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Bariátrica e canetas emagrecedoras: o que mudou na luta contra a obesidade

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Cirurgião destaca cuidados essenciais para controlar o excesso de peso
O Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, chama atenção para uma realidade crescente no Brasil: cerca de 25% dos adultos vivem com excesso de peso considerado obesidade, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE. Quando incluídos os casos de sobrepeso, mais de 60% da população adulta do país apresenta excesso de peso, alerta o Atlas Mundial da Obesidade 2024.
Com o avanço dos novos medicamentos, como os análogos do GLP-1 — popularmente chamados de “canetas emagrecedoras” —, muitos pacientes têm adiado a cirurgia bariátrica, especialmente aqueles com obesidade grau 1. “Posso afirmar que a chegada dessas medicações reduziu a procura pela bariátrica, principalmente em pacientes com obesidade leve, mas ainda não substitui a necessidade do procedimento em casos mais graves”, explica o cirurgião do aparelho digestivo do Hospital São Mateus, Alexsandro Batista.
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, associada a diversas comorbidades, como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, doenças cardiovasculares e gordura no fígado. Segundo o médico, “pacientes com indicação para cirurgia devem discutir com seu médico de confiança qual a melhor opção de tratamento, pois cada caso é único”.
Bariátrica segue como opção definitiva
Apesar da eficácia das medicações, a bariátrica continua sendo o tratamento mais definitivo para pacientes com excesso de peso associado a doenças graves. Ela é vista como uma ponte para uma vida mais saudável, mas não substitui mudanças de estilo de vida: alimentação adequada, atividade física regular e acompanhamento multidisciplinar continuam fundamentais. “Não é porque o paciente passou pelo procedimento que está dispensado de cuidar da saúde; a cirurgia é apenas parte do caminho”, ressalta o especialista.
O tratamento também traz benefícios metabólicos importantes. A cirurgia melhora o controle glicêmico, ajuda no diabetes e, a cada 10 kg de peso perdidos, pode reduzir até 15 mmHg na pressão arterial. Mesmo assim, há risco de reganho de peso, tornando essencial o acompanhamento contínuo.
Nos últimos anos, as regras para indicação da cirurgia foram ampliadas. Hoje, pacientes a partir de 16 anos com excesso de peso leve (IMC ≥ 30) e doenças graves como diabetes tipo 2, problemas cardíacos, apneia do sono grave ou gordura no fígado com fibrose já podem ser considerados para o procedimento. Antes, a cirurgia só era indicada para quem tinha IMC igual ou superior a 35.
Entre os mitos ainda comuns, Alexsandro Batista destaca que a bariátrica não é o caminho mais fácil para emagrecer. “Trata-se de uma intervenção comprovadamente eficaz para reduzir peso, melhorar doenças associadas e qualidade de vida, mas exige comprometimento do paciente com mudanças permanentes no estilo de vida”, conclui.
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