A facilidade de acesso a conteúdos médicos pode ser aliada da saúde mental, mas também pode gerar confusão e agravar sintomas
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Em um país no qual mais de um quarto da população adulta já recebeu diagnóstico médico de ansiedade, a busca por respostas imediatas sobre a saúde tornou-se uma prática cada vez mais comum. Segundo estudo realizado pela Covitel, de 2023, 26,8% dos brasileiros relataram ter sido diagnosticados com ansiedade. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o número é ainda maior: 31,6%. Essa realidade reflete como o fácil acesso à informação médica online pode influenciar, positiva ou negativamente, a forma como lidamos com a nossa saúde.
O que é ansiedade?
De acordo com o médico Dr. Drauzio Varella, a ansiedade é uma resposta natural do corpo que nos ajuda a antecipar perigos e a ficar mais alerta. “O problema surge quando os sintomas se tornam frequentes e difíceis de controlar. Quando a pessoa não consegue mais se concentrar para estudar, trabalhar ou até sair com os amigos, a preocupação pode ser tão grande que ela deixa de viver o momento presente. Isso pode evoluir para um transtorno de ansiedade, uma condição duradoura que gera reações desproporcionais diante de determinadas situações”, explica o médico.
Entre os sintomas mais comuns, estão preocupação constante, dificuldade para relaxar, alterações no sono, cansaço excessivo e sensação contínua de que algo ruim pode acontecer. E esses sinais podem atingir qualquer pessoa, em qualquer idade.
A internet como gatilho
A busca por diagnósticos online é, muitas vezes, uma tentativa de aliviar a ansiedade gerada por sintomas físicos ou emocionais. A internet oferece uma vasta gama de informações sobre saúde, desde artigos científicos até experiências pessoais compartilhadas em blogs e redes sociais.
Essa abundância de dados pode ser útil para quem busca se informar, mas também pode se transformar em uma armadilha. Por um lado, permite que as pessoas conheçam melhor o próprio corpo e estejam mais conscientes sobre bem-estar. Por outro, pode levar a interpretações equivocadas, aumentar a ansiedade e estimular o autodiagnóstico sem orientação adequada.
O papel das redes sociais
Plataformas digitais e redes sociais têm intensificado esse comportamento ao oferecerem ferramentas de autoavaliação de sintomas e conteúdos sobre a saúde. Muitos relatos de experiências pessoais também influenciam a preocupação de sintomas, gerando identificação, mas também confusão.
Estudos mostram que a exposição frequente a informações sobre doenças nas redes sociais pode levar ao chamado “viés de disponibilidade”, em que indivíduos superestimam a probabilidade de ter uma condição com base na facilidade com que exemplos vêm à mente. Isso resulta em autodiagnósticos incorretos e preocupações desnecessárias.
Quando a busca por informação se torna prejudicial
Ainda que pesquisas na internet sobre sintomas sejam algo comum, é preciso ficar atento ao momento em que essa prática começa a causar mais ansiedade do que alívio. Em alguns casos, esse padrão pode estar relacionado à hipocondria, uma condição que envolve preocupação persistente com a possibilidade de estar doente, mesmo sem sinais clínicos claros.
Pessoas com hipocondria frequentemente interpretam sensações corporais como sinais de doenças graves, o que pode levar a um ciclo de ansiedade e busca constante por diagnóstico.
A hipocondria, também conhecida como transtorno de ansiedade por doenças, pode interferir significativamente na qualidade de vida, levando a frequentes consultas médicas, exames desnecessários e estresse contínuo. O tratamento geralmente envolve terapia cognitivo-comportamental e, em alguns casos, medicação para controlar a ansiedade subjacente.
Informação com equilíbrio
É possível e saudável buscar conhecimento sobre saúde – o importante é equilibrar a curiosidade com responsabilidade emocional. Priorize fontes confiáveis, buscando informações em sites de instituições reconhecidas, como o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde.
Evite conclusões precipitadas, pois muitos sintomas são inespecíficos e podem estar ligados a diferentes causas. Só um profissional pode dar um diagnóstico preciso. Busque ajuda com um psicólogo ou psiquiatra se a preocupação com a saúde estiver afetando a rotina.
A informação pode ser uma aliada, desde que usada com cuidado e senso crítico. Afinal, a saúde mental também exige acolhimento, escuta e orientação adequada.





























