Cirurgião do aparelho digestivo explica quando o procedimento é indicado, os benefícios para a saúde e por que o cuidado deve continuar por toda a vida
Diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono e alterações do colesterol estão entre as condições que podem apresentar melhora após a cirurgia. Mesmo assim, o acompanhamento não termina com o procedimento e envolve mudanças na alimentação, atividade física e monitoramento ao longo dos anos.
No Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, o debate sobre tratamento também passa por reconhecer que a cirurgia bariátrica não é uma solução estética nem um recurso isolado. Fabio Yonamine, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital São Mateus, destaca que a indicação deve considerar o quadro clínico de cada paciente e fazer parte de um acompanhamento contínuo.
“A cirurgia é um tratamento reconhecido, seguro e eficaz quando bem indicada. O objetivo não é simplesmente fazer o paciente emagrecer, mas reduzir os riscos associados à obesidade, prevenir complicações e proporcionar mais saúde e qualidade de vida”, avalia.
A indicação leva em conta fatores como índice de massa corporal (IMC), presença de doenças associadas e histórico de tratamento. Em determinadas situações, pessoas com diabetes tipo 2, apneia do sono ou problemas cardiovasculares podem ter indicação mesmo em faixas menores de IMC, conforme os critérios médicos vigentes.
Benefícios vão além da balança
Além da melhora de condições relacionadas ao excesso de peso, muitos pacientes podem apresentar ganhos na mobilidade, nas dores articulares, na qualidade do sono e na autonomia para atividades do dia a dia.
Em alguns casos de diabetes tipo 2, a resposta ao tratamento permite reduzir ou até suspender medicamentos, sempre com orientação e acompanhamento médico.
“A obesidade afeta praticamente todo o organismo. Quando tratamos a doença, os benefícios não ficam restritos ao peso. Podemos observar melhora de diferentes condições e uma mudança importante na qualidade de vida”, pontua.
Por que o peso pode voltar?
Mesmo depois da operação, parte dos pacientes pode recuperar peso ao longo dos anos. Adaptações hormonais e metabólicas, mudanças nos hábitos alimentares, redução da atividade física e retomada de comportamentos anteriores estão entre os fatores que podem contribuir para esse processo.
Segundo o especialista, recuperar alguns quilos não significa necessariamente que o tratamento fracassou. Quando o aumento se torna progressivo e significativo, porém, é importante investigar as causas e avaliar novas estratégias. Medicamentos para obesidade também podem ser utilizados em alguns casos de recuperação de peso.
O acompanhamento deve continuar por outro motivo: dependendo da técnica empregada, pode haver redução na absorção de vitaminas e minerais. Alimentação adequada, ingestão de proteínas, hidratação, atividade física e monitoramento nutricional passam a fazer parte da rotina.
“A cirurgia é uma ferramenta importante, mas não representa a cura definitiva da obesidade. O tratamento precisa continuar para que os benefícios conquistados possam ser mantidos ao longo dos anos”, pondera.
Ele lembra ainda que não é necessário esperar o surgimento de diabetes, hipertensão ou outras complicações para procurar atendimento. Ganho progressivo de peso, aumento da circunferência abdominal, cansaço frequente, falta de ar aos pequenos esforços, roncos intensos e dores articulares estão entre os sinais que merecem avaliação.
“Buscar ajuda não é uma questão de estética ou falta de força de vontade. Quanto mais cedo começamos a tratar a obesidade, maiores são as oportunidades de prevenir doenças e preservar a qualidade de vida”, acrescenta Fabio Yonamine.





























