CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

Enem: veja dicas de preparação e 9 sugestões de tema para treinar a redação

Black male psychologist writing in notepad, taking notes at private clinic. African american therapist with pen in hand, documenting on clipboard during session in brick wall office.

publicidade

Educadores detalham a estrutura do texto dissertativo, explicam os critérios de correção e listam propostas alinhadas aos desafios da sociedade brasileira

São Paulo, 10 de setembro de 2026 – Considerada uma das etapas mais decisivas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a redação exige do candidato a produção de um texto dissertativo-argumentativo, em até 30 linhas, focado em um assunto de relevância social, cultural, científica ou política. Além de defender uma tese com coesão e coerência, o estudante deve mobilizar repertório sociocultural legítimo e elaborar uma proposta de intervenção detalhada que respeite os direitos humanos. O desafio não é pequeno: na última edição da prova, entre 3,37 milhões de participantes, apenas 10 candidatos tiraram nota máxima na redação, 1000 pontos.

Clique aqui para baixar a sugestão de imagem. Crédito: Magnific.

Segundo o professor de língua portuguesa e redação da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP), Thiago Silverio Barbosa, a construção do texto envolve o domínio dos critérios de correção da banca e a criação de uma rotina constante de escrita. “O texto não é um teste de talento literário, mas de técnica e articulação de ideias. O candidato precisa dominar a estrutura dissertativa, usar boas ligações entre as frases e parágrafos, além de mostrar conhecimentos de outras áreas para defender suas ideias.”
Como se preparar para a redação?
Para estruturar a rotina de estudos, a professora de redação do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP), Thaís Torres, orienta os candidatos a praticarem a escrita regularmente com o acompanhamento de um professor ou alguém que possa revisar o texto. “A prática constante associada à reescrita permite aprimorar a capacidade de articulação de ideias e corrigir falhas gramaticais e estruturais antes do dia da prova.”
Entre as práticas essenciais para a preparação de alto nível, Thaís destaca:
Escrita semanal e reescrita crítica: produza pelo menos um texto por semana e, após a correção pedagógica, reescreva a redação ajustando os erros e pontos fracos apontados;
Mapeamento de argumentos-chave: construa e organize um repertório coringa, contendo conceitos filosóficos, sociológicos, leis e fatos históricos, que possa ser adaptado a diferentes propostas de redação;
Domínio dos cinco elementos da proposta de intervenção: garanta que a sua solução traga o agente (quem faz), a ação (o que fará), o meio/modo (como fará), o efeito (para que fará) e detalhamento (informação extra explicando melhor um desses pontos), aspectos fundamentais para que os corretores da prova atribuam boa pontuação à produção textual;
Treino com tempo cronometrado: simule o tempo real de prova (entre 1h e 1h15) para organizar o planejamento do texto, a elaboração do rascunho e a passagem a limpo.
Como construir repertório para a redação?
Acompanhar os debates públicos e os principais acontecimentos do Brasil e do mundo é indispensável para construir um repertório sociocultural consistente. Segundo o professor de português do Brazilian International School (BIS), de São Paulo (SP), Lino Gonzaga de Oliveira, estar atento às notícias enriquece a capacidade argumentativa.
“Acompanhar o noticiário com senso crítico amplia a visão de mundo do estudante e permite estabelecer conexões consistentes entre as disciplinas e os problemas contemporâneos. Essa bagagem informativa é o que sustenta um repertório legítimo e produtivo na redação. Quando o aluno se familiariza com os eixos temáticos da sociedade contemporânea, ele consegue estruturar a tese com muito mais clareza e propor intervenções viáveis e alinhadas aos direitos humanos”, diz Lino.
Sugestões de temas para treinar a redação
Na opinião da professora de redação da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), Maísa Santos, o treino focado em temas atuais fortalece a confiança do estudante no dia do teste. “Mais do que um exame de escrita, a prova de redação do Enem é uma prova de leitura e escrita. Afinal, a banca do ENEM avalia a capacidade de analisar a realidade brasileira, o que passa pela leitura atenta e pela boa interpretação dos textos motivadores articulados a um repertório sociocultural consistente. Ao treinar com temas alinhados aos desafios do nosso tempo, o candidato aprimora essa leitura crítica, fortalece suas teses e elabora propostas de intervenção viáveis e respeitosas aos direitos humanos.”
A seguir, a docente da Aubrick elenca nove sugestões de temas para treinar a redação:
A importância de garantir a segurança de crianças e adolescentes no ambiente on-line: garantir a segurança infantojuvenil no ambiente digital exige ações integradas e marcos legais efetivos, como o ECA Digital. O debate é urgente frente aos riscos postos pela lógica algorítmica, que estimula o uso compulsivo das redes, e pela crescente exposição de jovens à naturalização da violência em ambientes virtuais.
Caminhos para a consolidação de combustíveis não fósseis na matriz energética brasileira: no contexto contemporâneo, a diversificação e a consolidação de matrizes não fósseis constituem premissas indispensáveis para a soberania energética e para o cumprimento das metas ambientais globais.
Caminhos para combater o desaparecimento de pessoas no Brasil: combater o desaparecimento de pessoas no Brasil exige uma resposta rápida, integrada e humanizada do poder público. Superar esse drama social passa pelo fortalecimento de bancos de dados nacionais unificados, pela capacitação das forças policiais para o atendimento imediato às famílias e pelo uso de tecnologias de identificação e inteligência no rastreio de desaparecidos.
Caminhos para garantir a conciliação entre qualidade de vida, produtividade e relações de trabalho no Brasil contemporâneo: debater esse tema é urgente para assegurar que o desenvolvimento econômico do país ocorra em bases éticas, nas quais o bem-estar dos indivíduos e a dignidade humana sejam a prioridade, e não apenas custos de produção.
Caminhos para o enfrentamento ao tráfico humano e à exploração de pessoas no Brasil contemporâneo: traçar caminhos efetivos contra o tráfico humano e a exploração de pessoas no Brasil implica agir tanto na prevenção quanto na punição e no acolhimento. É indispensável intensificar o combate às redes criminosas, promover campanhas permanentes de conscientização e assegurar que as vítimas recebam suporte jurídico, psicológico e social para a reconstrução de suas trajetórias com dignidade.
Desafios para a preservação da soberania do Brasil no século XXI: a urgência desse debate evidencia-se no contexto atual, em que garantir a soberania nacional tornou-se condição indispensável para assegurar a autonomia política, a justiça social e a proteção do patrimônio do país frente às ameaças globais contemporâneas.
Dilemas éticos diante do avanço da Inteligência Artificial: diante do avanço acelerado da IA, os dilemas éticos tornam-se inevitáveis. Os impactos dessa tecnologia na educação, a manipulação do processo eleitoral e o uso de desinformação para a destruição de reputações seguem como temas prioritários no debate público.
Os desafios para a efetivação da Lei Maria da Penha e o combate à violência de gênero no Brasil: embora o tema da violência contra a mulher já tenha sido abordado em 2015, é importante considerar que o Enem, eventualmente, revisita eixos temáticos. Além disso, em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos de sanção com importantes atualizações legislativas e jurisprudenciais que ampliaram a proteção às mulheres no Brasil.
Os desafios para o incentivo e a valorização da participação feminina na ciência no Brasil: incentivar e valorizar o protagonismo feminino no cenário científico nacional é indispensável para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. Os desafios vão além do ingresso nas universidades: envolvem a garantia de permanência, o financiamento equitativo e o reconhecimento histórico do trabalho intelectual das mulheres, fundamentais para a democratização e a diversidade na produção do conhecimento.
O ENEM
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi instituído em 1998 e tornou-se a principal porta de entrada para a universidade no Brasil. A prova permite o acesso a programas públicos educacionais como o Prouni (Programa Universidade para Todos), Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e Fies (Fundo de Financiamento Estudantil); além de muitas universidades privadas, inclusive no exterior, usarem os resultados do exame em substituição aos vestibulares tradicionais.
O Enem é aplicado em dois domingos seguidos em locais de aplicação por todos as regiões do território nacional. Em 2026, as provas acontecem em 8 e 15 de novembro. Foram registrados para esta edição 5.055.818 de inscritos, alta de 5,08% em relação a 2025, e maior número de participantes confirmados desde 2020.
No primeiro dia, os candidatos farão as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (45 questões de Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira/Inglês ou Espanhol, Artes e Educação Física), Ciências Humanas e suas Tecnologias (45 questões de História, Geografia, Filosofia e Sociologia) e a Redação. No segundo dia, é a vez das provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias (45 questões de Biologia, Química e Física) e Matemática e suas Tecnologias (45 questões de Matemática).
Podem participar do Enem pessoas que estejam cursando (como “treineiros”), que já concluíram, ou que estejam concluindo o Ensino Médio. É possível ainda usar o resultado do Enem para obter o certificado de conclusão dos estudos, contanto que o participante tenha 18 anos completos na data da primeira prova, e alcançar ao menos 450 pontos em cada área do conhecimento e 500 pontos na redação.
Os especialistas
Lino Gonzaga de Oliveira é graduado em Letras com habilitação em Português, e possui pós-graduação em Língua Portuguesa e Literatura e em Psicopedagogia. Atua há vinte e três anos na área educacional, tendo experiência como docente para o Ensino Fundamental, Médio e Ensino Superior.
Maísa Angélica Santos é professora antirracista de Língua Portuguesa, graduada em Letras e bacharela em Linguística pela Universidade de Campinas (UNICAMP). Leciona, desde 2009, em cursos Pré-Vestibulares, além do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Atualmente, é professora da Escola Bilíngue Aubrick, em São Paulo (SP).
Thais Torres é doutora em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP) e possui mestrado pela mesma instituição. Graduada em Letras na UNICAMP, atua há 20 anos como professora de redação. É professora do Colégio Progresso Bilíngue desde 2019.
Thiago Silvério Barbosa é doutorando e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde atuou como bolsista CAPES, e graduado em Letras pela mesma instituição. Com 16 anos de experiência docente, atualmente leciona Língua Portuguesa e Convivência Ética na Escola Internacional de Alphaville. Sua trajetória é marcada pela versatilidade pedagógica, incluindo passagens por cursos pré-vestibulares e preparatórios para o Enem. No campo da pesquisa, integra o grupo “Psicanálise e Teoria Crítica: Teorias da Subjetivação” (CEBRAP/Núcleo Direito e Democracia). Complementando sua formação interdisciplinar, possui especialização em Psicanálise e Análise do Cotidiano pela PUC-SP, além de formação clínica em Psicanálise.

Leia Também:  PROTEÇÃO ÀS MULHERES "Luta deve ser de toda a sociedade, principalmente dos homens", diz Lula, ao assinar Pacto Nacional contra o Feminicídio

Sobre a ISP – International Schools Partnership

A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. A ISP apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global. O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tendo acesso a educadores apaixonados e experientes, e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades; e aprimore seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo. Para mais informações, acesse o site.


Contatos para a imprensa – FSB Comunicação

Vagner Lima

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade