problemas em migrar tratamentos
O governo de Mato Grosso voltou atrás na decisão de deixar a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá e confirmou que manterá a atuação estadual na unidade. A reavaliação ocorreu diante da impossibilidade de migrar todos os atendimentos do local para o Hospital Central ou para o Hospital de Câncer de Mato Grosso.
“Vamos apresentar uma proposta para a aquisição definitiva da Santa Casa e iremos definir quais outros serviços serão ofertados no local”, anunciou o governador Mauro Mendes (União), na manhã desta quarta-feira (11).
O Estado havia anunciado que deixaria a gestão hospitalar assim que o Hospital Central abrisse as portas. A previsão inicial era setembro, mas a inauguração ocorreu somente em dezembro, com a primeira consulta realizada em janeiro deste ano.
Assim que todos os serviços fossem migrados para outras unidades, a Santa Casa seria entregue à Justiça do Trabalho, responsável pelo prédio. Contudo, conforme explicou o governador, nem todos os atendimentos foram absorvidos por instituições médicas regionais e, por isso, a gestão estadual no local será mantida.
“Não conseguimos migrar dois serviços por suas especificidades: oncologia e hemodiálise. Não encontramos uma alternativa viável. Falamos com o Hospital de Câncer, mas ele não consegue atender a demanda. Assim, ficaríamos desguarnecidos. Foi uma decisão técnica da equipe que está debruçada sobre este assunto desde o ano passado. Não iríamos deixar a população desassistida”, justificou o governador.
Entretanto, manter apenas esses dois atendimentos seria inviável devido ao alto valor de manutenção da Santa Casa, que funciona em um prédio com mais de 200 anos e é tombado, o que exige cuidados diferenciados.
Histórico de venda
Desde que o Estado formalizou o desinteresse em continuar na Santa Casa, sob gestão estadual desde 2019 após uma grave crise econômica, a Justiça do Trabalho abriu leilões para a venda do prédio. Contudo, não houve lances. Posteriormente, empresas de saúde protocolaram ofertas para a compra, todas abaixo do valor solicitado pela Justiça, uma de R$ 20 milhões e outra de R$ 30 milhões.
O valor obtido com a venda do imóvel será direcionado para o pagamento de dívidas trabalhistas de ex-funcionários que esperam pelas verbas há anos. As ofertas registradas, porém, não suprem o total do débito trabalhista, que está em R$ 48 milhões. Além dos leilões, houve tratativas com a Assembleia Legislativa (ALMT) e com a Prefeitura de Cuiabá para a compra da unidade, mas nenhuma se concretizou.
Oferta de R$ 25 milhões
Cirurgias, home care e oncologia serão mantidos na Santa Casa, afirma Estado
Após anunciar a intenção de compra da Santa Casa de Misericórdia na manhã desta quarta-feira (11), o governador Mauro Mendes (União) afirmou que o Estado fará uma oferta de R$ 25 milhões, utilizando recursos 100% próprios. O governador justificou que a verba para a aquisição já é, indiretamente, direcionada à saúde por meio da judicialização de serviços que, segundo ele, passarão a ser ofertados sem que o paciente precise recorrer à Justiça. Apesar da oferta abaixo do valor cobrado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), o Estado confira que a carta de serviços mantidos pede na decisão para acolher o lance.
“Fizemos um estudo técnico sobre quais serviços seriam mantidos e quais poderiam ser transferidos. Teremos ali o home care, pois hoje esses casos estão todos judicializados. Também teremos uma central de imagem e uma central de cirurgias de baixa complexidade, onde o paciente interna em um dia e sai no outro, dando celeridade ao programa Fila Zero”, explicou o chefe do Executivo.
De acordo com o governador, a decisão inicial era abrir mão da Santa Casa e remanejar os atendimentos assim que o Hospital Central fosse inaugurado, o que ocorreu em dezembro. Contudo, a avaliação do governo mudou ao constatar que nem todas as especialidades ofertadas na unidade seriam absorvidas por outros hospitais. “É a solução que melhor vai atender, melhorar e complementar o serviço de saúde do Estado para a população de Mato Grosso”, garantiu Mendes.
Histórico
O governo de Mato Grosso assumiu a gestão da instituição em 2019, após uma grave crise financeira que resultou em greves e 11 meses de salários atrasados. O espaço foi reformado e passou a se chamar Hospital Estadual Santa Casa. Até hoje, restam dívidas trabalhistas a serem quitadas, e o valor obtido com a venda do prédio será destinado ao pagamento desses débitos.
Leilão
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a venda direta de todo o complexo pelo valor mínimo de R$ 54,7 milhões, equivalente a 70% da avaliação mercadológica de R$ 78,2 milhões, homologada em abril de 2025. O anúncio da venda foi feito em junho do ano passado.
Desde então, houve apenas duas propostas formais: uma do Instituto São Lucas, de R$ 20 milhões, e outra do Instituto Evangelístico São Marcos, de Santos (SP), no valor de R$ 40 milhões (com carência de 12 meses e parcelas mensais de R$ 500 mil). A Prefeitura de Cuiabá chegou a sinalizar um lance de R$ 30 milhões, mas a proposta não foi formalizada.
Como o valor de R$ 25 milhões oferecido pelo Estado está abaixo da oferta da instituição paulista e do mínimo estipulado pelo TRT, a proposta ainda depende de aceitação da Justiça.






























