A 43ª edição do Festival Internacional de Pesca Esportiva (FIPe) de Cáceres, que começa nesta sexta-feira (3), é mais uma demonstração de que a região Oeste possui um potencial que não pode ser lembrado apenas durante grandes eventos. O festival é tradição, cultura e lazer, mas é, acima de tudo, uma importante vitrine econômica. Durante esses dias, hotéis, restaurantes, comércio, serviços e pequenos empreendedores sentem o impacto positivo do fluxo gerado pelo turismo.
Esse é o ponto central: ao realizar o FIPe, Cáceres apresenta ao Brasil sua capacidade de movimentar a economia a partir da própria identidade. O Rio Paraguai, o Pantanal, o centro histórico, a pesca esportiva e a gastronomia formam um conjunto de oportunidades que precisa ser tratado como política permanente de desenvolvimento.
Os números confirmam o que Cáceres vivencia durante o evento: turismo é economia. Em Mato Grosso, a arrecadação de ICMS das atividades ligadas ao setor cresceu 203% em cinco anos, saltando de R$ 31,1 milhões em 2020 para R$ 94,3 milhões em 2024. Isso mostra que eventos bem estruturados não atraem apenas visitantes, mas geram emprego, renda e oportunidades para quem vive nos municípios.
No entanto, o desafio da “Princesinha do Paraguai” é transformar esse potencial sazonal em fluxo constante de visitantes e geração de renda. Para isso, é preciso ir além da realização de eventos. O FIPe deve ser o ponto de partida para uma agenda mais ampla, que inclua infraestrutura adequada, capacitação profissional, divulgação permanente e integração com outros destinos da região, como Vila Bela da Santíssima Trindade, Jauru e Pontes e Lacerda.
Essa construção passa, obrigatoriamente, pela sustentabilidade. O turismo na região somente será viável a longo prazo se estiver aliado à preservação do Rio Paraguai e do Pantanal. Valorizar a pesca esportiva é também valorizar a educação ambiental, o respeito às regras e a consciência de que desenvolvimento e conservação precisam andar juntos.
Essa visão de sustentabilidade ganha ainda mais relevância no momento estratégico que Cáceres vive, em que a cidade está no centro de debates importantes sobre logística, integração com a Bolívia, Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e desenvolvimento da faixa de fronteira. Unir infraestrutura, turismo, cultura e ecoturismo é o caminho para fazer a região prosperar, beneficiando o comércio local, os pequenos empreendedores, o setor produtivo e toda a comunidade.
A região Oeste tem localização, história, cultura e natureza – ativos valiosos que precisam ser tratados como prioridade pública. O FIPe é motivo de orgulho para Cáceres e para todo o estado, mas a maior homenagem que podemos fazer a esse festival é trabalhar para que a energia gerada nestes dias não termine quando o evento acaba. As oportunidades precisam permanecer, transformando o turismo em fonte constante de renda, dignidade e desenvolvimento sustentável para a população.
*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT































