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A nova infraestrutura da indústria sustentável; Por Ricieri Perozzi

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A agenda ESG (Environmental, Social, and Governance) se tornou indispensável em todos os setores, visando avaliar a sustentabilidade, o impacto social e a ética de um negócio, e não seria diferente no setor industrial. Segundo dados de 2025 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 90% indústrias já realizam ações de redução de resíduos e 84% otimizam o consumo energético, mostrando que essas práticas são consolidadas desde a base da cadeia produtiva.
Para atores na cadeia produtiva industrial, especialmente no segmento de cabos, conectores e soluções de conectividade, as medidas passam a ser incorporadas nas escolhas técnicas, nos materiais utilizados e nos processos que movem a operação todos os dias. A sustentabilidade começa na matéria-prima e nós, como fabricantes e distribuidores de infraestrutura de conectividade, temos uma responsabilidade direta sobre essa cadeia.
Tomemos como exemplo a eletrificação renovável. Quando uma planta industrial instala painéis solares para reduzir sua dependência da rede elétrica convencional, os cabos que transportam essa energia precisam ser compatíveis com essa filosofia. Não faz sentido construir uma operação sustentável sobre uma infraestrutura que ignora critérios ambientais. Os cabos fotovoltaicos que fornecemos precisam ser duráveis, eficientes e produzidos com o menor impacto possível.
Na mesma linha, a reutilização de materiais e a economia circular precisam ser critérios importantes nessa cadeia de desenvolvimento. Hoje, empresas do nosso segmento já trabalham com programas de logística reversa para recolhimento de conectores e cabos ao fim de sua vida útil, garantindo que cobre, alumínio e polímeros retornem ao ciclo produtivo em vez de alimentar aterros. É uma mudança de mentalidade que exige investimento, logística e comprometimento.
Outro ponto importante a se levar em conta é a eliminação de substâncias nocivas conforme estabelecidos na diretriz REACH/RoHS do parlamento Europeu e um dos requisitos do mercado eletro-eletrônico. O chumbo persiste no ambiente por décadas. Quando substituímos ligas tradicionais por alternativas livres de metais pesados em nossos conectores e terminais, estamos protegendo trabalhadores, comunidades e ecossistemas.
A questão, portanto, é se o setor industrial está disposto a adotar os critérios ESG com profundidade, abordando especificações técnicas desde os contratos de fornecimento até as rotinas nas operações. Trata-se de uma decisão sobre o tipo de infraestrutura e de indústria que queremos construir, uma operação pensada apenas para o curto prazo ou uma estrutura mais eficiente, resiliente e alinhada às demandas ambientais e produtivas do futuro. É nesse momento que a agenda deixa de ser discurso e passa a gerar ganhos concretos de eficiência, reputação, segurança e competitividade.
*Ricieri Perozzi é Coordenador de Operações da Lapp Brasil.

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