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Com água de cheiro, comunidade lava escadarias do Rosário e São Benedito e pede paz em Cuiabá.

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‘ENERGIA ANCESTRAL AXÉ!’

Yuri Ramires e Aline Costa [email protected] João Vieira

Usando branco, com água de cheiro, cantos e danças, a comunidade afro-brasileira de Mato Grosso pediu intercessão pela paz, durante a 8ª edição da lavagem das escadarias da Igreja do Rosário e São Benedito, na manhã deste sábado (29), em Cuiabá. O evento neste ano tem como tema “Energia Ancestral Axé!”.

A lavagem faz parte do calendário cultural oficial do município e começou por volta das 5h no Museu da Imagem e do Som (MISC). De lá, os participantes se concentraram no largo da igreja e só por volta das 9h desceram um trecho da avenida Coronel Escolástico.

“O ato tem a missão de visibilizar as comunidades tradicionais, trazer a cultura afro-brasileira para esses espaços”, lembrou Lindisey Sá, uma das organizadoras do ato, que começa a ser construído um ano antes.

Mais do que isso, o ato tem como objetivo promover a igualdade racial, cultura, combater o racismo e claro, a intolerância religiosa. “Nosso espaço é aqui. Não se trata de um evento religioso, é um evento cultural”, lembrou Lindisey.

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Kelly Cristina dos Reis veio de Cáceres (225 km ao oeste de Cuiabá) para participar do evento. Ela contou que é descendente de escravos da cidade de Sacramento, em Minas Gerais. O pai chegou em Jauru em 1948 e depois se mudou para Cáceres.

“Estar aqui hoje é muito gratificante, a gente coloca em prática o que a religião tem nos ensinado, o que nossos ancestrais ensinaram. O ano só começa depois da lavagem, do encontro com a irmandade, que traz muita paz e energia positiva para nós”, disse.

Elizabeth Corrêa Carvalho da Silva é cuiabana, mas mora em João Pessoa, na Paraíba. Ela fez questão de estar presente no evento, já que participa há 8 anos. “Vale muito a pena, é muito bom estar aqui, é uma energia”, disse à reportagem do . Para ela, o encontro é de pessoas com um só pensamento.

 

“Estamos energizados pelos nossos ancestrais. A lavagem já virou uma tradição e eu estava pensando, esse nosso movimento tem que acontecer todos os dias, essa é a paz que a gente busca”, finalizou.

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