O levantamento aponta impacto de R$ 2,7 bilhões no faturamento das empresas, além de R$ 116 milhões em impostos arrecadados e expansão de R$ 1,5 bilhão no PIB municipal.
A São Paulo Negócios, agência de promoção de investimentos e exportações da Prefeitura de São Paulo, realizou um estudo inédito para mapear o cenário da Inteligência Artificial na capital paulista, identificando tendências, desafios e oportunidades para consolidar São Paulo como o principal hub de IA da América Latina.
De acordo com o estudo “Avança Tech / Inteligência Artificial”, realizado com a participação de 52 representantes de empresas de tecnologia, consultorias, institutos de pesquisa e governos, o setor de IA movimentou R$ 1,7 bilhão na capital paulista em 2025. O levantamento aponta que esse volume de investimentos impactou diretamente na economia da cidade, com aumento de R$ 2,7 bilhões no faturamento das empresas, R$ 116 milhões na arrecadação de impostos e expansão de R$ 1,5 bilhão no PIB municipal. Entre os participantes da pesquisa, 44,2% representam scaleups, enquanto big techs e consultorias correspondem a 15,4% e 13,5%, respectivamente.
As áreas internas das empresas desenvolvedoras de IA da cidade que mais utilizam a tecnologia são marketing e vendas (14,5%), tecnologia da informação (13,6%) e administrativo-financeiro (12,1%). Apenas 1,4% dos respondentes reportaram que não utilizam. Dentre os entrevistados, 21,4% revelaram que têm parcerias com hubs de tecnologia e inovação, 18,8%, com startups e 18,2, com instituições de ensino e pesquisa.
O estudo classifica a cidade de São Paulo como “a capital da inovação” no Brasil, identificando 10 segmentos principais na área da tecnologia na capital paulista, que englobam cerca de 223 mil empresas, incluindo serviços referentes a dados e IA, integradores e consultorias que operam com soluções. Esse conglomerado representa 21% do total de firmas do setor no país. Quanto às startups, o município abriga mais de 2.700.
O mercado paulistano, segundo reportaram 46,2% dos respondentes do estudo, é concentrado nas big techs e nas startups experientes. Em segundo lugar, representando 28,8% das respostas, aparecem as instituições de ensino e pesquisa.
Outro dado relevante é que São Paulo foi o primeiro município brasileiro a receber as certificações para Cidades Inteligentes (ISO 37.122), Resilientes (ISO 37.123) e Sustentáveis (ISO 37.120). “Não é sem razão que a capital paulista, em 2025, tenha se destacado na 49ª posição do ranking mundial de clusters de inovação, conforme aponta a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI)”, ressalta Alessandra Andrade, presidente da São Paulo Negócios.
Nos últimos quatro anos, a cidade foi responsável por 684 patentes internacionais, 24.349 artigos científicos e 1.587 negócios de capital de risco, respondendo por 1,02% de toda a inovação produzida no mundo. Também figura no 44º lugar dentre os centros urbanos globais com maior desenvolvimento de IA, segundo a Academia Brasileira de Ciências. “É o único município do País integrante desse ranking”, enfatiza a presidente.
Dentre os respondentes do estudo, 32,6% afirmaram que o mercado de IA na capital paulista está mais avançado do que em todas as demais regiões brasileiras e da América Latina. Para 23,9%, a cidade encontra-se na fronteira do conhecimento e do setor. No conjunto das empresas que comercializam soluções, serviços e produtos à base de IA, destacam-se as que desenvolvem atividades de software (16,4%), TI (15,2%) e consultoria em TI (11,5%).
Agentes de IA e machine learning são as soluções de IA mais demandadas (16%). Os setores que mais utilizam esses serviços em São Paulo são os de bancos, sistema financeiro e seguros (17%), indústria (16%) e saúde (13%). Os respondentes do estudo também indicaram que a tecnologia da informação (13%) é a área das empresas privadas que mais adquire soluções de IA, seguida de administrativo-financeiro e marketing (11%).
Outro dado relevante é que a cidade é a segunda da América Latina, atrás apenas da capital mexicana, e a 21ª no mundo em número de profissionais de tecnologia. Dentre as principais especializações estão o desenvolvimento de software, ciência de dados, IA e infraestrutura em nuvem. Na opinião de 45,7% dos entrevistados, São Paulo está formando profissionais para o mercado externo.
Legislação e programas de estímulo
São Paulo tem um arcabouço legal favorável ao fomento da tecnologia, como a Política, o Sistema e o Fundo Municipal de Inclusão Digital (Lei 14.668/08). Mais recentemente, as leis 17.719/21 e 17.875/22 reduziram de 5% para 2% a alíquota do ISS para serviços desenvolvidos por plataformas digitais que atuam nas áreas de aluguéis, transportes de passageiros, entregas, compra e venda de mercadorias, administração de imóveis e atividades de audiovisual, monitoramento e rastreamento a distância de veículos, cargas e pessoas.
O Programa Sampa Sandbox e o Distrito de Inovação consolidam duas frentes complementares da estratégia de São Paulo para acelerar a inovação e a adoção de tecnologias como a IA. O primeiro, criado pela Lei Municipal 17.879/2022, estrutura-se como um ambiente regulatório experimental que permite a empresas e startups testarem modelos de negócio inovadores sob supervisão do poder público. Na prática, flexibiliza normas e procedimentos por tempo determinado, criando condições reais de mercado para validação de soluções ainda não plenamente enquadradas na legislação vigente.
O intuito do Sandbox é reduzir barreiras burocráticas, incentivar o desenvolvimento tecnológico e acelerar a entrada de inovações no mercado. O modelo também permite ao município acompanhar, em tempo real, os impactos dessas soluções, contribuindo para o aperfeiçoamento regulatório. O estudo da São Paulo Negócios destaca que o programa tem papel estratégico na atração de empresas inovadoras e na consolidação da cidade como um ambiente aberto à experimentação, especialmente em áreas como mobilidade, serviços digitais e IA.
O Distrito de Inovação de São Paulo, instituído em 2024, é um projeto estruturante voltado à concentração e integração de atores do ecossistema de inovação. Reúne, no mesmo território, empresas de base tecnológica, centros de pesquisa, universidades, investidores e startups, criando um ambiente propício à colaboração e ao desenvolvimento de soluções de alto valor agregado.
“O Distrito tem como finalidade ampliar a competitividade da cidade, estimular a geração de conhecimento e fortalecer setores estratégicos da economia digital”, explica Alessandra Andrade. A proposta também está alinhada a experiências internacionais bem-sucedidas, nas quais a proximidade física entre diferentes agentes favorece a inovação, acelera ciclos de desenvolvimento tecnológico e potencializa a atração de investimentos.
Sobre a São Paulo Negócios
A São Paulo Negócios é a agência oficial de promoção de investimentos e exportações da cidade de São Paulo, vinculada ao governo municipal, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET). Sua missão é apoiar empresas e facilitar projetos que gerem empregos, renda e crescimento econômico sustentável, fortalecendo o ambiente de negócios da cidade.
Com atendimento técnico e forte foco em resultados, a São Paulo Negócios atua para posicionar São Paulo como um polo global de negócios, inovação e desenvolvimento sustentável. Ao fomentar parcerias estratégicas e promover uma agenda econômica inclusiva, a agência contribui para tornar a cidade mais competitiva e atrativa para investidores de todo o mundo.
Atendimento à imprensa – Ricardo Viveiros ﹠ Associados — RV&A
Camila Manchini



































