Especialistas indicam estratégias para reduzir a exposição à volatilidade durante o período eleitoral
São Paulo, agosto de 2026 – A chegada das eleições costuma aumentar a sensibilidade dos mercados financeiros. À medida que crescem as dúvidas sobre os rumos da política econômica, ativos como Bolsa, câmbio e juros passam a reagir com maior intensidade às expectativas dos investidores, ampliando a volatilidade. Nesse ambiente, especialistas do mercado apontam que a principal estratégia para atravessar o período com menor exposição a oscilações é construir uma carteira diversificada, combinando diferentes classes de ativos e geografias.
Para Homero Guizzo, economista da Terra Investimentos, o comportamento dos mercados em anos eleitorais está diretamente ligado às mudanças de percepção sobre temas como política fiscal, inflação e trajetória dos juros. Segundo ele, anos eleitorais são períodos de especial atenção dos investidores às propostas dos principais candidatos com potencial repercussão em finanças públicas, taxa de juros e taxa de câmbio – fatores que influenciam a precificação dos ativos.
“Historicamente, períodos eleitorais experimentam maior volatilidade porque coincidem com ajustes nas expectativas dos agentes econômicos para o futuro próximo. Pesquisas eleitorais públicas costumam ter baixo poder preditivo sobre o comportamento do mercado, que reage em tempo real às informações contidas nelas”, afirma Guizzo.
Diante desse cenário, Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital, destaca que o objetivo não deve ser eliminar o risco da carteira, mas equilibrá-lo por meio da combinação entre ativos de crescimento e instrumentos de proteção. Entre as alternativas, ele cita ETFs de renda fixa, que oferecem exposição a títulos públicos e privados com menor oscilação; ETFs lastreados em ouro, tradicionalmente utilizados como proteção em momentos de aversão ao risco; ETFs de Treasuries, que permitem acesso aos títulos do Tesouro americano; e ETFs de baixa volatilidade, compostos por empresas que apresentam histórico de menor variação de preços.
“Em momentos de maior incerteza, faz sentido equilibrar ativos de risco com ativos defensivos, uma vez que essa combinação tende a reduzir os impactos de movimentos mais bruscos do mercado”, afirma Nobile.
Além da diversificação entre classes de ativos, ampliar a exposição para mercados internacionais também pode reduzir a dependência do cenário doméstico. Para Flávio Vegas, especialista de produtos da Global X, concentrar investimentos exclusivamente no Brasil aumenta a sensibilidade da carteira aos desdobramentos eleitorais. Para ele, ETFs internacionais permitem acessar empresas e setores de economias desenvolvidas, além de oferecer exposição cambial, o que ajuda a diluir riscos específicos do mercado brasileiro.
“As eleições afetam principalmente os ativos locais. Ao investir globalmente, o investidor reduz essa concentração de risco e amplia o acesso a oportunidades que independem do cenário político brasileiro”, observa Vegas.
De acordo com Anderson Moreira, head de conteúdo da DEX e especialista em investimentos, períodos eleitorais também reforçam a importância de evitar decisões baseadas em movimentos de curto prazo. Ele explica que prever quais setores ou empresas serão favorecidos após o resultado das urnas costuma ser uma estratégia de baixa eficiência. Nesse contexto, os ETFs se destacam por oferecer, em um único ativo, exposição a dezenas ou até centenas de empresas ou títulos, reduzindo o risco de concentração presente na seleção individual de ativos.
“O foco deve estar na construção de uma carteira alinhada aos objetivos do investidor e não na tentativa de antecipar o resultado das eleições. Diversificar continua sendo uma das formas mais eficientes de enfrentar períodos de maior volatilidade”, conclui Moreira.































