A presença masculina nos consultórios de cirurgia plástica vem crescendo nos últimos anos e acompanha uma mudança na forma como os homens enxergam o cuidado com a própria aparência. Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), divulgados em janeiro de 2026, mostram que o número de procedimentos estéticos realizados em pacientes homens aumentou 95% entre 2018 e 2024.
Somente em 2024, os homens foram responsáveis por 16,1% dos procedimentos estéticos realizados no mundo, o equivalente a cerca de 2,8 milhões de intervenções. Entre os procedimentos mais realizados nesse público estão a cirurgia das pálpebras, blefaroplastia e a cervicoplastia, voltada à correção da flacidez na região do pescoço.
Para o cirurgião plástico Vidal Guerreiro, mestre em Cirurgia Plástica pela Unifesp e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o aumento da procura acompanha uma mudança cultural na relação dos homens com a estética. Se antes os procedimentos cirúrgicos eram frequentemente associados apenas ao público feminino, hoje a busca por melhorias na aparência é encarada por muitos pacientes como parte do cuidado pessoal.
“Os homens têm chegado ao consultório querendo melhorar alguns pontos que incomodam, mas sem mudar quem são. A busca é por resultados sutis, que mantenham as características de cada rosto e façam com que o paciente continue se reconhecendo depois do procedimento”, explica.
Entre as intervenções procuradas por pacientes masculinos estão a blefaroplastia – cirurgia das pálpebras, a cervicoplastia – cirurgia de lifting de pescoço e o lifting facial – cirurgia facial. As indicações variam de acordo com as características e necessidades de cada paciente. A blefaroplastia, por exemplo, pode corrigir o excesso de pele e as bolsas nas pálpebras, enquanto a rinoplastia pode ter finalidade estética, funcional ou ambas. Já procedimentos como a cervicoplastia e o lifting facial são indicados para casos em que há maior flacidez, especialmente no pescoço e na face.
Apesar das diferenças entre as técnicas, Vidal observa um ponto em comum entre os pacientes: a preocupação em evitar mudanças excessivas. A intenção, segundo ele, é corrigir sinais específicos do envelhecimento ou características que incomodam, mantendo a harmonia e a identidade do rosto.
A evolução das técnicas cirúrgicas também contribuiu para ampliar as possibilidades de tratamento. Com abordagens cada vez mais individualizadas e planejamento voltado às características de cada paciente, os procedimentos podem ser indicados de acordo com o grau de alteração e os objetivos de cada pessoa.
“Hoje, o cuidado com a aparência já é algo muito mais natural entre os homens. Eles estão mais à vontade para procurar um procedimento quando existe alguma coisa que os incomoda e entendem que isso também pode contribuir para a autoestima e o bem-estar. O mais importante é que cada caso seja avaliado individualmente e que o resultado respeite as características de cada paciente”, afirma o cirurgião.
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