Especialistas de diferentes países da América Latina se reuniram no Chile para analisar os avanços que estão transformando o tratamento das doenças cardiovasculares
Créditos: Medtronic
Setembro de 2026 – As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte nas Américas e provocam mais de 2,2 milhões de óbitos por ano, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Em meio a essa carga para a saúde pública, novas tecnologias estão modificando a forma de tratar as patologias cardiovasculares mais complexas: desde novas tecnologias para o tratamento das arritmias a procedimentos capazes de substituir uma válvula cardíaca sem recorrer a uma cirurgia aberta.
Esses avanços fizeram parte do III Scientific Exchange Program da Medtronic, realizado nos dias 25 e 26 de agosto, no Chile, que reuniu mais de 130 profissionais de saúde e especialistas cardiovasculares da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Panamá e Porto Rico, além de participantes internacionais.
Uma das áreas com maiores avanços é o tratamento das arritmias cardíacas. A ablação por campo pulsado (PFA), entregue pelo PulseSelect™, tecnologia em lançamento no Brasil, utiliza-se de pulsos elétricos direcionados ao tecido responsável pela arritmia, sem depender de processos térmicos para se obter a ablação correta, resultando em mínimos danos colaterais, inclusive em estruturas adjacentes. Affera™, com expectativa de lançamento para meados de 2027 no país, é uma plataforma que integra mapeamento cardíaco 3D de alta definição e ablação com diferentes fontes de energia, e faz parte dessa evolução.
As alternativas para tratar doenças das válvulas cardíacas também estão mudando. Entre elas está o TAVr , procedimento minimamente invasivo que permite substituir a válvula aórtica por meio de um cateter e que, para pacientes com estenose aórtica grave, pode representar uma alternativa à cirurgia cardíaca aberta. Durante o encontro, também foi realizada a transmissão ao vivo de um procedimento de TAVr, como parte do intercâmbio clínico entre os especialistas.
A essas tecnologias soma-se o Micra™, um marcapasso sem eletrodos que é implantado diretamente no coração por meio de uma abordagem minimamente invasiva. Diferentemente de um marcapasso transvenoso convencional, ele não requer eletrodos que conectem o dispositivo ao coração nem um gerador implantado sob a pele do tórax.
Essa evolução tecnológica também apresenta um desafio na promoção de estilos de vida saudáveis e na prevenção das doenças cardiovasculares. Sobre esse ponto, o doutor Giavanni Escalante, representante da OPAS/OMS no Chile, destacou a importância do trabalho intersetorial para “gerar um ecossistema favorável à prevenção das doenças e, assim, fortalecer a alfabetização em saúde, ou seja, garantir que as pessoas tenham acesso oportuno à informação, em linguagem simples, que não complique suas vidas, mas que possam acessá-la facilmente”.
Ele acrescentou que “as tecnologias vêm alcançando um maior nível de disseminação e avanço nos países da América Latina. O principal desafio é como fazer com que elas sejam adequadas aos contextos nacionais. E, nesse sentido, a melhor tecnologia que temos é a articulação entre os níveis primário, secundário e terciário de atenção à saúde para se desenvolver um novo cuidado integral da pessoa em seu ambiente”.
A transformação também alcança a cirurgia cardiovascular e o tratamento de outras doenças das válvulas cardíacas. Durante o programa, foram abordadas técnicas de reparo das válvulas mitral e tricúspide, reconstrução valvar e novas ferramentas de imagem que podem apoiar o planejamento dos procedimentos e a seleção de pacientes.
“As doenças cardíacas e seus tratamentos avançaram muito rapidamente no mundo, o que faz essa uma das áreas em que o progresso tem sido mais notável. No Brasil e na América Latina, estamos cada vez mais próximos do que é feito em países desenvolvidos, pois o tempo entre o lançamento de novos procedimentos e técnicas no exterior e sua chegada à região vem diminuindo. O principal desafio ainda é ampliar o acesso ao sistema público de saúde. Muitas dessas tecnologias têm um custo inicial elevado, mas podem se mostrar custo-efetivas no longo prazo ao prevenir complicações. Com evidências científicas que demonstrem esse benefício, é possível avançar em sua incorporação aos sistemas de saúde e ajudar muito mais pacientes”, destacou Dr. Januário Pardo Meo, eletrofisiologista cardíaco.
No entanto, o desenvolvimento tecnológico também traz um desafio para a América Latina: criar condições que permitam incorporar esses avanços de forma efetiva à prática clínica e ampliar seu acesso. O diagnóstico oportuno, a capacitação das equipes de saúde, a capacidade dos centros e os mecanismos de acesso e financiamento são fatores relevantes para que essas alternativas possam chegar a mais pacientes.
Nesse contexto, a diretora de Acesso ao Mercado, Assuntos Públicos e Economia da Saúde da Medtronic para a América Latina, Giselle Tutor, afirmou que “tradicionalmente, o setor privado adota mais rapidamente as tecnologias que são lançadas. No entanto, 75% dos pacientes na América Latina estão sob o sistema público e, portanto, trabalhar lado a lado com os governos ou as sociedades científicas para agilizar o acesso, garantir a existência de mecanismos de pagamento e reembolso que não impactem os gastos diretos dos pacientes é uma prioridade não apenas para o Chile, mas para todos os países da região. Estamos comprometidos em desenvolver as evidências necessárias para que isso possa acontecer”.
O Scientific Exchange Program da Medtronic reuniu, durante dois dias, mais de 130 profissionais de saúde e especialistas de diferentes países da região para abordar áreas de tratamentos cardíacos como Estrutural, Gestão de Arritmias, Soluções Cirúrgicas e para Ablação, por meio de sessões científicas, discussão de casos, simulações, intercâmbio de evidências e experiências clínicas.
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