CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

Doenças do coração mataram 27,7 mil pessoas em MT desde 2021

publicidade

DIA MUNDIAL DO CORAÇÃO

Cardiômetro já contabiliza mais de 300 mil mortes no Brasil neste ano; cardiologista alerta que estresse e saúde emocional também influenciam o sistema cardiovascular

ALECY ALVES  Da Reportagem DC

As doenças cardiovasculares provocaram 27,7 mil mortes em Mato Grosso entre janeiro de 2021 e agosto de 2026. Somente neste ano, até 30 de agosto, cerca de 3 mil pessoas morreram no Estado em decorrência de problemas relacionados ao coração. Em 2025, foram 5,5 mil óbitos.

Os números ganham destaque nesta terça-feira (29), quando é celebrado o Dia Mundial do Coração, e ajudam a dimensionar uma das principais causas de morte da população.

No Brasil, o chamado Cardiômetro, ferramenta criada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), já contabilizava mais de 300 mil mortes por doenças cardiovasculares até o fim da tarde de segunda-feira (28).

Max Wagner de Lima

Max Wagner de Lima

No ano passado, foram cerca de 400 mil óbitos no país, o equivalente a aproximadamente 1,1 mil mortes por dia, 46 a cada hora ou uma a cada 90 segundos.

Em Mato Grosso, dados do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que as doenças cardiovasculares atingem os moradores dos 142 municípios. Conforme cálculo do Observatório Nacional da Saúde, com base em informações do DataSUS, a taxa de mortalidade no Estado chega a 144,2 óbitos para cada 100 mil habitantes.

Mais do que dimensionar o problema, especialistas defendem que os números sirvam de alerta para a prevenção e para uma visão mais ampla dos fatores que interferem na saúde cardiovascular.

Leia Também:  Projeto da Unimed Cuiabá transforma hiperfoco de pacientes atípicos em livro

CARDIÔMETRO

Criado há dez anos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, o Cardiômetro acompanha em tempo real uma estimativa das mortes provocadas pelas doenças cardiovasculares no país e apresenta comparações que ajudam a demonstrar o tamanho do problema.

Segundo a ferramenta, as doenças cardiovasculares provocam aproximadamente o dobro das mortes causadas pela soma de todos os tipos de câncer.

O número também supera em mais de duas vezes os óbitos decorrentes de causas externas, categoria que engloba acidentes de trânsito e domésticos e diferentes formas de violência.

Na comparação com as infecções, incluindo doenças contagiosas e problemas do aparelho respiratório, as mortes relacionadas ao sistema cardiovascular são 6,5 vezes mais numerosas.

Além de fatores tradicionalmente associados às doenças do coração, como sedentarismo, excesso de peso e alterações do colesterol, a saúde emocional também merece atenção.

ESTRESSE AFETA O CORAÇÃO

O cardiologista cuiabano Max Wagner de Lima, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia, destaca o estresse entre os fatores capazes de afetar o sistema cardiovascular.

Segundo ele, há duas formas principais de estresse: o crônico e o agudo.

O primeiro mantém o organismo em permanente estado de alerta. Nesse quadro, condições como hostilidade, pessimismo, depressão e ansiedade podem influenciar o sistema cardiovascular por diferentes mecanismos.

Já o estresse agudo pode estar relacionado à chamada síndrome do coração partido, ou cardiomiopatia de Takotsubo, condição desencadeada após episódios de forte impacto emocional e que apresenta sintomas semelhantes aos de um infarto.

Leia Também:  7 dicas para cuidar da saúde respiratória e evitar crises de DPOC

“Atendi uma paciente que apresentou essa condição durante uma discussão de trânsito”, recorda o cardiologista.

Segundo Max de Lima, o quadro exige internação e acompanhamento intensivo, mas o paciente pode apresentar recuperação em um período de 72 a 96 horas.

EMOÇÕES E SAÚDE

Se o estresse pode prejudicar o coração, aspectos positivos da vida emocional também estão associados ao bem-estar, segundo o cardiologista.

Otimismo, gratidão, propósito de vida, boas relações sociais, espiritualidade e capacidade de lidar com adversidades podem contribuir para melhores condições de saúde.

O médico ressalta, porém, que isso não significa transformar o pensamento positivo em tratamento para doenças cardiovasculares.

“Isso não significa que, isoladamente, pensar positivo previna um infarto ou substitua medicamentos, atividades físicas ou controle do colesterol”, alerta.

Para o especialista, a relação mostra que saúde emocional e cardiovascular estão conectadas tanto por mecanismos biológicos quanto pelo comportamento.

Essa visão exige, segundo ele, que o paciente seja avaliado de maneira integral, levando em consideração diferentes aspectos da rotina e da saúde.

“Não enxergamos o coração sem olhar para o sono, o peso, a espiritualidade e outras questões da vida do paciente”, afirma.

O impacto sobre o sistema cardiovascular, acrescenta, não ocorre de maneira isolada.

“Existe uma combinação entre efeitos diretos e mudanças de comportamento. O coração sofre influência de tudo e tudo influencia o coração”, completa.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade