O Urus Brazilian Steakhouse, inaugurado há três anos no sofisticado Jardim Europa, em São Paulo, funciona como manifesto culinário
Ana Barros
Divulgação
Jean Clini e Acilene Clini
Poucos sabem, mas uma das raças bovinas mais antigas do Brasil, o Caracu, tem reaparecido nos cardápios de alta gastronomia graças a um projeto com raízes em Mato Grosso. À frente dessa missão estão os empresários Jean e Acilene Clini, que fundaram em São Paulo o Urus Brazilian Steakhouse, já reconhecido pela revista Forbes entre os melhores restaurantes de São Paulo.
A revista Forbes é uma das mais conceituadas do mundo, focando em negócios, finanças, tecnologia e liderança, como exemplo de resgate cultural e culinário.
Criada no Brasil desde 1534, quando foi trazida da Ilha da Madeira e de Cabo Verde, a raça Caracu resistiu ao tempo, adaptou-se ao clima tropical e sobreviveu às condições adversas do país. Apesar disso, caiu no esquecimento, restrita a pequenos criadores e especialistas em melhoramento genético. Hoje, ela volta ao centro das atenções pelas mãos do casal cuiabano Jean e Acilene Clini.
A ideia nasceu em Cuiabá, onde o casal testou o conceito antes de levá-lo para São Paulo. Para viabilizar o fornecimento da carne, eles firmaram parceria com produtores locais, desenvolvendo um programa de melhoramento genético.
A Forbes destacou o projeto como um dos mais originais da gastronomia brasileira, apontando que a carne de Caracu representa menos da metade do que é servido na casa, mas simboliza um gesto de identidade e resistência cultural em um mercado dominado por raças estrangeiras.
O Urus Brazilian Steakhouse, inaugurado há três anos no sofisticado Jardim Europa, em São Paulo, funciona como manifesto culinário. Embora a base do cardápio esteja no Angus, é a presença limitada e simbólica do Caracu que diferencia a casa. “É uma carne mais escura, com sabor acentuado, rica em ferro-heme e que carrega nossa ancestralidade”, explica Jean.
Além do pioneirismo gastronômico, a marca Urus já prepara a expansão internacional. O registro nos Estados Unidos foi aprovado em 2024 e os planos incluem abrir unidades em Miami, Londres e Dubai, com investimento estimado em US$ 30 milhões. Mesmo mirando o mundo, Jean e Acilene garantem que a essência do projeto seguirá ligada ao resgate do patrimônio gastronômico brasileiro. “Queremos mostrar não só a carne, mas também a hospitalidade do Brasil ao mundo”, resume Acilene.































