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DESDE 2010, DESAPARECEM POR DIA 27 FAZENDAS NA FRANÇA Evaristo de Miranda

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A agricultura francesa teme o Acordo de Livre Comércio com o Mercosul, apesar de toda blindagem e salvaguardas para protegê-la. Fiz estudos de agronomia na França, mestrado e doutorado. Conheço e acompanho a evolução do agro e dos agricultores franceses. O agro francês declina e perde competitividade, mesmo com os subsídios de Paris e Bruxelas.

A agricultura representa 1,7% do PIB da França. A importação de produtos agrícolas dobrou em 20 anos, apesar da narrativa da “soberania alimentar”. O país tem déficit crescente na balança agrícola com os vizinhos europeus e pode fechar 2025 no vermelho com o resto do mundo. Hoje, a exportação do Brasil à Tailândia ultrapassa seu comércio com a França.

Desde 2010, em média, 27 fazendas desaparecem por dia na França por falência, falta de sucessão etc. Entre 2020 e 2023, foram cerca de 40.000 fazendas. O país passou de mais de 1,5 milhão propriedades rurais em 1970 para 349.000 em 2025! O setor mais afetado é o da pecuária: metade das falências rurais.

O envelhecimento da população rural continua: 79% dos produtores têm mais de 50 anos. Em cada três aposentadorias, apenas duas têm sucessão. Previsão projetada para 2050: menos de 200.000 agricultores na França.

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Na agricultura, os custos trabalhistas na França são 1,7 vezes superiores aos da Espanha, 11 vezes superiores aos da Polônia e 70 vezes os do Marrocos. O custo da terra e dos insumos é elevado. A França importa cerca de 18 milhões de toneladas de adubos da Rússia, Marrocos, Argélia, EUA… Apesar da guerra na Ucrânia, em quatro anos, triplicou a compra da Rússia.

Há mais de meio século, a agricultura francesa evolui sob a influência da Política Agrícola Comum (PAC) da União Europeia. A França é a maior beneficiária da PAC, com alocação anual de 13 bilhões de euros, em ajudas e subsídios. Em média, 18.500 reais/mês por imóvel rural.

O Acordo poderia ajudar a posicionar Brasil e Europa na disputa entre EUA e China e reduzir a dependência da Ásia. Atrairia investimentos produtivos europeus, com impactos no desenvolvimento nacional. A Europa precisa ainda mais desse Acordo. Ela o negocia há 25 anos.

Com as mudanças no comércio internacional, o peso da China no mercado agrícola, as políticas tarifárias dos EUA, a guerra na Ucrânia, o esforço para financiar a defesa europeia, a crise energética, inflacionária e migratória no Velho Continente, o Acordo de Livre Comércio (ma non troppo com tantas salvaguardas) com o Mercosul é uma euronecessidade, bem superior à agropecuária à la française., Se aprovado com tantas restrições, cotas e salvaguardas aos produtos agrícolas do MERCOSUL, pouco servirá ao agro brasileiro.

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