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Quando o nervo fala antes da pele: a ultrassonografia no diagnóstico precoce da hanseníase; Adriana Costa

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Sandra Carvalho
Quando se fala em hanseníase, muitas pessoas ainda associam a doença apenas ao aparecimento de manchas na pele. Embora essa seja uma das manifestações mais conhecidas, a doença pode afetar diretamente os nervos periféricos, causando alterações que, sem diagnóstico e tratamento adequados, podem resultar em sequelas permanentes.

Em Mato Grosso, estado que permanece entre os que registram os maiores índices da doença no país, ampliar o conhecimento sobre os sinais de alerta é fundamental para a prevenção de incapacidades.

A hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e tem predileção pelos nervos periféricos. Por isso, além das alterações cutâneas, o paciente pode apresentar sintomas neurológicos que muitas vezes passam despercebidos ou são confundidos com outras condições.

Dormência, formigamento, sensação de choque, perda de força muscular, alterações na sensibilidade das mãos e dos pés e dores ao longo do trajeto dos nervos estão entre os principais sinais de alerta.

Nesse contexto, a ultrassonografia de nervos periféricos (neuro-USG) tem se consolidado como uma importante ferramenta de apoio ao diagnóstico. O exame permite identificar alterações estruturais dos nervos, especialmente nas formas neurais da hanseníase ou nos casos em que as manifestações na pele são discretas ou inexistentes.

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Trata-se de um método não invasivo e indolor, capaz de detectar espessamento neural, alterações inflamatórias, aumento da vascularização e outras características relacionadas ao comprometimento dos nervos. Em muitos casos, essas alterações podem ser observadas antes do surgimento de déficits motores ou sensitivos mais significativos.

Além de auxiliar no diagnóstico, o ultrassom também pode ser utilizado para acompanhar a evolução da doença, monitorar a resposta ao tratamento e identificar neurites, inflamações que exigem atenção para evitar danos permanentes.

É importante destacar que o exame não substitui a avaliação médica nem outros métodos diagnósticos, mas se tornou um aliado valioso na análise do comprometimento neural e no acompanhamento dos pacientes.

Quanto mais cedo a hanseníase for identificada, maiores são as chances de evitar sequelas físicas e preservar a qualidade de vida. Por isso, sintomas como dormência, formigamento, perda de força ou alterações persistentes da sensibilidade devem ser investigados por um profissional de saúde.

A informação continua sendo uma das principais ferramentas no combate à hanseníase. E, cada vez mais, a tecnologia diagnóstica contribui para que a doença seja reconhecida precocemente, tratada adequadamente e acompanhada de forma mais precisa.

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Porque cuidar da hanseníase não é olhar apenas para a pele. É também proteger os nervos e preservar a qualidade de vida.

Dra. Adriana Costa é médica radiologista no Idapi Cuiabá.

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