Infectologista explica por que conhecer as características de cada tipo da doença ajuda a reduzir novos casos e evitar complicações
Embora recebam o mesmo nome, as hepatites não são todas iguais. Existem cinco tipos principais da doença — A, B, C, D e E — e cada um apresenta formas diferentes de contágio, prevenção e tratamento. Conhecer essas diferenças é um dos primeiros passos para reduzir o risco de infecção e favorecer o diagnóstico precoce.
Dados do Boletim Epidemiológico 2025 do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou mais de 826 mil casos entre 2000 e 2024. As hepatites B e C concentram a maior parte das notificações e são as que apresentam maior risco de evoluir para cirrose e câncer de fígado.
No Dia Mundial de Luta contra as Hepatites, celebrado em 28 de julho, a infectologista do Hospital São Mateus, Ana Elisa de Carvalho, explica que cada tipo da doença exige cuidados específicos.
“Cada tipo de hepatite tem características próprias. As hepatites A e E estão mais relacionadas ao consumo de água e alimentos contaminados. Já as hepatites B e C podem se tornar crônicas. A hepatite D, que só ocorre em pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B, também pode evoluir para a forma crônica”, afirma.
Segundo a médica, as formas de prevenção também variam conforme o tipo da doença. No caso das hepatites A e E, água tratada, saneamento básico e cuidados com a higiene são as principais medidas de proteção.
Já para reduzir o risco das hepatites B, C e D, a orientação é usar preservativos nas relações sexuais, não compartilhar objetos que possam ter contato com sangue e verificar se materiais utilizados em tatuagens, piercings e procedimentos estéticos são esterilizados ou descartáveis.
Há vacinas eficazes para prevenir as hepatites A e B. No caso das hepatites B e C, a recomendação é que toda pessoa adulta realize o teste pelo menos uma vez na vida, mesmo sem apresentar sintomas.
“Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de preservar a saúde do fígado e evitar complicações. Hoje a hepatite C pode ser curada na grande maioria dos casos, enquanto a hepatite B pode ser controlada com tratamento adequado”, conclui Ana Elisa de Carvalho.
































