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Após 4 dias na mata, piloto e co-piloto sobreviveram com duas garrafas de água e comendo amendoim

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Fabiana Mendes

05 Dez 2018 - 17:07

 

Foto: Reprodução

Após 4 dias na mata, piloto e co-piloto sobreviveram com duas garrafas de água e comendo amendoim
O piloto Marcelo Balestrin e o co-piloto John Cleiton Venera que ficaram quatro dias desaparecidos após queda de uma aeronave Cessna Aircraft (PT-ICN), na região de Cáceres (218 quilômetros de Cuiabá), sobreviveram comendo amendoins e salaminho. Na bagagem, os dois ainda levavam duas garrafinhas de água que foram de vital importância para evitar a desidratação. 

Ao Olhar Direto, um amigo da dupla, Edson Ribeiro, disse que a água, o salgadinha e o embutido, foram entregues pela esposa de um deles pouco antes da viagem. Edson, que é amigo dos pilotos há 12 anos, acompanhou o trabalho de busca e, resgate, dos dois homens que encontram-se internados no Hospital Santa Rosa. 

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Segundo Edson, Marcelo sofreu fratura no maxilar. Já, John ficou com lesões nas pernas.  Ele relatou que apesar dos ferimentos, piloto e co-piloto conseguiram sair se arrastando da aeronave pouco após a queda.
 
Equipes da Força Aérea Brasileira (FAB) resgataram as vítimas na tarde de terça-feira (3), que foram levadas para o hospital, onde foram submetidos à cirurgia.  Agora, eles permanecem internados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sem previsão de alta.
 
Edson também contou à reportagem que os pilotos disseram que “o mau tempo ocasionou o acidente. Estava muito ruim e a aeronave não é de navegação por instrumento, é de voo visual. Chegando aqui, estava muito fechado o tempo, eles não conseguiram ultrapassar e colidiram contra a copa de uma árvore”.
 
A aeronave teria decolado de Pimenta Bueno (RO) e teria como destino Santo Antônio do Leverger, na sexta-feira (30).

Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o avião é um modelo 182P, Cessna Aircraft, fabricado em 1972, pertencente a Wilson Cheris Vera e que está com o certificado de aeronavegabilidade cancelado, em situação irregular.
 
Resgate

Ao todo, foram aproximadamente 30 militares do Esquadrão Pelicano (2º/10º GAV) envolvidos nos quatro dias de buscas. Mecânicos do Esquadrão Pantera (5º/8º GAV) também compuseram a tripulação. A FAB também teve apoio desde sexta-feira do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
 
“Já era o quarto dia de buscas e decolamos por volta das 17h para fazer um padrão onde ainda não havíamos passado com o helicóptero. Cerca de uma hora depois da decolagem ouvimos o sinal do ELT [Emergency Locator Transmitter] e continuamos circulando na região. Logo depois, nossa tripulação avistou a aeronave e já dava pra ver o pessoal acenando pra gente, mostrando que estavam vivos”, conta o Tenente Aviador Fábio Rachildes Pinto.
 
O resgate dos pilotos foi feito já perto do cair da noite: “Pousamos em uma área próxima, os resgateiros desembarcaram e já fizeram a ação inicial, imobilizaram os dois nas macas e levaram para o helicóptero. Mais ou menos às 19h estávamos prontos para decolar. No pouso em Cuiabá a ambulância já estava esperando para levá-los ao hospital”, completou o militar.
 
A operação de busca e salvamento teve início no sábado (1) e foi coordenada pelo Salvaero Manaus, contando também com a participação da aeronave SC-105 Amazonas, que realizou mais de 40 horas de voo durante as buscas.