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É de interesse do Brasil. *Por Luciano Vacari

JOSE MEDEIROS

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Os bioinsumos são produtos e processos de origem biológica como
microrganismos, macroorganismos, extratos vegetais e biofertilizantes
utilizados para nutrir plantas, controlar pragas e doenças e melhorar a
qualidade do solo. Eles não são uma simples alternativa, mas o resultado de
anos de pesquisa científica, inovação tecnológica e investimentos robustos.
O que os torna tão especiais é a combinação rara de eficiência agronômica e
excelente custo-benefício, um binômio que sempre foi o Santo Graal para
produtores rurais.

Vamos imaginar um campo fértil, vibrante de vida, onde a produção de
alimentos acontece em harmonia com a natureza, com custos mais baixos e
menos dependência de produtos químicos. Pode parecer um cenário idealista,
mas ele está mais próximo da nossa realidade do que nunca, e esse futuro
promissor tem um nome, os bioinsumos. Mais do que uma tendência, eles
representam uma verdadeira revolução na forma como produzir no campo, e o
Brasil está dando passos decisivos para se consolidar como líder global
nessa nova fronteira agrícola.

Eles atuam de forma integrada ao ecossistema, os inoculantes bacterianos,
por exemplo, fixam nitrogênio do ar diretamente nas raízes das plantas,
reduzindo drasticamente a necessidade de fertilizantes nitrogenados
sintéticos, cujo custo e volatilidade no mercado são grandes desafios.
Fungos e bactérias benéficas atuam como agentes de biocontrole, protegendo
as lavouras de pragas e doenças de forma específica, sem os impactos
ambientais colaterais e a resistência gerada por alguns defensivos químicos
tradicionais.

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Além disso, ao promover a saúde do solo e das plantas, os bioinsumos
aumentam a resiliência das culturas, podendo elevar a produtividade a longo
prazo. É uma mudança de paradigma: de um modelo de correção, que trata
problemas, para um modelo de construção, que fortalece a planta e o solo
para prevenir desequilíbrios.

Eles simbolizam a maturidade de um setor que busca conciliar produtividade
recorde com responsabilidade ambiental e econômica. A lei sancionada e o
trabalho em curso para sua regulamentação são os alicerces que permitirão ao
Brasil colher os frutos dessa nova era, um campo mais forte, uma produção
mais limpa e uma nação na vanguarda da agricultura do século XXI.

E esse reconhecimento do potencial estratégico dos bioinsumos para o
agronegócio brasileiro ganhou um marco histórico com a sanção da Lei
15.070/2024, que não apenas valida a importância do setor, mas cria um
caminho seguro para seu crescimento ordenado. A lei estabelece definições
claras, diretrizes para pesquisa, produção, registro e comercialização,
oferecendo a segurança jurídica que empresas e investidores tanto
demandavam. Mas para garantir que a lei seja implementada de forma eficaz e
prática é preciso a sua regulamentação.

Este é o momento em que a revolução técnica se encontra com a construção
política, onde recentemente, mais de 30 entidades representativas do setor,
de produtores à indústria, construíram uma proposta justamente para
subsidiar a regulamentação do tema, baseados na ciência e no diálogo
institucional.

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É um movimento silencioso em prol da aprovação de uma regulamentação
inteligente e moderna.

É um movimento que envolve desde o pequeno produtor familiar, que busca
autonomia e redução de custos, até as grandes corporações do agronegócio,
que enxergam a sustentabilidade como vetor de competitividade no mercado
internacional, e é claro, sua regulamentação agrada e incomoda muita gente,
mas acima de tudo o tema é de interesse do Brasil!

Saem os técnicos, entram os políticos, e que Deus nos ajude.

*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria

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