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Cine Teatro sobrevive há 75 anos, entre holofotes e dramas na arte de MT

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Tombado e reconstruído, editais suspensos e novas administrações, saiba como anda o Cine Teatro

Mirella Duarte (mirella@rdnews.com.br)

 

Gilberto Leite

Cine Teatro Cuiabá

Flávio Ferreira, coordenador do Cena Onze, dá detalhes sobre funcionamento do Cine Teatro

Os dramas vividos pelo Cine Teatro em Cuiabá são registrados desde 1942 e não é a toa que o espaço é um marco na história de Mato Grosso. Já foi tombado e reconstruído como patrimônio histórico em 1984. Ficou fechado durante 12 anos, entre 1997 e 2009, e foi reaberto após reforma com realização de novo edital para gestão.

Aparentemente em um bom momento, ativo, e ao completar 75 anos de história, o Cine Teatro Cuiabá (reformado pela última vez em 2016) mantém as estruturas firmes desde então e tem aberto as portas não apenas para grandes espetáculos, mas para pautas (aluguel) do local com preenchimento de cotas (datas) em valores que variam de R$ 1 mil a R$ 2 mil; cinema todas as terças; e mostra de teatro com companhias aos finais de semana. Também é esteio para novas parcerias de graduação em tecnólogo ou curso superior (gratuitos) de teatro em parceria com a secretaria de Cultura, Cine Teatro, SP Escola de Teatro e a Universidade do Estado de Mato Grosso.

O Cine Teatro está localizado na Avenida Getúlio Vargas e o prédio possui 1.182m2 de área construída, incluindo os teatros com plateia, recepção e camarins aos fundos.

Batata quente ou boneco de vara

Em 2014, o Instituto Mato-grossense de Desenvolvimento Humano, que gestava o Cine antes da Cia Cena Onze, optou por não renovar o contrato de cinco anos, por dificuldades em receber repasses do governo. Alegou, naquele período, que o repasse do contrato era trimestral, no valor de R$ 161,2 mil.

Em outubro do mesmo ano, o governo lançou edital para que uma nova administração assumisse. A disputa foi suspensa pelo governador Pedro Taques, no início de janeiro de 2015, para passar por revisão e o edital só foi reaberto em maio.

O orçamento anual para a nova administração seria de R$ 800 mil, pelos próximos cinco anos e, ainda em 2015, foi vencida pelo Serviço Social da Indústria (Sesi-MT). O contrato entre esta instituição e o governo deveria ter sido oficializado em 29 de junho, porém, não foi concluído e, sem negociação, as portas do Cine Teatro permaneceram fechadas por dois anos. Em uma nova concorrência, o Cena Onze se propôs ao desafio e assumiu as rédeas em abril de 2016 - após os trâmites burocráticos.

Funcionamento

Em entrevista à equipe do , o diretor Flávio Ferreira, representante da Cia Cena Onze, explica as mudanças que têm ocorrido desde então, detalhes do funcionamento e novidades postas em prática com os funcionários do Cine, secretaria de Cultura e Cena Onze.

Gilberto Leite

Cine Teatro Cuiabá

Sala abaixo do palco foi adaptada, com a retirada de aço, para ser usada em ensaios e aulas

De início, a equipe sentou-se na recepção e, ao aguardar o entrevistado, funcionários transitavam entre as escadas de madeira, portas coloniais e os corredores de paredes largas, cheias de histórias.

Ao todo, entre administração do local, seguranças, recepcionistas e equipe de limpeza, são quinze funcionários que atuam diariamente no teatro. Flávio, que apresentou cada cômodo como os palcos, os três camarins, seis banheiros, elevador e como tudo funciona em cima do palco e por trás das pesadas cortinas do espaço principal, apontou para o chão, e no tablado de madeira havia um perceptível “remendo” seguido de escadaria.

“Antes da reforma aqui (apontando para o chão) tinha um enorme buraco. Eu que sou pai de duas bailarinas ficava com o coração na mão ao ver que em qualquer deslize elas ou qualquer outra pessoa que se apresentasse poderia despencar deste palco. Chamamos um arquiteto e estendemos o espaço, agora, a escada começa mais para frente, o que diminuiu o risco das quedas”, revela.

Na sala de espetáculo principal, são 510 acentos. Nos dias de apresentações, além do público sentado, circulam equipes de fotografia e cinegrafia, de apoio das peças ou companhias de dança pelas portas laterais. A reportagem atravessou pelos fundos do palco e escadas estreitas levaram até camarins no subsolo.

Além disso, na parte de baixo do palco principal, que antes da reforma (o palco) ainda era sustentado por barras de ferro houve um ajuste "Desta maneira, ganhamos mais uma sala, que pode ser usada para aulas, ensaios ou outra coisa qualquer que precisarmos”, explica.

Segundo o diretor, um dos ganhos tem sido desburocratizar a utilização de cada sala e sua funcionalidade, quase todos os lugares podem ser usados para as aulas de teatro, para ensaios, camarim ou estudos. Um exemplo é a nova área de espetáculo, um pouco menor, mas que está sendo utilizada desde seu lançamento.

Gilberto Leite

Cine Teatro Cuiabá

Do palco é possível ter visão panorâmica do Cine Teatro de Cuiabá. Construído há 75 anos, local foi restaurado e, após idas e vindas, funciona normalmente

A reportagem tornou a subir as escadas, e no andar de cima do Cine, o espaço nomeado Anderson Flores (em homenagem a trajetória do ator e sua relevância no teatro mato-grossense),  a equipe entrou e pode ver um ensaio musical que estava acontecendo em forma de roda, com violão e canto. “Não era nossa intenção atrapalhar, eu só estou apresentando os espaços para o pessoal do , continuem ensaiando”, disse Flávio.

Na sala Anderson Flores, que comporta 100 pessoas, além das peças apresentadas no local, danças e ensaios, as aulas do MT Escola tem sido feitas ali. Fechou-se a porta e, logo, apareceu grafitado o rosto do homenageado por Siq (Jean Siqueira), que deixou o semblante do artista suavizado ao sensibilizar quem atravessa por aquela porta, também uma nova fase do Cine Teatro.

Já do lado de fora e em um espaço vago que parece uma sala de espera ou sala de estar, o diretor manuseia livros em algumas estantes. “Aqui, em breve, lançaremos uma biblioteca (risos). Nossa expectativa é que ela funcione a partir de abril, é algo que fluiu com a necessidade de materiais para pesquisa, algo novo no Cine”, ressaltou entusiasmado.

Em dias de espetáculos, um grande problema enfrentado era a falta de estacionamento do local, por isso, foi fechada uma parceria com quatro estacionamentos. Um deles oferece o serviço de manobrista, que recolhe o carro na porta do teatro e o devolve no final do evento. “Isso, além de nos ajudar a resolver esta questão da segurança dos carros e visitantes ao teatro, também movimenta o comércio local. Pagamos um valor todo início do mês e passamos as datas dos eventos, tudo tem funcionado bem desde então”, disse.

Gilberto Leite

Cine Teatro Cuiabá

Cine Teatro fica localizado na avenida Getúlio Vargas, em Cuiabá, e comporta 510 pessoas

Nas terças, funciona o cinema, durante o dia para crianças e escolas que quiserem visitar o espaço. A estrutura da sala principal de teatro foi adaptada com grandes telas que correm e são reproduzidas por um projetor.

Durante a noite, para maiores de 18 anos. “Para crianças de rede pública o cinema é de graça, para estudantes em geral R$ 2 e para adultos R$ 4. Isso não estava na pauta, mas nós conseguimos negociar com a Cultura e este dinheiro, assim como os da pauta (aluguel), são usados para a manutenção do próprio Cine Teatro, tudo aqui dentro”, pontuou.

Todo final do ano, especificamente no mês de novembro, o Cine Teatro lança a pauta (aluguel) para as instituições que quiserem ocupar o espaço do teatro no ano seguinte. As empresas se candidatam e apresentam as datas, até que se cumpram as cotas (datas), as pautas são definidas entre Cine, Sec e instituições interessadas.

Escola

Em relação às aulas, o MT Escola tem funcionado como curso de graduação na modalidade de tecnólogo e também curso superior, esta última, também em parceria com a Unemat, que deve formar a primeira turma em dezembro de 2017. Para a escola de teatro, o grupo Cena Onze fez uma espécie de extensão com a SP Escola de Teatro, que ajudou a funcionalizar tanto a escola em tecnólogo como o curso superior. “É a maior escola de teatro da América Latina e também funciona em convênio com universidades públicas do Brasil e exterior, como Alemanhã ou Suécia, por conta do método que ela criou”.

O curso tecnólogo funciona por dois anos e os mesmos professores que atuam em São Paulo ou outras partes do país e mundo, agora também lecionam em Mato Grosso. Além dos profissionais de fora, o Cena Onze quis dar um ”plus” na valorização dos artistas e professores da região, e inseriu nesta grade também docentes mato-grossenses. Entre eles estão Luz Correa Orozco na dramaturgia, Jefferson Luis Barbosa Jarcem na direção, Daniela Correa Leite na atuação, Karina Figueredo Souza na iluminação, Ricardo de Souza Porto na sonoplastia, Einstein Halking Gonçalves de Aguiar no cenário e figurino, Fernanda de Sousa Gandes na produção, Jandeivid Lourenço Moura, Everton Santos de Brito e Carlos Jerônimo.

Galeria de Fotos

Credito: Gilberto Leite
Fachada do Cine Teatro que tem 75 anos
Credito: Gilberto Leite
Do palco, artistas se apresentam para até 510 pessoas
Credito: Gilberto Leite
Visão do Cine Teatro a partir do mezanino
Credito: Gilberto Leite
Poltronas instaladas há 75 anos e que foram restauradas durante a reforma
Credito: Gilberto Leite
Um dos camarins do Cine Teatro
Credito: Gilberto Leite
Sala abaixo do palco foi adaptada para ser utilizada para ensaios e aulas
Credito: Gilberto Leite
Nova sala de espetáculo que pode acomodar público de 100 pessoas