PELAS RUAS DE CUIABÁ
De um grupo de amigos que queria prolongar a ‘resenha’ a uma equipe que atravessa quase 6 décadas, o futebol amador reúne histórias, famílias e amizades dentro e fora de campo. Muito antes dos grandes estádios, das arquibancadas lotadas e dos holofotes, existe o futebol que nasce no bairro. É o jogo do fim de semana, a camisa que reúne amigos, o churrasco depois da partida e as histórias que passam de uma geração para outra.
Em Cuiabá, dois times com trajetórias diferentes mostram como a paixão pelo futebol pode criar vínculos que vão muito além das quatro linhas. De um lado, o 12 Horas F.C., que nasceu há sete anos da amizade entre 3 pessoas, do outro, a Associação Atlética Vila Nova, que carrega 59 anos de história e já chegou à terceira geração de uma mesma família.
Da resenha para o campo
Há 7 anos, 3 amigos que gostavam de passar horas juntos, entre conversas e brincadeiras, decidiram levar a amizade para dentro de campo. Assim nasceu o 12 Horas F.C.
“Eram três amigos que gostam de resenhar por muito tempo. Aí procuramos um nome que rimasse com o tempo de resenha”, conta Weliton Gonçalves.
O que começou na brincadeira acabou se transformando em um time que continua ativo até hoje, e uma das características que mais chama atenção é que os jogadores que participaram da formação inicial continuam fazendo parte da equipe.
Entre eles está “Papai Telo”, de 56 anos, o jogador mais velho do grupo. A equipe também já tem uma conquista para guardar na memória: foi campeã da Copa do bairro. Mas, para quem faz parte do 12 Horas, o futebol nunca foi apenas sobre ganhar partidas.
A amizade construída entre os jogadores se estende para fora do campo, com churrascos, encontros e muita resenha. “Amizade e resenha, churrasco e cachaça”, brinca Weliton Gonçalves.
Ainda não há uma história de jogadores passando pelo time de pai para filho ou neto, mas as famílias já fazem parte da rotina da equipe e acompanham de perto essa trajetória.
59 anos de história
Se o 12 Horas ainda escreve os primeiros capítulos de sua história, a Associação Atlética Vila Nova já atravessa gerações.
Fundado em 1967, o time surgiu às margens da BR-364, no km 10, região que atualmente corresponde ao bairro São Francisco.
Na época, a realidade era bem diferente. Não havia sequer um campo de futebol naquela região, mas isso não impediu que Tolentino e Henrique Pedroso reunissem primos, irmãos e amigos para jogar nos fins de semana.
“O time começou com a ideia de juntar primos, irmãos e amigos para a diversão no fim de semana, haja vista que naquela época não havia nem sequer um campo de futebol nessa região, muito menos pessoas suficientes para montar um time”, conta Bene.
A vontade de jogar foi suficiente para dar início a uma história que continua viva quase seis décadas depois. Atualmente, o Vila Nova participa de amistosos e campeonatos e também mantém uma escolinha de futebol. Alguns dos jogadores que fizeram parte dos primeiros anos já não entram mais em campo, mas o vínculo com a equipe permaneceu.
Hoje, o jogador mais velho em atividade tem 62 anos. Há também atletas que carregam décadas de história dentro do time.
E a tradição ultrapassou as quatro linhas. A atual diretoria é formada por filhos e netos dos fundadores, fazendo com que a história iniciada por Tolentino e Henrique Pedroso continue sendo construída pelas novas gerações.
“O time só existe porque somos uma família”, resume Bene.
Quando o futebol vira memória
Ao longo de 59 anos, o Vila Nova acumulou partidas, campeonatos e encontros. Para a equipe, não existe apenas um momento que possa ser apontado como o mais marcante. A própria permanência do time já representa uma parte importante dessa história.
“Somos um time que agrega todo o bairro e uma região. Formado por famílias acima do esporte, prezam pela amizade. É isso que nos mantém fortes.” fala Bene.
No 12 Horas, a história ainda é mais recente, mas a essência é parecida. A equipe nasceu da amizade de 3 pessoas que encontraram no futebol uma maneira de manter vivo o encontro entre os amigos.
No Vila Nova, a bola atravessou gerações. No 12 Horas, a resenha virou camisa, time e história.
São trajetórias diferentes, mas que mostram que, no futebol de bairro, o placar nem sempre é o que mais importa. O que fica são as amizades, as famílias, as histórias compartilhadas e a vontade de continuar entrando em campo. Porque, enquanto houver quem vista a camisa, encontre os amigos e faça a bola rolar, a história continua.































