Depois do feriado em São Paulo, o mercado local voltou a operar focado na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência no plenário da Câmara dos Deputados, marcada para começar na manhã desta quarta-feira, 10. Às 10h14, o Placar da Previdência feito pelo Estado mostrava que o governo já tem os 308 votos necessários para aprovar o texto. O Ibovespa, principal índice da B3, a Bolsa de São Paulo, atingiu uma nova marca recorde às 11h04, chegando aos 106.000, 49 pontos, com alta de 1,41%. Nos últimos dias, o Ibovespa tem batido recordes seguidos com o otimismo em relação à reforma. No mesmo horário, o dólar era cotado a R$ 3,7727, com baixa de 0,35%.

A Câmara encerrou a sessão de debates sobre o texto da reforma já de madrugada e uma nova sessão foi marcada para as 9 horas, mas a retomado do rito da Previdência ficou marcada para as 10h30, horário em que o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), informou que abriria espaço para fala de três deputados a favor e três contra a reforma. Depois, começaria o processo de votação em primeiro turno, mas o início efetivo só deve ocorrer quando houver quórum bem acima dos 308 votos necessários para aprovação da proposta.

Maia acredita que há condições de votar os dois turnos esta semana. "Vamos até o sábado. Se necessário, até o domingo", afirmou. A estratégia é evitar deixar a votação do segundo turno para depois do recesso parlamentar, que começa dia 18 de julho. O deputado desistiu de recepcionar o presidente Jair Bolsonaro na manhã desta quarta no Congresso, como havia sido informado na terça. Bolsonaro foi ao local para participar de um culto da Frente Parlamentar Evangélica ministrado pelo ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos. Ele também participou por alguns minutos de uma sessão solene no plenário da Casa em homenagem aos 42 anos da Igreja Universal do Reino de Deus.

O mercado acompanhou também a divulgação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nesta manhã, que fechou junho com alta de 0,01%, ante recuo de 0,15% em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa foi a menor variação mensal do indicador desde novembro de 2018, quando houve queda de 0,21%.   

Cautela no exterior

Os ativos no Brasil também podem sofrer o efeito da revisão da previsão de crescimento da União Europeia para a zona do euro para 2020, de 1,5% para 1,4%; para este ano foi mantida a projeção de 1,2%. A comissão advertiu que o crescimento econômico poderia ser ainda mais lento tanto neste ano quanto em 2020 se os Estados Unidos e a China não derem fim à guerra comercial e impuserem tarifas adicionais a produtos um do outro.

No exterior, investidores acompanham a fala do presidente do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, que é sabatinado na Câmara dos Representantes dos EUA e a divulgação à tarde da ata da reunião de política monetária do Fed em junho. Há expectativa entre os agentes financeiros de corte na taxa de juros neste ano, incluindo a próxima reunião, nos dias 30 e 31.

Powell afirmou que as incertezas à perspectiva econômica dos Estados Unidos aumentaram e observou que, desde a reunião de política monetária do Fed há três semanas, "as incertezas em torno das tensões comerciais e as preocupações com a força da economia global continuam pesando sobre as perspectivas econômicas, enquanto as pressões inflacionárias permanecem mudas". De acordo com Powell, foi com base nessa ideia que muitos dirigentes do Fed viram que a defesa de uma política monetária "um pouco mais acomodatícia" havia se fortalecido já no fim do mês passado.

FONTE: Estadão