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Louco por carros antigos, cuiabano salva Fusca e arrasa na pista

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Mirella Duarte

 
FUSCA REFORMADO
 

Olha o antes e o depois de um Fusquinha que estava se perdendo no tempo e agora tem poltronas de couro e charme

Imagine um carro que atravessa gerações, remeta a memórias familiares e um tempo em que as coisas tinham um valor diferente. Com direito a um dia no calendário nacional, o fusquinha é o tipo de carro que ganha diferentes tipos de amantes e até hoje tem modelos de variados anos de fabricação circulando ruas, mundo a fora.

No Brasil o mês de janeiro é um pouco mais especial para os apreciadores dessa máquina, que foi líder de mercado no Brasil por 24 anos consecutivos e teve três milhões de unidades produzidas no país. Dia 20 de janeiro é o Dia Nacional do Fusca e como não há formas de falar sobre o Fusca sem falar de afeto, o  entrevistou o cuiabano, servidor público e enamorado pelo carro, Vicente Vuolo, 58 anos.

Arquivo pessoal

 
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Fusca

Vicente Vuolo se emociona ao falar do Fusca e de outros carros antigos

Paixão por carros antigos e reforma do Fusca

As alterações foram radicais no sentido de aproximá-lo ao máximo de um carro dos anos de 1930. Foi necessária a mudança da janela inteira traseira para a uma janela dupla, um charme de época

Vicente Vuolo

Na juventude de Vuolo, ele teve vários carros e maior parte dos modelos se consolidaram como clássicos, entre eles o Fiat Uno 147, Corcel Belina, Brasília, Chevette, Puma, Fusca e até Buggy.

Desta vez, o cuiabano se apegou à ideia de retornar à vida um Fusquinha que já quase se perdia em ferrugem. Apesar de não ser o primeiro carro que ele apostou sua fé, foram exatos dois anos de reforma e exatamente neste janeiro de 2019 o possante ficou pronto. “As alterações foram radicais no sentido de aproximá-lo ao máximo de um carro dos anos de 1930. Foi necessária a mudança da janela inteira traseira para a uma janela dupla, um charme de época”, ressalta os detalhes. 

Segundo Vicente, para se ter uma ideia da importância do Fusca, em 1950, o modelo Standart com janela dupla e teto-solar era parte apenas de 50 unidades trazidas ao Brasil. “Outra alteração espetacular foi em relação às portas. Nós chegamos a conhecer esse tipo de porta suicida, em um tipo de automóvel no Brasil, o Dkw Vemag. Em 1960, a presidente norte-americano Lincoln fazia isso como característica em seus enormes sedans, portas estas que foram herdadas dentro do mesmo grupo no Ford Thunderbird nos anos 1960 e 1970”, ressalta como um verdadeiro especialista.

Na década de 30 eram mais comum as portas traseiras. O que pode ser inspirado em carruagens, segundo o apreciador, e que fez com que os carros seguissem o modelo. “Quando os carros ficaram mais velozes, as pessoas achavam que as portas seriam arrancadas pelo vento. E foi nessa época que o modelo para trás foi apelidado de suicide doors, na tradução, portas suicidas. Não existia ainda o cinto de segurança e as pessoas morriam de medo de saírem voando”, exemplifica.

Chevette, outra paixão

Além do Fusquinha que acabou de ficar pronto, Vuolo conta que sua primeira experiência com customização foi com o Chevette verde musgo. “Consegui transformá-lo num esportivo com teto-solar, spoiler, aerofólio, rodas palito cromadas, vidro dianteiro dégradé, toca fita road-star, amplificador tojo e bancos esportivos”, enumera, empolgado. 

Falando do Chevette, salienta, com orgulho, um fato histórico que aconteceu durante a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, quando um carro deste modelo puxou uma imensa carreata no Eixão do Distrito Federal, sendo matéria de capa do Jornal de Brasília.

Perícia e competência

Vuolo ainda realça que as alterações no seu “novo” Fusca foram complexas e exigiram muita perícia e competência de um engenheiro bastante conhecido na Bahia e considerado um dos melhores restauradores de carros do país, Luís Carlos Gordilho.

Foram também trocados o assoalho, algumas peças de lataria, introduzindo teto-solar panorâmico, portas-suicidas e acoplados retrovisores colados nas portas. O carro recebeu vidro traseiro com janelas duplas, vidro dianteiro basculante, bancos de couro Ferrari da mesma cor do velocímetro e do porta-sol, rádio 1960 adquirido em New York, rodas esportivas cromadas, tanque de combustível deslocado para a parte de trás, inclusive com o marcador de combustível instalado no próprio tanque. E tem mais: farol “olho de boi”, pisca-pisca importado, limpador de para-brisa cromado, motor original 1.300 retificado e pintado com ignição eletrônica.

Amor que vem de família

O pai do servidor foi quem o mostrou o “universo” dos carros a ele, isso porque tinha um Fuscão 1.500 vermelho. Também foi seu pai que o ensinou a dirigir quando iam para uma chácara da família, a “Vai Ken Ké”, que é propriedade deles até hoje. “Depois disso, passei a admirar alguns outros carros que meu pai teve como o Jeep Willys, Rural Willys, Galaxy Landau, Aero Willys e Itamaraty”, lembra.

Um broto que chama atenção ao desfilar

Quando anda pelas ruas de Brasília, local onde Vuolo reside atualmente, observa as pessoas torcendo o pescoço para ver o amado Fusquinha. Isso, ao considerar os outros motoristas acelerando ou mudando de faixa apenas para conferir mais de perto, admirar os detalhes. “Quando o carro está parado, as pessoas ficam tirando fotos. Outras fazem perguntas. Os mais velhos se lembram da juventude, suas aventuras, suas paixões”, comenta.

Em 2015, Vicente esteve em Cuba, lugar com uma grande concentração de carros clássicos. Alugou um Pontiac 1945 conversível, para ele. Era como se tivesse voltado no tempo, nos anos 40, passeando em Havana, entre palácios e casarões seculares. “Agora, dirigir um Fusca 1966, na Esplanada dos Ministérios, é uma sensação completa, de que seu carro te ama de volta. Porque você o ama, cuida dele, tem orgulho”, finaliza emocionado.

No mundo todo, o fusca deixou de ser produzido em 2003. Apesar disso, duas releituras do veículo surgiram, como exemplo do New Beetle no final dos anos 90.