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COMÉRCIO EXTERIOR; MT escapa do maior impacto do tarifaço dos EUA com quase 94% das exportações protegidas

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Levantamento da Fiemt aponta impacto limitado sobre produtos mato-grossenses; carne bovina, ouro e madeira serrada ficaram fora da cobrança adicional

Reprodução

Da redação

A nova tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros deve ter impacto reduzido nas exportações de Mato Grosso. Levantamento do Sistema Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) aponta que 93,85% das vendas do estado ao mercado norte-americano em 2026 permanecem fora da cobrança devido às exceções definidas pelo governo dos EUA.

Dos US$ 209,57 milhões exportados por Mato Grosso aos Estados Unidos neste ano, aproximadamente US$ 196,69 milhões seguem protegidos da tarifa. Apenas US$ 12,77 milhões, equivalente a 6,09% da pauta exportadora estadual, estão sujeitos inicialmente à cobrança adicional. Outros 0,05% ainda dependem de validações técnicas relacionadas à classificação dos produtos.

Entre os principais itens exportados pelo estado, carne bovina, ouro e madeira serrada ficaram fora da lista de produtos afetados, conforme as exceções divulgadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

A madeira beneficiada classificada na NCM 4409.22 também permaneceu isenta, reduzindo os impactos sobre parte da cadeia florestal mato-grossense. Já produtos de madeira com maior nível de processamento, enquadrados na NCM 4418, não foram incluídos nas exceções e podem enfrentar dificuldades de competitividade, apesar de representarem uma parcela menor das exportações.

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Sebo bovino concentra maior impacto

Segundo a Fiemt, a maior parte da exposição de Mato Grosso às novas tarifas está concentrada em dois produtos: sebo bovino e gelatinas e seus derivados. Juntos, eles representam 97,3% do valor das exportações estaduais que passam a ser atingidas pela cobrança.

Do montante afetado, cerca de US$ 10,7 milhões correspondem ao sebo bovino e US$ 1,72 milhão às gelatinas.

Apesar da dependência desses produtos em relação ao mercado norte-americano, a entidade avalia que a existência de compradores consolidados em países como Países Baixos, Bélgica, Alemanha, Argentina, Reino Unido, México e Austrália pode reduzir possíveis prejuízos ao setor.

Cenário de MT é melhor que o nacional

O desempenho de Mato Grosso contrasta com o cenário brasileiro. Enquanto o estado mantém quase 94% das exportações protegidas pelas exceções tarifárias, no país esse percentual é de 45,9%.

No Brasil, 31,6% da pauta exportadora passou a ser atingida pelas tarifas da Seção 301, além de outros produtos sujeitos às medidas previstas na Seção 232 e a investigações relacionadas ao trabalho forçado.

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A Fiemt também destaca que o fim previsto da sobretaxa temporária de 10% aplicada de forma ampla pelos Estados Unidos pode reduzir parcialmente os efeitos sobre produtos que ficaram fora das novas listas tarifárias.

Mesmo assim, a entidade alerta que o cenário comercial entre Brasil e Estados Unidos continuará sendo acompanhado, especialmente devido à investigação norte-americana sobre trabalho forçado, que pode resultar em novas medidas contra produtos brasileiros.

Relação comercial segue em acompanhamento

O coordenador de Internacionalização do Sistema Fiemt, Antonio Lorenzzetti, afirmou que a lista de exceções protegeu grande parte das exportações de Mato Grosso.

“Quando a gente analisa o cenário de Mato Grosso, estamos falando de 94% do universo tarifário do que exportamos em receita para os Estados Unidos. Então, de certa forma, Mato Grosso não será fortemente atingido porque grande parte das suas exportações está na lista de exceção”, afirmou.

Apesar da avaliação positiva, o especialista destacou que alguns segmentos precisam ser monitorados.

“É preciso monitorar produtos como madeira beneficiada, sebo bovino e gelatinas, que são importantes para a nossa balança comercial e, infelizmente, vão sofrer com a tarifa adicional de 25%”, completou.

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