EMPREENDEDORISMO FEMININO – 1
Renata Costa Marques, 45, ganhou prêmios e vende os produtos em redes de supermercados, como Big Lar, Curió e Comper
Além de coragem, determinação e criatividade, na história de empreendedorismo da cuiabana Renata Costa Marques Neves, 45 anos, há outros elementos que explicam o sucesso dos produtos dela.
O amor pelo que faz, a busca por conhecimento e o zelo, por exemplo, são perceptíveis nos produtos e no modo com que ela fala da produção.
Renata produz queijos, coalhadas, nata e outros derivados do leite.
Alguns deles, é o caso da coalhada, remetem a sua infância na fazenda da família.
Dona da Laticínio Serrano, fabricante da marca J3, há quase 17 anos Renata tem uma rotina agitada.
Ela é empresária, mãe, esposa, dona de casa, filha… Aff!
No mercado desde 96, até 2008, os produtos J3 estiveram sob a gestão do pai de Renata, João Neves, um mineiro radicado em Mato Grosso há cinco décadas, e da mãe, Solange Costa Marques.
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No mercado desde 96, até 2008, os produtos J3 estiveram sob a gestão do pai de Renata, João Neves, um mineiro radicado em Mato Grosso há cinco décadas. A mãe chama-se Solange Costa Marques
Quando o pai a informou que estava fechando o laticínio, em Nossa Senhora do Livramento, a 70 km de Cuiabá, ela decidiu assumir o negócio.
Na época com 27 anos, Renata morava em São Paulo, para onde foi estudar hotelaria.
Fora de casa há quatro anos, a cuiabana já trabalhava em sua área de formação e não tinha planos de retornar ou empreender em outra área.
“Fiquei muito triste, com dó mesmo, porque não queria ver o laticínio que produzia a coalhada e o queijo que eu mais gostava fechando as portas”, conta ela.
“Meu pai já havia parado de fazer a coalhada. A coalhada que eu consumia desde a infância e que ele levava para mim em São Paulo”, recorda ela.
“Todas as vezes que ia me visitar, era um kit com coalhada, queijos e outros produtos da fazenda”, reforça.
“Eu fazia o mesmo quando vinha visitá-los. Voltava para São Paulo levando um monte de produtos”, observa ela.
“Cresci acompanhando a dedicação e o cuidado dele com a produção no laticínio”, conta.
“Desde a ordenha do rebanho leiteiro até o preparo dos queijos e da coalhada que eu comia no café da manhã”, recorda.
“Falei para o meu pai que voltaria para casa e assumiria a empresa, mas iria buscar fornecedores de leite junto aos produtores da região”, explica.
“Optei por encerrar o ciclo do leite na fazenda e passei a valorizar os produtores locais”, recorda ela.
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Com a J3, Renata Costa Marques conquistou duas medalhas de prata com duas receitas autorais, o Queijo Pantaneiro e o Queijo Minas recheado com furrundú
Hoje, o Laticínio Serrano compra leite de 8 produtores, gerando dezenas de empregos diretos e indiretos.
“Temos um médico veterinário responsável técnico na empresa. Com ele, visito e converso com os fornecedores sobre a produção, qualidade do leite e outras questões”, detalha a empresária.
A relação indústria-fornecedores também conta com a assessoria e assistência do Sebrae/MT, por meio do programa ‘Nosso Leite’, entre outras ações.
O ‘Nosso Leite’ trabalha o desenvolvimento da produção leiteira visando a gestão, busca de novas tecnologias, qualidade e aumento da produtividade.
“Não usamos conservante em nenhum de nossos produtos. Então, temos que estar preocupados com a conservação e a qualidade não só do leite, mas de tudo que fazemos chegar ao consumidor final”, destaca ela.
Hoje, o laticínio de Renata oferece aos consumidores uma linha de produtos que inclui o tradicional queijo minas frescal, o queijo Pantaneiro, queijo temperado, queijo coalho, coalhada integral e light, nata e outros produtos.
A marca J3 está em redes de supermercados como Big Lar, Curió e Comper.
Também atende empórios, restaurantes e padarias sofisticadas, como Viena, Moinho e Sesc Pantanal.
PRÊMIOS – Com a J3, Renata Costa Marques conquistou duas medalhas de prata com duas receitas autorais, o Queijo Pantaneiro e o Queijo Minas recheado com furrundú, no 1º Concurso do Queijo e Produtos Lácteos de Mato Grosso, realizado em setembro de 2024, dentro do Festival Biomas e Sabores, do Sebrae-MT e Governo de Mato Grosso.
EMPREENDEDORISMO FEMININO – 2
No dia seguinte ao nascimento do filho, empresária volta ao trabalho
Mato Grosso tem cerca de 146 mil mães chefes de famílias e dona do próprio negócio
Ainda no hospital, no dia seguinte ao nascimento do filho, a empresária Renata Costa Marques Neves, voltou ao trabalho.
Ela retomou as atividades gerindo o trabalho no laticínio.
Tratou sobre produção, encomendas e entregas.Logo depois, já estava atendendo fornecedores e clientes.
“Eu estava começando com o laticínio quando me tornei mãe.
Nasceu meu primeiro filho, Guilherme, que hoje está com 16 anos”, diz ela.“Foi bem complicado mesmo nesse começo”, conta.
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Casada com Luis De Lamônica Filho, Renata também é mãe de Mariana, de 6
“Uma coisa que me marcou muito na época foi que eu estava amamentando. Trabalhando em ritmo acelerado, tive uma fase de estresse tão grande que secou o meu leite”, recorda ela.
“Eu trabalhava muito e queria dar de mamar ao meu filho. Meu marido fazia muito, ajudava em quase tudo, mas havia coisas que somente eu, a mãe, poderia fazer”, assinala ela.
Casada com Luis De Lamônica Filho, ela também é mãe de Mariana, de 6.
Renata é a dona do Laticínio Serrano, detentora da marca J3, produtora livramentense de queijos e outros derivados do leite.
Quase 17 depois como dona do próprio negócio, a rotina de Renata continua sendo agitada.
O ritmo de trabalho dela se assemelha ao de outras milhares de mães.
De acordo com a pesquisa “Empreendedorismo Feminino”, do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT), cerca de 146 mil empreendedoras mato-grossenses são mães, assim como Renata.
Realizada em janeiro deste ano, os dados mostram que as mães representam 77% das 188 mil mulheres donas de micro e pequenas empresas formais no Estado.
A pesquisa apontou também que 64%, ou seja, 120 mil mulheres, são chefes de família.
Ser chefe de família quer dizer que ela é a principal ou única responsável pelo sustento da família.
A “Empreendedorismo Feminino” indicou ainda que quase 113 mil, ou 60% das mulheres que empreendem em Mato Grosso têm entre 35 e 54 anos.
Sobre o tamanho das empresas, o estudo mostra que 42%, cerca de 79 mil, se enquadram como microempreendedoras individuais (MEI), e que 37%, ou 70 mil, são microempresas (ME).
Já a área de atuação, aponta que 85% empreendem no comércio e serviços, especialmente nas áreas de beleza e estética, confecções e vestuário e alimentação fora do lar.
Em relação à escolaridade, o estudo conclui que 9 em cada 10 empreendedoras têm segundo grau completo e 37% concluíram a faculdade.
A diretora-superintendente do Sebrae/MT, Lélia Brun, diz que a intenção da pesquisa é traçar o perfil das empreendedoras e identificar os obstáculos enfrentados pelas mulheres.
Os dados, segundo avaliação de Lélia, oferecem base para que a instituição crie estratégias eficazes para fortalecer o empreendedorismo feminino no Estado.
“A pesquisa nos permite promover dois verbos que fazem parte do DNA da nossa instituição: servir e apoiar”, reforça a diretora-superintendente.
Para ela, conhecer as dificuldades encurta o caminho para criar soluções visando o avanço nos negócios, especialmente entre as mulheres que empreendem.
“Sabemos que muitas começam empreender por dificuldades financeiras, buscando liberdade econômica e social”, completa ela.
PROGRAMAS E AÇÕES– Para mulheres empreendedoras, o Sebrae/MT oferece diversos programas, projetos, ações e serviços.
As mulheres têm acesso a qualificação profissional, consultoria especializada, parceria para acesso a crédito e outros por meio de programas como “Sebrae Delas”, “Força Mulher” e o “Acredita Delas”.
O “Sebrae Delas”, por exemplo, propõe o fomento e a profissionalização em práticas empresariais e políticas públicas para valorizar competências, comportamentos e habilidades das mulheres.
Trabalha com elementos como inteligência, sensibilização, articulação e formação de rede e capacitação.
O “Força Mulher” é voltado ao apoio, promoção com vista ao empreendedorismo de mulheres em situação de vulnerabilidade social.
Já o “Acredita Delas”, que tem a parceria do Governo Federal, propõe oferecer aval de 100% para operações de crédito de empresas lideradas por mulheres.
Além disso, o Sebrae/MT homenageia empreendedoras mato-grossenses por meio do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios (PSMN).































