sendo adaptado com o tempo. O amendoim torrado simples deu lugar para variedades mais elaboradas e acompanhadas de bacon, linguicinha, chocolate e leite condensado, alho, limão e orégano.

 

Antes, ele preparava cerca de 20 quilos de amendoim por semana, mas Rei reduziu a produção semanal pela metade. Ele atribui a redução à crise econômica e ao aumento dos preços.

 

Sobre repassar o valor para o consumidor final, Rei afirma que se passar um pouco a mais o cliente já reclama. "Mas eu tenho cliente bacana que deixa gorjeta, falando para eu tomar uma água, um chopp”.

 

A grana extra é bem-vinda, mas acaba tendo um outro destino. “Como não bebo álcool, então ponho [a gorjeta] no envelopinho do menino para contribuir com a faculdade”, diz.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Rei do Amendoim

"Eu não vendo só amendoim, mas falo também sobre fé, sobre amor", diz Edson de Miranda, que percorre as ruas de Cuiabá desde os 5 anos de idade

Por percorrer as ruas de Cuiabá há anos com seu carrinho, Rei já é conhecido da maioria dos proprietários de bares e restaurantes.

 

“Eu sou muito grato à eles que me cedem o espaço para vender o amendoim. Tem muitas casas a quem eu sou muito grato, não tenho palavras para agradecer”, conta.

 

Nem pensa em se aposentar

 

Apesar do dia a dia puxado, ele não pensa em "aposentar a coroa" tão cedo.

 

“Eu contribuo com o INSS porque tem amigos meus pegando no meu pé. Acho que quando você se aposenta você fica preso, não tem mais aquela liberdade. Eu quero que Deus me dê muita vida para continuar no meio do povo, é uma coisa que eu gosto muito, sou muito grato”, diz.

 

Além de vender o amendoim de bar em bar, ele atende encomendas para eventos. Questionado se pretende ter um ponto fixo no futuro, Rei é categórico.

 

“Eu já pensei, mas já me acostumei em estar do lado do povo. Em qualquer lugar que eu vou, é uma hora e meia, duas horas conversando com o pessoal”, conta.

 

Com seu carrinho lotado de mercadoria e as camisetas estampadas, que são sua marca registrada, Rei ganha os clientes com sua simpatia e com o cardápio diferenciado. “Eles falam que eu transmito muita alegria. Eu não vendo só amendoim, mas falo também sobre fé, sobre amor”, diz.

 

Quem quiser experimentar os produtos do Rei do Amendoim, pode comprar direto na rua ou encomendar pelo telefone (65) 9 9976-8609.

 

Rei também atualiza um perfil no Instagram, que você pode conferir clicando AQUI.

 
 
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