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IFMT suspende aula, após surto; estamos com nervos à flor da pele, diz professor

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Keka Werneck e Allan Pereira

 

Rodinei Crescêncio

ifmt aulas suspensas

Direção coloca cartaz, avisando que aulas estão suspensas de tarde e mà noite nesta 6ª

O Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) suspendeu as aulas na tarde e noite desta sexta (10), após um professor da Geografia, R.S., ter um surto e prender quatro alunos em um laboratóriode manhã, portando um machado e uma estaca de madeira afiada.

Um professor da escola afirmou ao  que estão todos muito chataeados com as ocorrências. Sentem-se cansados, com a sobrecarga de trabalho e os nervos à flor da pele, devido aos cortes promovidos pelo Governo Federal. A saúde mental de boa parte anda abalada. Segundo ele, esse cenário, de desvalorização da educação e dos docentes, tem adoecido a classe. "Existe professor trabalhando com depressão, professores que já sofreram ameaças via whatsap (embora tenham esclarecido que era "brincadeira" de alunos, pois já foram identificados), mesmo assim existe a tensão".

 

Ele relata ainda que "há possibilidade de expulsão de dois alunos por conta disso". Diz também que os professores precisam desempenhar o tabalho com profissionalismo, afinal são concursados e ocupam cargo federal, recebem por isso, no entanto não é fácil atuar com recursos restritos e oferecer ensino de qualidade.

O #rdnew foi ao IFMT e encontrou alunos também assustados e chateados com as ocorrências.

IFMT

O comentário entre alunos era esse, na porta de saída do IFMT, após a PM contornar a situação e levar o professor que surtou para Policlínica do Verdão

 

Excelente professor, assistencialista, atencioso e exemplar, dizem colegas e alunos do docente do IFMT que teve surto

Vinícius Lemos e Allan Pereira

 

Rodinei Crescêncio

Marcos Vinicius

Diretor Marcos Vinicius ressalta que professor é atencioso e muito querido pelos estudantes

O professor que teve um surto na manhã desta sexta (10), no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), na região central de Cuiabá, é tido como exemplar e é considerado um dos profissionais mais atenciosos com os estudantes. A instituição de ensino, assim como alunos, garante que não houve ameaças ou qualquer tipo de risco ocasionado pelo profissional.

O professor, que não terá a identidade divulgada, leciona no curso de Agrimensura. Ele é o coordenador do grupo de estudos Geotec, que se dedica a fazer atividades acadêmicas como a produção de mapas e estudos geográficos por meio de satélite.

De acordo com o diretor substituto do instituto, Marcos Vinícius Santiago, o docente foi diagnosticado com depressão e estava em tratamento. Ele passou meses de licença médica, em razão da doença, fez tratamento e retornou à unidade de ensino neste ano.

“Ele é um ótimo professor, pode perguntar para qualquer aluno. Ele é muito assistencialista, ajuda a todos. É um profissional muito querido, mas foi acometido por um mal que pode atingir qualquer um, que é a depressão”, afirma Santiago.

Por meio de comunicado, o coletivo de psicólogos do IFMT lamenta a situação vivida pelo professor. "Ninguém escolhe adoecer, precisamos nos unir e acolher o outro, sem julgamentos ou estereótipos.

O professor presta excelente trabalho à comunidade escolar, com resultados profícuos no âmbito do ensino, pesquisa e extensão e, em contrapartida, tem total reconhecimento de seus estudantes. Precisamos repensar e educar as pessoas e a sociedade para acolher e cuidar", pontua o grupo.

É um profissional muito querido, mas foi acometido por um mal que pode atingir qualquer um, que é a depressão

Marcos Vinícios Santiago, diretor do IFMT

A mãe de um estudante da unidade de ensino, que pediu para não ser identificada, afirma que o filho sofre bullying no IFMT e o professor foi fundamental para ajudar no ensino do adolescente, de 17 anos. “Foi a única pessoa que tratou o meu filho com humanidade naquela escola até hoje. Ele levava livros para ajudar o meu filho”, diz.

O surto

Conforme o diretor substituto, o professor se trancou em um laboratório no final de uma aula, por volta das 9h30 desta sexta, em meio a um surto. “Ele realmente se trancou com os alunos, pois estava dando aula”, diz. No entanto, instrumentos como um machado e um facão, não teriam sido utilizados pelo docente para ameaçar os alunos. “Esses equipamentos fazem parte do laboratório. Lá existem essas ferramentas, porque são usadas para os alunos fazerem marcações. Em nenhum momento ele utilizou esses itens para ameaçar alguém”, declara.

Alunos e professores ouvidos pela reportagem reforçaram a versão do diretor e negaram que o docente tenha ameaçado alguém. “Como ele estava em surto, às vezes nem percebeu que alguém também estava na sala. Tanto é que ele liberou os alunos depois e ficou sozinho”, argumenta Santiago.

Como ele estava em surto, às vezes nem percebeu que alguém também estava na sala. Tanto é que ele liberou os alunos depois e ficou sozinho

Marcos Vinícius

O diretor explica o motivo para que a Polícia Militar tenha sido chamada para atender o caso. “O protocolo do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) diz que só é possível fazer atendimentos de casos de surto quando há acompanhamento a PM. Por isso também chamamos a Polícia Militar”, afirma.

Depois da chegada do Samu e da PM, o professor foi levado por uma ambulância para uma unidade de saúde, onde foi sedado. Em seguida, ele deverá ser encaminhado será ouvido pela Polícia, possivelmente a PF, para prestar esclarecimentos sobre o caso e depois será liberado.

Os estudantes que estavam na sala, segundo o diretor, foram levados para passar por acompanhamento psicológico. No entanto, os jovens inocentaram o professor. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, os adolescentes disseram que o docente não ameaçou ninguém.

Na tarde desta sexta, as aulas no IFMT foram suspensas. “Quando acontece algo assim, pais ficam desesperados. Então liberamos os alunos para que os pais pudessem ficar tranquilos”, diz Santiago.

O professor deverá passar por uma perícia nos próximos dias, para que os profissionais avaliem se ele deverá ser afastado novamente das funções. “O instituto não tem poder discricionário para afastar o profissional. São necessários exames”, explica Santiago.

Em conversa com o , um professor do IFMT, que há 20 anos é amigo do docente que teve o surto nesta manhã, lamenta a situação e critica a postura da instituição de ensino. “Ele teve um outro surto no ano passado e teve de fazer tratamento psiquiátrico. Mas o IF abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar o caso, em vez de lidar com isso como caso de saúde mental”, lamenta o amigo. “A saúde mental dele vinha sendo tratada como questão administrativa”, acrescenta.