econhecido pelo Vaticano como mártir, missionário italiano assassinado em Jauru avança no processo de canonização e pode se tornar o primeiro santo ligado à história de Mato Grosso
Da redação
A beatificação do padre Nazareno Lanciotti, realizada neste sábado (14) em Jauru, marcou um novo capítulo na trajetória do missionário italiano que dedicou grande parte da vida à atuação religiosa e social em Mato Grosso. Com o reconhecimento oficial do Vaticano, ele passa a ser considerado beato pela Igreja Católica, mas ainda há uma etapa a ser cumprida antes que receba o título de santo.
A beatificação representa a fase anterior à canonização, processo que transforma oficialmente um religioso em santo. No caso de Nazareno, o reconhecimento ocorreu após a Santa Sé concluir que sua morte foi resultado de martírio, entendimento adotado quando uma pessoa é assassinada por motivos ligados à fé cristã.
Por essa razão, o Vaticano dispensou a exigência de um milagre para a beatificação. Agora, porém, a comprovação de um fato extraordinário atribuído à intercessão do religioso passa a ser indispensável para que a canonização avance.
Caso surja um relato considerado milagroso, a investigação terá início na diocese onde o fato ocorreu. Em seguida, toda a documentação será encaminhada ao Vaticano para análise.
O procedimento envolve diversas etapas. Inicialmente, médicos independentes avaliam se a suposta cura ou acontecimento possui explicação científica. Se a conclusão for de que não há justificativa médica para o caso, a documentação segue para uma comissão de teólogos, que examina se existe relação entre o evento e as orações dirigidas ao beato.
Depois dessa fase, cardeais e bispos ligados ao Dicastério para as Causas dos Santos analisam o processo e encaminham uma recomendação ao papa, responsável pela decisão final sobre a canonização.
Para a Igreja Católica, o reconhecimento de um milagre funciona como uma confirmação de que o beato está junto de Deus e pode interceder pelos fiéis. O procedimento já foi adotado em processos de canonização recentes, como os de São João Paulo II e da Madre Teresa de Calcutá, que tiveram milagres reconhecidos pelo Vaticano antes de serem proclamados santos.
Nascido na Itália em 1940, Nazareno Lanciotti foi ordenado sacerdote em 1966 e chegou ao Brasil cinco anos depois. Em Mato Grosso, concentrou sua missão na região oeste do estado, especialmente em Jauru, onde desenvolveu projetos voltados à educação, assistência social e atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Em fevereiro de 2001, ele foi baleado dentro da casa paroquial e morreu dias depois em decorrência dos ferimentos. A Igreja sustenta que o crime teve relação direta com sua atuação religiosa e sua defesa dos valores cristãos.
Após anos de tramitação no Vaticano, o papa Francisco autorizou em 2025 a publicação do decreto que reconheceu oficialmente o martírio do sacerdote, abrindo caminho para a beatificação.
Com o novo título, o padre Nazareno já pode receber culto público em locais autorizados pela Igreja. Se um milagre for reconhecido futuramente pela Santa Sé, ele poderá ser canonizado e se tornar o primeiro santo oficialmente ligado à história de Mato Grosso.



































