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OPINIÃO / VICENTE VUOLO - Arrancada para ciência

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Vicente Vuolo 

 
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Vicente Vuolo

O otimismo do povo brasileiro com a possibilidade de o novo governo promover as reformas necessárias para tornar a máquina do Estado mais eficiente pode fazer o país crescer mais rapidamente. E com isso, beneficiar o setor científico a receber uma atenção jamais vista.

O programa do governo Bolsonaro acena com a possibilidade de um investimento em ciência da ordem de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) – contra parcos 1,2% atualmente – o que colocaria o país em um patamar mais competitivo internacionalmente.

A partir da escolha meritocrática do astronauta Marcos Pontes para ocupar o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação pode-se esperar uma arrancada na ciência brasileira. O piloto da Força Aérea Brasileira, engenheiro, com mestrado em engenharia de Sistemas pela Naval Postgraduate School, na Califórnia, demonstrou confiança nas primeiras palavras após aceitar o convite do presidente eleito: “Educação para formar cidadãos qualificados. Ciência para desenvolver ideias e soluções específicas para o Brasil. Tecnologia para transformar ideias em inovações, que vão se transformar em novos produtos, que vão se transformar em novas empresas, que vão criar novos empregos”.

 

No Brasil falta suporte e estímulos para que os cientistas busquem patentes. Além disso, o país interage pouco com o setor privado

Hoje no Brasil falta suporte e estímulos para que os cientistas busquem patentes. Além disso, o país interage pouco com o setor privado. O Brasil é o 11° país em registro de patentes. Os números de depósito de pedidos de patente brasileiros representam apenas 0,03% de todas as 10 milhões de patentes vigentes no mundo. Um dos problemas é a burocracia. Leva-se em média 11 anos para se concluir o processo de registro de uma patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI. É necessário se preencher o quadro técnico do órgão e ter uma diretriz governamental clara sobre a prioridade para a área.

Com o prestígio internacional de Marcos Pontes o Brasil pode alcançar voos mais altos, buscando parcerias com os países mais adiantados do mundo. Uma delas, é com Israel, que possui o Instituto Weizmann, um verdadeiro celeiro de conhecimento científico. Pesquisas desenvolvidas na instituição israelense já renderam 6 prêmios Nobel e os produtos industriais desenvolvidos em seus laboratórios movimentam US$ 37 bilhões por ano.

De acordo com o vice-presidente de Relações Internacionais do Instituto Weizmann, Israel Bar-Joseph, é muito importante combinar a ciência com desenvolvimento econômico: “ Nós temos um modelo único. Nossa visão, e isso é muito importante, é de uma ciência que beneficia a humanidade. Não fazemos ciência pela ciência. Nossa medida de sucesso é o impacto que geramos para a humanidade. Não necessariamente para Israel ou para o setor industrial de Israel. Esse é o primeiro ponto. Em segundo lugar, aprendemos com a ciência que o caminho para as grandes descobertas é longo. Vivemos em uma sociedade altamente tecnológica, e em Israel há muita criatividade e inovação. O nosso mundo é outro. Queremos gerar conhecimento”.

A transferência da gestão das universidades federais para o Ministério que Pontes comandará poderá ser um estímulo forte para que nossa criatividade se transforme em conhecimento científico que produza inovações tecnológicas e coloque o país no mercado ascendente de produtos inovadores e com grande valor agregado.

O momento é muito favorável, desde que o novo governo faça realmente a escolha pela inovação e não pelo retorno a um país meramente exportador de commodities.

Vicente Vuolo é servidor de carreira do Senado Federal, economista e cientista político. E-mail: vicentevuolo10@gmail.com