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DOADORA FELIZ; Filhos fazem vontade e alegria da mãe doando seus órgãos

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“Sei que ela está feliz por ajudar 5 pessoas”, diz o filho Lucas, 31, sobre a mãe Geny, que morreu aos 57 anos

ALECY ALVES Da Reportagem
Divulgação
Geny e os filhos Nicolas e Lucas: mãe sempre falou que era doadora de órgãos

Os filhos da servidora pública Geny do Espírito Santo Senna, 57, não tiveram dúvida sobre o que fazer quando receberam o diagnóstico de morte encefálica da mãe.

Lucas e Nícolas Senna, mesmo sob lágrimas e sofrendo a dor da perda da mulher que lhes deu a vida, autorizaram a doação dos órgãos dela.

Vítima de AVC (Acidente Vascular Cerebral), Geny Senna morreu em outubro deste ano.

Ela chegou a ser operada para estancar uma hemorragia cerebral, mas seu quadro agravou-se e evoluiu para morte encefálica.

Os órgãos de Geny, córneas, rins e fígado foram captados no dia 16 de outubro por equipes especializadas de Brasília (DF) e de Mato Grosso.

Dentro do Sistema Nacional de Transplantes, a mãe de Lucas e Nicolas ajudou cinco pacientes de diferentes regiões do país que esperavam por um transplante.

“Fizemos a vontade dela. Sabíamos o quanto nossa mãe ficaria feliz e tomamos a decisão”, diz o filho Lucas, 31.

Divulgação

Geny 1

Geny não expressou sua vontade por escrito, mas, nas conversas em família, sempre deixava claro o quanto ficaria feliz se seus órgãos pudessem beneficiar outras pessoas

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Ele conta que cresceu ouvindo a mãe dizer que era doadora.

Geny não expressou sua vontade por escrito, mas, nas conversas em família, sempre deixava claro o quanto ficaria feliz se seus órgãos pudessem beneficiar outras pessoas.

“Se ela está feliz, nós também estamos”, destaca Lucas.

“É gratificante imaginar que há pessoas enxergando pelos olhos e que outras possam sair da máquina de hemodiálise porque receberam os rins dela”, observa ele.

“Já que Deus a levou, que não tínhamos o que fazer para trazê-la de volta à vida, que sua morte possa melhorar a vida de quem sofre na fila de espera”, avalia ele.

“Acreditamos que nossa atitude fez outras famílias felizes”, reforça Lucas.

Geny trabalhava há 11 anos como merendeira, na Escola André Avelino, no CPA 1.

“Nossa mãe era uma mulher trabalhadora, forte e dedicada à família”, define o filho.

“Ela foi mãe e pai e nos ensinou valores importantes como honestidade, respeito e amor ao próximo”, reforça ele.

Lucas conta que ele e o irmão, Nícolas, de 20 anos, cresceram com a mãe, na casa dos avós maternos, Francisco e Terezinha.

De família grande, os dois viveram com os avós, tios, primos e rodeados de amigos, no bairro Morada da Serra (CPA 1).

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Atenciosa e preocupada com o comportamento dos filhos, Geny fiscalizava tudo o que os filhos faziam.

“Se chegássemos com alguma coisa diferente, um brinquedo ou peça de roupas, por exemplo, ela pedia explicação sobre a origem”, conta Lucas.

“Mãe, emprestei o tênis do meu colega para jogar futebol porque não estava com os meus”, lembra Lucas.

Isso ocorreu, recorda ele, quando ainda era criança e teve de explicar por que usava calçados que ela não havia comprado.

“Mamãe estava sempre atenta ao que fazíamos”, completa, orgulhoso da mãe.

A irmã de Geny, Ângela Maria Senna Santos, 62, foi quem soube primeiro da morte encefálica da irmã.

“Contei aos meus sobrinhos e sugeri a doação de órgãos, e eles imediatamente aceitaram”, conta ela.

“Não sei como isso surgiu naquele momento de dor, mas acho que foi um aviso de Deus e da minha irmã”, analisa Ângela.

“Eu também quero ser doadora, se for possível. Acredito que a doação de órgãos é um ato de amor ao próximo”, diz.

“Doar é uma oportunidade que Deus nos oferece para ajudar outras famílias”, completa.

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