Jú Baiana ao lado do Maestro Joãozinho do Cavaco e da Banda Bola de Ouro
O repertório foi um passeio pela música brasileira, com destaque para a MPB e o rask, gênero de raízes regionais que carrega a identidade da terra
Um dos momentos mais marcantes da 38ª edição do Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães, realizado no último domingo, 3 de agosto de 2025, foi a apresentação vibrante da cantora Jú Baiana ao lado do Maestro Joãozinho do Cavaco e da Banda Bola de Ouro. O espetáculo reuniu emoção, música de qualidade e uma reverência profunda à história e à cultura de Mato Grosso.
No palco, Jú Baiana encantou com sua presença elegante, seu timbre forte e sua energia contagiante. O repertório foi um passeio pela música brasileira, com destaque para a MPB e o rask, gênero de raízes regionais que carrega a identidade da terra. A Banda Bola de Ouro — formada por Professor Fabinho (contra-baixo), Professor Paulo Lopes (guitarra), Jú Baiana (voz) e Joãozinho do Cavaco (piano) — deu brilho à performance com arranjos refinados e um entrosamento invejável.
Entre as canções, o ponto alto da noite foi a interpretação da belíssima “Chapada dos Guimarães”, composta em 1985 por Joãozinho do Cavaco com letra do saudoso poeta cuiabano João Bosquo Cartola. Gravada por Jú Baiana em seu álbum de 1997, a música voltou a ecoar no cenário que a inspirou, emocionando o público com versos que falam da alma chapadense.
“Em Chapada e chamada dos Guimarães
tem um menino que, quando é domingo,
inventa que é navegador-pirilampo
e sai pelos rios e cachoeiras
brincando com os peixes brilhantes
até chegar no sol, no sal do mar
e fica só, sozinho em Salgadeiras…”
O casal de artistas relembrou, com emoção visível, sua primeira participação no evento ainda em 1986, durante o 3º Festival de Inverno. Naquele tempo, Jú Baiana integrava o Projeto VIDA/EPT da Secretaria de Educação, e Joãozinho do Cavaco se apresentava com o tradicional Conjunto Cuiabanda.
Mais de 30 anos depois, o reencontro com o palco da Chapada reafirmou o compromisso dos artistas com a música regional. “Poder viver de música, se apresentando em Chapada dos Guimarães, contemplando a natureza, é como conversar com Deus pessoalmente, exaltando a perfeição da criação. Gratidão infinita!”, declarou a Banda Bola de Ouro ao final da apresentação, sob aplausos calorosos.
A noite foi um verdadeiro tributo à memória, à cultura e ao afeto. Jú Baiana e Joãozinho do Cavaco agradeceram a Deus, ao público que prestigiou, aos organizadores do festival e à imprensa mato-grossense, que se mantém firme na missão de valorizar a arte, a literatura, a música e o teatro regionais.
A coluna, claro, aplaude de pé!
Álbum de fotos

































