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Profissionais mais qualificados impulsionam criação de startups em Mato Grosso

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INOVAÇÃO
Pesquisa mostra que metade dos fundadores possui pós-graduação, mestrado ou doutorado; agronegócio segue como principal motor do ecossistema de inovação no estado.
Profissionais com elevado nível de escolaridade estão cada vez mais migrando para o empreendedorismo e apostando na criação de startups em Mato Grosso. A pesquisa revela que metade dos fundadores dessas empresas possui pós-graduação, mestrado ou doutorado, demonstrando que os negócios inovadores no estado têm sido liderados por empreendedores altamente qualificados. Além da formação acadêmica, a experiência prática também é significativa: 60,1% dos empreendedores já tiveram alguma vivência empresarial anterior e, desse grupo, 45,8% atuaram em segmentos semelhantes aos de suas startups.
Os dados são da pesquisa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT).
De acordo com o gerente de Inovação do Sebrae/MT, Leandro Gonçalves, o levantamento indica um movimento muito positivo para Mato Grosso. “Estamos com profissionais cada vez mais qualificados transformando conhecimento em negócios inovadores. Mas, mais importante do que a formação dos empreendedores, é entender que nossas startups estão nascendo para resolver problemas reais por meio da construção de soluções conectadas às necessidades da nossa economia e das nossas regiões. Por isso, é fundamental compreender o perfil dessas startups para que possamos desenvolver programas, investimentos e ações mais aderentes à nossa realidade”.
A robustez da economia de Mato Grosso, consolidada pela liderança nacional no agronegócio, tem funcionado como o principal motor para a criação de startups voltadas a solucionar gargalos reais do estado. Esse movimento de inovação, contudo, vai além do campo e alcança setores como educação e serviços locais. O cenário se reflete no perfil dessas companhias: quase 70% concentram seus principais compradores dentro do próprio território mato-grossense.
O gestor estadual de startups do Sebrae/MT, Felipe Cruz, ressalta que as startups atuam como pontes que conectam o agro às transformações que estão moldando o futuro do setor, como inteligência artificial, automação, análise de dados, drones e outras tecnologias que aumentam a eficiência, a produtividade e a competitividade dos negócios rurais.
Segundo ele, mais do que oferecer soluções, as startups ajudam a criar uma cultura de inovação no campo, além de atrair novos talentos. “Isso porque o agronegócio vive desafios relacionados à sucessão familiar e à permanência dos jovens no setor. Dessa maneira, esse ecossistema contribui para mudar o quadro ao aproximar as novas gerações por meio da tecnologia, do empreendedorismo e de novas oportunidades de carreira”, diz Felipe Cruz.
O levantamento detalha que o ecossistema ainda se encontra em um estágio bastante jovem. A maior parte das startups está nas fases de ideação (47,6%), validação (27%) e tração (19,1%), enquanto apenas 1,2% atingiram o nível de escala. Entre os modelos de negócio preferidos, destacam-se as relações corporativas, lideradas pelo formato B2B (transações entre empresas), com 35,2%, seguido pelo B2C (venda direta ao consumidor final), com 29,1%.
Outro aspecto evidenciado pela pesquisa é que a qualificação dos empreendedores tem contribuído para a consolidação de um ambiente cada vez mais preparado para desenvolver soluções inovadoras. A combinação entre conhecimento técnico e experiência de mercado fortalece a capacidade das startups de identificar oportunidades, criar produtos e buscar diferenciais competitivos.
A pesquisa também aponta a interiorização gradual das companhias tecnológicas, provando que a inovação rompeu as barreiras da Baixada Cuiabana. Embora a capital, Cuiabá, lidere o ranking com 31,8% das startups, Cáceres desponta como a segunda maior força, reunindo 15,8% desses negócios. A lista dos dez principais polos do estado inclui ainda Sinop (9,7%), Barra do Garças (7,5%), Rondonópolis (5,5%), Juína (3,8%) e Tangará da Serra (3,8%). Esse espalhamento geográfico ganha musculatura com o fato de que 62,5% das startups locais afirmam atuar em mais de um município.
A decisão de empreender no segmento de startups em Mato Grosso é movida por diferentes fatores. Os empresários buscam capturar oportunidades de mercado, conquistar autonomia, promover inovação e resolver problemas cotidianos do ambiente de negócios. Todavia, tirar a ideia do papel impõe barreiras severas na fase inicial. Para 72,5% dos respondentes, a falta de recursos financeiros próprios é o principal obstáculo nessa etapa, seguida pela burocracia e pelo peso do Custo Brasil (46,2%), além das dificuldades técnicas para transformar uma ideia em um produto viável de mercado (37,5%).
Uma vez ativas no mercado, as startups migram de desafio e passam a lutar pela sustentabilidade dos negócios. A falta de capital de giro lidera as dores operacionais e afeta 37,5% dos empreendimentos, seguida de perto pelo acesso restrito a linhas de crédito (33,8%) e pela falta de consumidores (28,7%). Metade das startups mapeadas (47,5%) ainda não registra faturamento, o que acentua os gargalos crônicos em torno da monetização, da escala e da integração com redes de capital.
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