Da Redação OD – Pedro Coutinho
O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, voltou a detonar a falta de compromisso e regulação sobre as tratativas econômicas e financeiras dos clubes do futebol brasileiro, sobretudo o Santos, Corinthians e Grêmio, que ostentam dívidas milionárias com o clube mato-grossense, mas, até a publicação desta nota, ainda não quitaram as respectivas responsabilidades.
Apesar de direcionar a crítica, a reflexão vale para o futebol nacional de modo geral: para Dresch, é injusto que times como o próprio Dourado, o Remo, Mirassol, que lutam e dão o sangue pagam todas suas providências em dia, mas que perdem na tabela para o Santos, por exemplo, que ostenta dívida superior aos R$ 18 milhões pela contratação do zagueiro Joaquim junto ao Auriverde e, ainda assim, segue empregando jogadores com salários mensais elevadíssimos – como é o caso de Cebolinha e Arthur, as duas contratações recentes do Peixe.
“Como que um clube que está devendo R$ 18 milhões para o Cuiabá contrata um jogador pagando R$ 2 milhões, como o Santos contratou o Arthur, o Cebolinha, que vão fazer a diferença dentro de uma tabela de classificação. [O Santos] Foi lá em Belém e ganhou do Remo, vai ficar na Série A. Como funciona isso? Como o Mirassol vê todo mundo contratando, gastando, e ele pagando em dia, fazendo sacrifício, e o Vasco que entrou com uma recuperação judicial deu um cano gigantesco, o Botafogo da mesma forma, permanecendo na Série A? Isso é injusto”, lamentou Dresch.
“O Santos da mesma forma, a gente vê o Santos, o Vasco também, que deu um calote gigantesco, vão permanecer na Série A através de um estelionato esportivo. É muito grave, ruim para equipes como Mirassol, ruim para o Remo, que está com tudo em dia e vai cair”, completou, na entrevista concedida nesta quarta à ESPN.
Nesta terça-feira (22), o Santos foi condenado pela CBF a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá. A dívida vem da venda do zagueiro Joaquim ao Santos, realizada fevereiro de 2023, e da participação do Dourado na revenda do atleta ao Tigres, do México.
A última parcela venceu em janeiro de 2025. Corinthians: a dívida pela venda do volante Raniele foi incluída pela própria CNRD em plano coletivo de 24 parcelas trimestrais, até 2031, corrigidas apenas pela inflação e sem juros.
São condições extremamente favoráveis ao devedor e duríssimas para o credor. Mesmo assim, a parcela vencida em 17 de julho segue em aberto. Sport: deve cerca de R$ 6 milhões pela venda do lateral Matheus Alexandre. Grêmio: o Cuiabá aguarda julgamento sobre a inclusão de um crédito de aproximadamente R$ 900 mil em plano de pagamento coletivo. Somadas, as dívidas com o Dourado ultrapassam os R$ 40 milhões, o que deixaria o time em melhor situação financeira, já que no momento, conforme explicitado pelo próprio Dourado em publicação oficial, o caixa está “severamente comprometido”.































