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Prejuízos chegam até R$ 70 por animal abatido

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MARIANNA PERES
Da Reportagem

O alto custo de produção tem se mostrado um grande problema para os suinocultores mato-grossense no primeiro trimestre de 2018. Isso por que os principais insumos estão cada vez mais valorizados. Na prática, entre o valor pago no mercado interno, em cerca de R$ R$ 2,53, e o mínimo necessário para pagar o custo de produção, R$ 3,30, há um déficit de R$ 0,77 por quilo vivo, o que em média representa perdas de R$ 70 a cada 100 quilos do animal comercializado.

O preço da saca de 60 kg milho que chegou a R$ 30 e do farelo de soja R$ 1.127 (tonelada), itens que representam 70% e 20% respectivamente na composição da ração. Conforme a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), as variações de alta têm sido registradas por várias semanas seguidas desde o início do ano.

“Para piorar, a Operação Carne Fraca (março de 2017) e o embargo à carne suína imposto pelo Rússia (novembro 2017) derrubaram os preços da proteína no mercado interno. Antes de ser deflagrada a operação Carne Fraca o preço médio do quilo do suíno estava em torno de R$ 4 e no final do ano, logo após as restrições da Rússia esse preço despencou chegou ao preço de R$ 2,55, se mantendo até março deste ano”, ressalta o diretor-executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues.

Para entender a crise a conta é simples. Com o alto custo de produção e baixo valor nas vendas as contas não fecham. “O suinocultor trabalha hoje com um prejuízo em média de R$ 70 por animal de 100 quilos vendido, levando em consideração o preço médio do mercado ante o mínimo necessário para empatar custo e receita. Muitos produtores só não abandonaram a atividade ainda graças à suspensão do preço de pauta e a diminuição do ICMS de 12% para 6%” explica Custódio.

Nos primeiros meses deste ano, em Mato Grosso, a tonelada do farelo de soja aumentou em torno de 12% e o preço do milho também registrou alta de aproximadamente 5%. A Acrismat tem buscado soluções, mesmo que paliativas, para aliviar o impacto desses insumos nos custos de produção. “Solicitamos ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) junto com a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), que o ministério aumente de 10 para 17 toneladas o limite de cada produtor para comprar nos estoques da Conab o milho de balcão. Uma forma de atender principalmente criadores de pequeno porte”, explica Custódio.

Já o motivo para as seguidas baixas no preço do quilo do suíno em Mato Grosso, segundo Custódio, esta na restrição à carne suína brasileira determinada pela Rússia e também ao baixo consumo interno da proteína, o que afeta negativamente seu valor no mercado.

“Os preços caíram também em função da Rússia, que fechou as portas e não importou nada este ano, resultando em uma queda de 30% nas exportações brasileiras. A quaresma tradicionalmente puxa os preços para baixo, pois já é de conhecimento nosso que o consumo diminui”, conclui o diretor executivo.