Os líbio-brasileiros Ahmed Hasan e a esposa, Malak Treki, foram acusados de tráfico de drogas e presos na primeira audiência do caso, em 30 de novembro do ano passado.
Aos 2 anos e meio e 1 ano e meio de idade, os dois filhos do casal líbio-brasileiro que foi vítima do “golpe da mala” no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando viajava para a Turquia em outubro de 2022, estão deprimidos. Segundo a defesa, eles choram ao perguntar pelos pais, que estão presos por tráfico de drogas desde novembro do ano passado.
A defesa também afirma que o casal teve as etiquetas das malas trocadas por quadrilhas e colocadas em bagagens com grandes quantidades de cocaína enviadas para o exterior.
Em março de 2023, em situação parecida, outras duas brasileiras ficaram presas injustamente na Alemanha após terem a etiqueta colocada em uma mala cheia de cocaína. Kátyna Baía e Jeanne Paollini ficaram detidas por 38 dias.
No caso de Ahmed Hasan, líbio com cidadania brasileira, e da esposa dele, Malak Treki, o Fantástico mostrou em novembro do ano passado imagens exclusivas da apreensão das duas bagagens com etiquetas do casal com 43 kg de cocaína. Ambas foram embarcadas em Guarulhos em nome dele e da mulher.
A advogada Luna Provázio, que representa o casal no Brasil, diz que a Justiça turca justificou a prisão do casal em dois principais aspectos:
- Pelo fato de eles serem estrangeiros e haver o risco de supostamente fugirem da Turquia;
- Pela acusação de tráfico internacional de 43 kg de cocaína.
“Ambos os argumentos são totalmente infundados, pois o casal sempre contribuiu com a investigação. A senhora Malak, inclusive, foi pessoalmente para a Turquia participar da audiência por livre e espontânea vontade”, disse a advogada.
Segundo apurado pelo g1, os dois permanecem presos provisoriamente até a próxima audiência, prevista para 24 de janeiro. A última audiência está marcada para 7 de março.
“Os filhos estão ficando depressivos e perguntando sobre os pais o tempo todo. Ahmed também faz uso de medicamentos contínuos, essenciais para sua saúde, e lá no presídio não estão entregando os medicamentos para ele de forma correta.”
Relatórios e provas produzidas pela Polícia Federal do Brasil já foram enviadas oficialmente via Ministério da Justiça para a Turquia.
“O que eles estão passando é uma injustiça absurda. Tanto pelo fato de serem inocentes e estarem presos por um crime que não cometeram, quanto pelas crianças que estão longe dos pais e sofrendo nessa fase tão vulnerável e dependente da vida”, explica a advogada. As duas crianças estão com tios.
O casal é considerado inocente pela Polícia Federal. Não há inquérito policial nem processo contra eles no Brasil. Eles também não possuem antecedentes criminais, segundo a defesa.
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Etiquetas retiradas de mala de casal em SP — Foto: Reprodução/TV Globo
Anteriormente, o g1 procurou o Itamaraty, que encaminhou nota a respeito da contribuição sobre o caso por parte das autoridades brasileiras.
“O Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Istambul, tem conhecimento do caso e tem prestado assistência consular devida, desde julho do ano corrente, quando foi procurado pelo nacional. Em observância ao direito à privacidade e ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, informações detalhadas poderão ser repassadas somente mediante autorização dos familiares diretos. Assim, o MRE não poderá fornecer dados específicos sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros.“
Já o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) informou que não comentar casos em andamento.
Entenda o caso
Hasan, que tem cidadania brasileira e morava em São Paulo, e a família embarcaram em Guarulhos em 22 de outubro de 2022. Ao desembarcarem no aeroporto de Istambul, na Turquia, eles seguiram normalmente para casa.
“Nós pegamos toda a nossa bagagem, nossos passaportes foram carimbados e entramos normalmente. Nada aconteceu”, contou Hasan ao Fantástico antes de ser preso. Eles ficaram alguns dias na Turquia e, depois, foram para a Líbia, onde decidiram morar.
Em maio do ano passado, ao retornar sozinho à Turquia a trabalho, Ahmed foi preso por um dia e depois solto com proibição de sair do país.
“Ela [uma advogada turca] disse que eu estava sendo acusado de tráfico internacional de drogas. Eu me assustei, quase morri. Foi um choque enorme para mim”, contou.
Depois, foi marcada a audiência em novembro. Ele e a mulher, que até então estava na Líbia, foram para a audiência e lá foram decretadas as prisões provisórias, que são mantidas ainda.
As malas com a droga só saíram quatro dias depois de Guarulhos para a Turquia, em 26 de outubro de 2022.
“Alguém retirou essa etiqueta, mas, em vez de usar no próprio dia, [a pessoa] guardou para usar alguns dias depois no voo onde foi a droga efetivamente”, explicou o delegado Felipe Lavareda, da Polícia Federal.
Em nota anterior, a concessionária que administra o aeroporto de Guarulhos disse que as companhias aéreas são as responsáveis pelo manuseio das bagagens. A Turkish Airlines e a Embaixada da Turquia no Brasil não deram detalhes.
Imagens no aeroporto
Os investigadores suspeitam da movimentação de um ônibus de transporte de passageiros. Nas imagens obtidas pelo Fantástico é possível ver que o veículo sai do aeroporto e só retorna à noite.
Por volta das 21h40, o ônibus vai para um galpão acompanhado de outro veículo. Nesse local, não há câmeras de segurança.
Em seguida, em direção ao galpão, passa uma carretinha que leva cargas para os aviões. Segundo a polícia, seria o mesmo carro que aparece ao lado do avião da Turkish Airlines, que a família de Ahmed pegou.
Essa carretinha teria levado a cocaína do ônibus para o avião, mas não foram encontradas imagens do momento do embarque da droga.
https://g1.globo.com/sp/sao-paulo

































