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Prefeitura em MT fecha por falta de dinheiro e se torna exemplo no Brasil

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O Jornal Nacional, que foi ao ar na noite desta quarta-feira (06), usou como exemplo o município mato-grossense de Santo Antônio de Leverger (35 km de Cuiabá) a para mostrar a situação de penúria de muitas cidades brasileiras.

A reportagem da jornalista Eunice Ramos, da TV Centro América, afiliada da TV Globo, destacou o drama vivido pela população da cidade que, nesta semana, viu a prefeitura fechar as portas por falta de recursos.

O JN destacou que as principais atividades econômicas de Santo Antônio da cidade são o turismo, a pesca e a agropecuária, mas desde junho passado, o rombo nas contas explodiu. O município arrecada R$ 3,5 milhões por mês em impostos e tem uma dívida de R$ 2 milhões.

A maior parte delas são débitos trabalhistas. Este ano, a folha de pagamento dos funcionários do município chegou a ficar dois meses atrasada.

“Fica o comércio parado, não funciona. Se o pessoal não recebe como é que pode pagar, se o prefeito não paga”, conta um comerciante.

Por causa da crise financeira o prefeito Valdir Pereira de Castro Filho (PSD), o “Valdizinho”, decidiu tomar uma atitude drástica e suspender o atendimento ao público na prefeitura. Durante dois meses, vão ser oferecidos apenas os serviços essenciais como saúde, educação e coleta de lixo.

Estão suspensos: cursos de qualificação, projetos e programas nas áreas de cultura e turismo, a regularização fundiária e parte da emissão de licenças para obras.

“Temos uma parte da folha ainda de setembro que nós iremos pagar agora nesta semana. Já iremos iniciar o pagamento de outubro dentro do mês e, dentro do mês de novembro, pagar o mês de outubro. E no mês de dezembro, eu já quero finalizar, virar o ano com todos os servidores pagos, por causa dessas atitudes que nós já estamos tomando antecipadamente” afirma Valdir Pereira de Castro Filho, prefeito de Santo Antônio de Leverger.

A prefeitura está fazendo um estudo de contenção de despesas e pretende dispensar 40% dos funcionários contratados e comissionados.

“É péssimo. Não existe um município com prefeitura fechada”, diz uma moradora. 

O prefeito defende um aumento dos repasses: “de 100% que se arrecada no Brasil, apenas 15% vai pro município. Sessenta por cento fica pro governo federal, de 25% a 35% com o governo estadual e o município apenas com 15%. Se houver uma distribuição mais justa dos impostos, onde o município consiga arrecadar mais, com certeza a realidade de todos os municípios do Brasil vai mudar, dos mais de 5 mil municípios do Brasil”.

Uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro constatou que em quase dois mil municípios brasileiros a arrecadação local não cobre nem as despesas para manter as prefeituras funcionando. E quase quatro mil municípios registram situação fiscal difícil ou crítica, incluindo nove capitais: Florianópolis, Maceió, Porto Velho, Belém, Campo Grande, Natal, Cuiabá, Rio de Janeiro e São Luís.

Na terça (05), o governo federal enviou ao Congresso uma série de propostas de reformas econômicas. Entre elas, está a possibilidade de municípios com menos de cinco mil habitantes e arrecadação própria menor que 10% da receita total serem incorporados por municípios vizinhos. Mas Santo Antônio de Leverger não se enquadra neste critério porque tem quase 17 mil habitantes. 95% por cento do que Santo Antônio recebe vem do estado de Mato Grosso e da União.

Enquanto a prefeitura não reabre, a população espera. “A gente paga o imposto, queria ser bem atendido”, diz um morador.

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(Com Jornal Nacional)