A produção cultural, a cosmologia e o audiovisual de Mato Grosso ganham as telas e galerias de São Paulo a partir do dia 30 de maio, na 3ª Mostra Etnomídia Indígena. O evento, que acontece na Galeria Carmo Johnson até o dia 20 de junho, adota o formato de feira-festival sob o tema “Festival de Impressos Indígenas”, consolidando-se como um espaço vital para a memória, criatividade e resiliência dos povos originários.
O estado de Mato Grosso marca forte presença nesta edição, sendo representado tanto na linha de frente das produções artísticas quanto na própria concepção estrutural e arquitetônica do evento.
A força de Mato Grosso na Mostra
Entre os grandes destaques do festival está o Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky, formado por jovens realizadores de Mato Grosso. O grupo carrega no nome a síntese de sua missão: Ijã (história/caminho) e Mytyli (novo). Para os integrantes, o cinema é uma ferramenta política e cultural para narrar trajetórias ancestrais sob uma perspectiva jovem, guiada pela premissa de que toda história atravessa um caminho que deve ser percorrido com atenção para que ninguém se perca.
Além do audiovisual, a própria organização espacial da mostra foi inspirada no território mato-grossense. O estudo expográfico, assinado por Libério Uiagumeareu (do Povo Boe Bororo, de MT), ao lado de Naine Terena e Gustavo Caboco, analisou a planta da Galeria Carmo Johnson para replicar a complexa organização social e geográfica de uma aldeia Boe Bororo.
Essa tradução física da cosmologia indígena no espaço da galeria foi denominada por Libério como ‘PA MUGA’.
“Conhecendo cada artista, depois a obra e a mensagem da peça, nós trabalhamos essa aldeia e esse espaço. Denominamos Ce Muga e Pa Muga. Ce Muga seria o nosso espaço de exposição interno, o nosso espaço indígena; e Pa Muga seria o nosso espaço como um todo, esse diálogo do não indígena com o indígena, o nosso espaço macro”.
Diálogo entre arte, corpo e território
Atuando como uma feira-exposição, a mostra reúne a materialidade da cultura indígena manifestada na literatura, na moda, em impressos e nas artes visuais. A coordenação geral é da pesquisadora e ativista Naine Terena, que explica que esta terceira edição “brinca” com a ideia de exposições de arte em diálogo com feiras independentes de impressos. Enquanto as edições anteriores focaram no audiovisual e no ambiente virtual, a atual investiga a tangibilidade da escrita e da impressão.
Para o curador do festival, Gustavo Caboco, o conceito de “impresso” é deslocado da definição técnica ocidental para ganhar uma dimensão territorial e corpórea:
“No mundo das artes, ‘impresso’ se relaciona às técnicas de gravura. Mas, num festival de impressos indígenas, a materialidade se une à memória e o sentido da palavra ganha múltiplos significados. As obras apresentadas são impressões dos corpos e dos territórios de povos como os Guarani Ñandeva, Boe, Patamona, Manoki, Myky, Wapixana e Terena.”
Outros participantes confirmados
Além da forte delegação e influência de Mato Grosso, a mostra reúne talentos de diversas regiões do país:
- Coletivo REMBYAPÓ (ES): formado por Ara Guarani, Sônia Guarani e Claudiomiro Guarani, o grupo apresenta pinturas e objetos instalativos que referenciam a cultura e o cotidiano de seu povo.
- Edson Benites (Gerpa Filho) & Miguela Moura (MS): o letrista profissional, com quatro décadas de atuação em pintura manual, une-se à artista para produzir o grande painel ‘Jegua marangatu – grafismo sagrado’.
- Isaías Miliano: artista plástico das etnias Macuxi e Patamona.
Serviço
- Evento: 3ª Mostra Etnomídia Indígena – Festival de Impressos Indígenas – https://oraculocomunica.com.br/etnomidia26/
- Abertura: 30 de maio, das 14h às 17h
- Período da exposição: 30 de maio a 20 de junho
- Local: Galeria Carmo Johnson, São Paulo – SP
- Realização: Oraculo Comunicação, com patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras.





























