Bem Vindo ao site Poconé On Line o Portal Internacional do Pantanal. email luisfernando@poconeonline.com
Poconé - MT, 15 de Dezembro de 2018, 21h07   |   Tempo: Mín. ºC | Máx. ºC
Facebook WhatsApp
(65) 9998-1070

EXCLUSIVO: A história secreta de Campos Neto, escolhido por Bolsonaro para o Bacen

81 visualizações

Neto do mato-grossense Roberto Campos, ícone do liberalismo econômico, presidirá o Banco Central

Por: Da editoria / Muvuca Popular

 

O Banco Central deverá ser comandado pelo neto de Roberto Campos (Senador por Mato Grosso, 1983-1991). O novo presidente do Banco Central (Bacen), Roberto Campos de Oliveira Neto, 49, é o responsável pela tesouraria do banco Santander (banco espanhol) para as Américas. Graduou-se em economia pela Universidade da Califórnia, Los Angeles (a famosa UCLA).

Ocupava a mesma posição no banco Bozzano, Simonsen, nos anos 90, contratado logo após a formatura. E ainda jovem já era ouvido pela mídia especializada na entidade chamada de “mercado”. A sua linha de atuação deverá ser o equivalente ao ídolo Armínio Fraga Neto (ocupou o Bacen de 1999 até 2003). Armínio Fraga assumiu quando o “mercado” projetava uma inflação de 20% no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. A taxa média da inflação de Fraga foi de 9%, chegando aos 12,5% em 2002.

A escolha de Campos Neto para o Bacen é de neutra para positiva, A taxa da inflação é a principal dor de cabeça que o filho de Roberto Campos terá

A taxa da inflação é a principal dor-de-cabeça do Banco Central, e hoje está em 4,5%. Porém, quem pegou dinheiro emprestado nos bancos, quando a inflação estava mais alta, ainda não viu reflexos dessa baixa na inflação porque os contratos continuam sendo executados como se nada tivesse acontecido. A operação se chama “troco”, quando os bancos chamam seus credores, ou endividados para assinarem outro contrato com juros menores, e devolverem a diferença, o “troco”.

A escolha de Campos Neto para o Bacen é de neutra para positiva, sem grande euforia, e ainda pode ser mudada porque o presidente eleito Jair Bolsonaro tem feito muitos recuos após suas declarações. O nome escolhido, Campos Neto, é filho de Campos Junior, um dos três filhos de Roberto Campos.

O “cuiabano” ilustre.

Roberto de Oliveira Campos (1917-2001) diz que nasceu em Cuiabá, entretanto é um “papa-banana”, nascido em Nossa Senhora do Livramento (40 km de Cuiabá). Pobre, entrou em seminário paulista, que detectou que não tinha vocação para padre. Tentou ingressar no serviço público, e foi reprovado porque não sabia datilografia. Também foi desqualificado como professor.

Finalmente foi aprovado em concurso para diplomata, e seguiu carreira. O diplomata “Bob Fields” (pela paixão pelos Estados Unidos) era defensor do liberalismo econômico e refinado crítico do comunismo (leu, de fato, as obras de Karl Marx).

Apesar da defesa pela livre iniciativa ganhou dinheiro no serviço público. A única experiência na iniciativa privada, que chamou de “o outro lado da cerca” foi como presidente do banco privado Investbanco, de 1968 até 1971, quando acabou demitido por incompetência. É claro que essa passagem de sua vida foi devidamente apagada.

Biografia escondida

O ilustre mato-grossense levou uma facada de um travesti nas costas, boatos também sugerem que foi de uma dupla de marginais no centro de São Paulo

Abafada também foi a história do esfaqueamento de Roberto Campos. Os boatos diziam que o então candidato a senador teria sido esfaqueado por uma travesti nas costas ou por uma dupla de marginais no centro de São Paulo. Apenas recentemente toda a história foi revelada.

Na noite de 28 de abril de 1981, dentro de um luxuoso apartamento em São Paulo, emprestado por um amigo, o todo-poderoso Roberto Campos, 64 anos, negociava o fim do romance com Marisa Tupinambá de Oliveira, 35 anos.

A relação dos dois havia começado em 1969. Quando Roberto Campos (saindo da frustrada passagem pela iniciativa privada) foi nomeado embaixador em Londres, conseguiu que o colega Delfim Neto, embaixador em Paris a contratasse. Mas a amante acabou demitida por Delfim Neto (aparentemente tirava cópia de documentos importantes), e então ela foi morar em Londres, onde ele alugava um apartamento. E foi esse apartamento que Marisa Tupinambá cobrou em 1981, além da participação nos lucros das negociatas em que transacionava em nome do embaixador Campos.

O que ela cobrava eram valores fechados por baixo dos panos, em percentuais, que variavam de 1% até 5%, ou 10%, e que nunca foram pagos. Segundo ela, “o Roberto (Campos) me colocava à testa das operações, comecei em 1979 com a Odebrecht”. A construtora pagava a ela uma mesada equivalente hoje a R$14mil (o fato era conhecido pelo Serviço Nacional de Informações, a Abin da época). Porém, os ex-amantes não se entenderam e o embaixador acabou levando facadas que perfuraram seus intestinos, peito, clavícula e quase teve um polegar decepado.

O caso foi abafado. Pouco depois, em 1984, Marisa lançou o livro contando a história desde o começo, nos anos 70, chamado “Eu fui testemunha”. O material simplesmente sumiu das livrarias. A construtora Camargo Correa comprou todos os exemplares disponíveis e ele nunca mais foi reimpresso (174 páginas, pela editora Vozes).

O velho embaixador pretendia seguir na política, e não mais como tecnocrata do Regime Militar, e as condições para Senador por Mato Grosso estavam favoráveis. Dizem que depois de eleito, em 1982, nunca mais voltou para sua terra natal, e quando foi cobrado teria dito “não devo nada, já paguei”, o que não se sabe é se “pagou” comprando votos ou ajudando com verbas para o governo Júlio Campos tocar obras, como os programas ciborg (eletrificação) e carga pesada (rodovias).

A família do velho embaixador

O nosso “Bob Fields” foi casado com a paulista Maria Stela Tambelini, com quem teve os filhos Roberto Júnior, Sandra Teresa e Luiz Fernando. Além do sobrenome (dizem que não é parente de Julio Campos, que o lançou na política), deixou de herança para os filhos imóveis e duas empresas especializadas em locação em São Paulo e Rio de Janeiro. O que é o sonho de todos os brasileiros, viverem de renda.

Roberto Campos teve uma filha, casada ainda jovem com um médico famoso do Rio de Janeiro, chamada de Sandrina, e o caçula, Luiz Fernando, considerado pelo pai como “hippie”, e que anos depois foi processado pelo Ministério Público porque seria funcionário fantasma de um órgão da prefeitura de São Paulo. O pai acusou o PT de armação contra o filho. O caso também foi abafado.

Lançado por Júlio Campos na política, o ‘papa-banana’ Roberto Campos foi eleito senador por Mato Grosso e depois nunca mais voltou. Cobrado, dizia que tinha pago a eleição e não devia nada

O pai do futuro presidente do Banco Central é conhecido como Bob, nasceu em Washington e se formou em engenharia eletrônica em 1970, também na UCLA. Segundo o pai de Bob, ele escolheu a engenharia porque “os diplomatas ganham pouco, viajam muito e mentem demais”. Depois da formatura recebeu convite para trabalhar na construtora Camargo Correa. Acabou escolhendo ser diretor onde o pai era presidente, no Investbanco. O banco surgiu da fusão entre o Grupo Comercial Brasul e o Big-Universt.

Bob Júnior foi o que mais se aproximou do pai, o saudoso “Bob Fields”, e tem outro filho, empresário, mas Roberto Neto, o escolhido por Bolsonaro, é o que está mais próximo daquele jovem que saiu de Mato Grosso e participou da conferência de Bretton Woods, quando se definiu em 1944 que a nova moeda seria o dólar, e a liderança mundial seriam os Estados Unidos.