MUDANÇA NO CENTRO HISTÓRICO?
Estado vai retirar entulhos, concluir demolições e nivelar terreno; área de 5,9 mil m² não integra mais projeto do BRT
Da Reportagem
Após cerca de uma década marcada por desapropriações, demolições incompletas e abandono, o Largo do Rosário, no Centro Histórico de Cuiabá, começa a passar por uma nova intervenção.
Desta vez, Estado e Prefeitura prometem preparar a área, de aproximadamente 5,9 mil metros quadrados, para uma revitalização definitiva.
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) emitiu ordem de serviço para limpeza, retirada de entulhos, demolição das estruturas remanescentes e nivelamento do terreno localizado entre as avenidas Tenente-Coronel Duarte, a Prainha, e Coronel Escolástico.
Os trabalhos começaram nesta semana e foram acompanhados pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e pelo prefeito Abilio Brunini (PL).
A intervenção, entretanto, ainda não corresponde à revitalização propriamente dita.
O projeto que definirá a futura ocupação do Largo do Rosário permanece em elaboração.
A atual etapa tem a finalidade de deixar o terreno livre e preparado para receber posteriormente as novas estruturas.
Outra mudança é que a recuperação do espaço deixou de estar vinculada ao projeto do BRT.
A área, que anteriormente estava relacionada às intervenções previstas para o sistema de transporte coletivo, será tratada agora como um projeto específico de recuperação urbana.
R$ 731 MIL E 60 DIAS – A limpeza, as demolições e o nivelamento foram contratados por R$ 731 mil.
Os serviços são executados pela Abit Construções e têm prazo de 60 dias, conforme a ordem emitida pela Sinfra.
Uma das etapas é concluir a retirada dos imóveis que permanecem no local.
As primeiras demolições começaram oficialmente em junho de 2017.
Na época, estavam previstas intervenções em 15 casas.
Quase uma década depois, porém, três imóveis ainda permanecem na área em meio a processos de desapropriação.
Em um dos casos, já existe acordo e a desocupação deve ocorrer em breve.
Outro imóvel, com aproximadamente 570 metros quadrados, depende da liberação de valores definidos judicialmente para que a desapropriação seja concluída.
Há ainda moradores na área, e um dos processos permanece sem indenização concluída.
A permanência desses imóveis é um dos obstáculos que impediram até agora a liberação completa do terreno.
“Depois de mais de 10 anos esperando uma solução, esse lugar vai ganhar vida, convivência e um espaço para os cuiabanos”, afirmou Pivetta durante a visita.
DÉCADA DE ESPERA – Localizado em uma das regiões mais antigas da Capital, o terreno acabou se tornando um dos pontos de degradação do Centro Histórico depois das desapropriações iniciadas para os projetos de mobilidade urbana.
A expectativa anunciada pelo Estado e pelo Município é romper esse ciclo e devolver a área à utilização pública.
A Prefeitura afirma que a retirada das estruturas remanescentes representa uma nova etapa para o Largo do Rosário e que a atuação conjunta com o Governo do Estado deverá permitir a recuperação do espaço.
Por enquanto, porém, não foram apresentados o desenho definitivo da revitalização, o valor necessário para executar o futuro projeto nem o prazo para entrega do novo espaço à população.
A Sinfra informa que o projeto específico ainda está sendo elaborado.
Assim, o prazo de 60 dias anunciado pelo governo refere-se à atual etapa de limpeza, demolição e nivelamento, e não à conclusão da revitalização.
FORA DO PROJETO DO BRT – A mudança de estratégia também separa definitivamente o Largo do Rosário das intervenções do BRT.
Originalmente, a recuperação da área estava relacionada às obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
Com o abandono daquele modal e sua substituição pelo BRT, o espaço permaneceu associado às intervenções de mobilidade previstas para a região.
Atualmente, apenas um dos dois ramais planejados para o BRT está em obras.
O corredor parte das proximidades do Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, passa pela região da Prainha e segue até as proximidades do Comando-Geral da Polícia Militar, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, a Avenida do CPA.
O segundo ramal, que começa justamente nas proximidades do Largo do Rosário e seguiria pela Avenida Fernando Corrêa da Costa até a região do trevo de acesso ao Parque Cuiabá, ainda depende de licitação e não tem previsão para o início das obras.
Segundo a Sinfra, a área conhecida como Ilha da Banana, onde está o Largo do Rosário, não integra mais a proposta de implantação do BRT.
Com isso, a destinação do terreno deixa de depender do avanço desse segundo corredor e passa a ser discutida como intervenção urbana independente.
A limpeza iniciada agora elimina parte dos obstáculos físicos acumulados ao longo dos últimos anos.
A solução definitiva, entretanto, ainda dependerá da conclusão das desapropriações e, principalmente, da apresentação e execução do novo projeto de revitalização.






























