Arquiteto filho do casal que construiu o prédio mora lá até hoje. Projeto era extremamente audacioso para a época,
Da Reportagem
No apartamento 1002, no 10° andar do mais antigo condomínio vertical residencial de Cuiabá, o Edifício Maria Joaquina de Morais Ribeiro, há 56 anos, mora o arquiteto e gastrônomo Júlio César Silva Ribeiro.
Da janela da sala de visitas, o cuiabano Júlio César acompanha a movimentação agitada em espaços que, assim como sua moradia, narram boa parte da história da capital mato-grossense.
No cenário ao alcance dos olhos dele estão, por exemplo, a Praça Alencastro, o Palácio Alencastro, sede da Prefeitura, e a Igreja Matriz (Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá).
O prédio está cravado no número 112 da Rua Cândido Mariano, com a fachada voltada para a Praça Alencastro.
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O prédio está cravado no número 112 da Rua Cândido Mariano, com a fachada voltada para a Praça Alencastro
Em um projeto extremamente audacioso para época, as obras, lançadas em 1965, se estenderam por quase cinco anos.
A inauguração oficial foi em 8 de abril de 1969, no aniversário de 250 anos de Cuiabá.
Perto de completar 60 anos, o prédio ainda chama atenção pela imponência.
Também desperta a curiosidade.
O Edifício Maria Joaquina tem 15 andares e 52 apartamentos de dois tamanhos (118 e 135 metros quadrados), com dois e três quartos, respectivamente.
Assim como muitos prédios antigos da área central, o condomínio não tem garagem.
Na época, não havia exigência legal de reserva de área de estacionamento.
Aos 62 anos, César pouco se lembra da moradia anterior, onde viveu até os seis anos.
Do Edifício Maria Joaquina, conta ele, se afastou somente enquanto fazia faculdade, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no bairro da Ilha do Fundão.
Então, não há como desvincular a história de vida de César do mais antigo “arranha-céu” cuiabano.
Mesmo porque, o prédio foi construído por seus pais, Braulio Teodoro Ribeiro e Maria Geralda da Silva Ribeiro, e tios.
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O arquiteto e gastrônomo Júlio César Silva Ribeiro, que mora há 56 anos no Edifício Maria Joaquina
E o nome na fachada o faz lembrar da avó paterna.
Em 1969, conta César, se mudou com os pais para o apartamento que ocupa até hoje.
Mas, a família dele não foi a primeira a ocupar o imóvel.
Quando se instalou lá já havia uma moradora.
Ele se recorda dos pais falando que, um ano antes, em 1968, uma senhora que havia comprado um apartamento precisou ocupá-lo antes do previsto.
Hoje, mesmo com as mudanças que transformaram o entorno do condomínio de área residencial para quase 100% comercial, não pensa em se mudar.
“O prédio é bom, está bem conservado, e os apartamentos são amplos e confortáveis”, descreve.
De acordo com ele, o percentual de ocupação do imóvel é de quase 100% e o perfil dos moradores é diversificado.
“Há um outro apartamento à venda ou para alugar, e aqui moram famílias, casais de idoso e jovens”, assinala o arquiteto.
Sobre não ter garagem, César garante não ser um problema.
“Temos estacionamentos próximos, que podemos alugar como mensalistas”, argumenta.
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O casal Bráulio Teodoro Ribeiro e Maria Geralda da Silva Ribeiro, que construiu o prédio
O condomínio, que antes era ocupado pela “nata” cuiabana, rodeado por moradias de famílias abastadas, tornou-se popular, com uma vizinhança que levanta questionamentos o tempo todo.
Hoje, na área do entorno, são raros os imóveis ocupados como moradia.
Os lares de famílias ricas viraram comércio ou estão abandonados.
César vê como naturais as mudanças ocorridas na ocupação territorial, mas questiona o esvaziamento da área central e a presença de moradores de ruas e outros problemas.
“Moradores saírem das ruas centrais é natural nas grandes cidades”, observa.
“Aqui no Centro Histórico, infelizmente, a falta de políticas públicas gerou essas questões sociais, como a presença de moradores de rua e tráfico”, desabafa ele.
“Estamos trabalhando para que o Centro retorne ao que era, não como residencial, mas como área de prestação de serviços”, revelou um dos mais antigos moradores do Edifício Maria Joaquina.
Ele diz que acredita que as melhorias que espera possam ocorrer na atual gestão do município, que tem à frente o prefeito Abilio Brunini (PL).































