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Manutenção da Selic em 15% pode impulsionar novos pedidos de recuperação judicial em 2026, aponta especialista mato-grossense

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Beatriz

Desde o início do ciclo de alta dos juros, em setembro de 2024, número de empresas sob RJ já cresceu quase 20%

 

Na última quarta-feira, 28/01, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano. Segundo dados do monitor RGF, desde setembro de 2024, início do ciclo de alta de juros, até o fim de 2025, o número de empresas em recuperação judicial no Brasil cresceu cerca de 20%. Assim, a quantidade de empresas em dificuldade financeira passou de 4.408 para 5.285 em um ano.
Luiz Alexandre Cristaldo, economista mato-grossense, administrador judicial e sócio da consultoria empresarial Zapaz, explica que o aumento dos juros tem impacto direto na vida dos cidadãos e, consequentemente, das empresas. Nesse cenário, o instrumento da recuperação judicial acaba sendo uma das poucas medidas ainda disponíveis para utilização.
“Quando os juros altos se mantêm, o custo do dinheiro explode ainda mais. Isso afeta diretamente a capacidade das empresas de sobreviver, especialmente as mais endividadas. Com o aumento do custo da dívida, a queda no consumo e crédito caro, o caixa aperta, o capital de giro some e a situação das companhias fica ainda mais complexa”, analisa Cristaldo. “Manter juros altos torna as negociações mais duras. Levando em consideração Instituições Financeiras figurando como credores, são exigidos mais garantias, menos deságio, ficam menos dispostos a alongar prazos ou aceitar perdas, porque têm alternativas de retorno elevado fora da recuperação judicial”, acrescenta.
O especialista ainda esclarece que a diminuição da taxa básica de juros pode ajudar a reduzir a pressão financeira, mas é apenas um tímido começo. “O efeito tende a ser parcial e gradual. Dois pontos importantes: Contratos de dívida não são renegociados automaticamente. Além disso, o impacto no caixa leva de 6 a 12 meses para aparecer, o que dificulta ainda mais uma possível retomada”, pontua o economista.
“Diante desse ambiente mais restritivo, é necessário que empresas em situação de crise financeira adotem uma postura preventiva, com foco em planejamento, transparência e tomada de decisão antecipada. A revisão da estratégia de negócios, a priorização de compromissos essenciais e a busca por assessoria especializada passam a ser fundamentais para evitar medidas emergenciais tomadas sob pressão, que tendem a comprometer ainda mais a sustentabilidade da operação no médio prazo”, finaliza Cristaldo.

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