Carta Julina de despedida…
Não foi por maldade que o campo-grandense amaldiçoou o último trem de manganês cruzando seu velho metrô urbano, congestionando suas ruas e avenidas;
Não foi por maldade que mudaram o corredor bioceânico para afogar cidadezinha nos seus próprios dejetos;
Não foi por maldade que a conexão ferroviária da Red Oriental com a Red Andina deixa de conectar os Oceanos Atlântico e Pacífico;
Não é por maldade que nos sentamos e choramos às margens do maior entrocamento flúvio aéreo rodo ferroviário do mundo, lamentando seu abandono;
Não é por maldade que assistimos uma barragem literal, esfaqueando e seccionando nossa aorta com o Pantanal, dividindo-a em Tramo Norte e Tramo Sul;
Não é por maldade que deixamos de compartilhar e nos indignarmos com o destino desta estrela caída no centro da América do Sul…
Se não houver volta, revolta nem reviravolta, entoemos lendas e canções num novo porto abandonado, mergulhado no fluxo e refluxo do perpétuo esquecimento.
Armando Arruda Lacerda




























