Em Pontes e Lacerda, as operações contra garimpo ilegal ainda chamam mais atenção que a soja
“O garimpo nunca gerou receita. Não gerava e não gera. Zero receita”, reclama o prefeito de Poxoréu, Nelson Paim (PDT).
“A soja, sim, gera receita. Gera ICMS”, assinala ele.
De acordo com dados da Secretaria de Fazenda (Sefaz), Poxoréu arrecadou R$ 119,7 milhões nos últimos seis anos.
A parcela de participação do município na receita anual do Estado saltou de R$ 13,1 milhões, em 2018, para R$ 25,5 milhões no ano passado.
A extração de diamante, diz Paim, se exauriu, apesar de alguns ainda insistirem na atividade, explorando manualmente o solo.
Da busca desenfreada do diamante, só sobraram áreas devastadas.
O solo revirado se transformou em pedreiras, de onde se retiram materiais para a construção civil, como areia e cascalho.
Apostando na sorte, muitas pessoas reexploram esses lugares.
Elas lavam o cascalho, que já havia sido lavado.
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Em Pontes e Lacerda, garimpos ilegais de ouro estão em atividade, gerando conflitos sociais e contendas judiciais
Esquadrinham tudo, na esperança de bamburrar.
Ou seja, tirar a sorte grande, encontrando ao acaso um diamante que possa se constituir, inesperadamente, na sonhada riqueza.
Segundo Nelson Paim, hoje, a economia de Poxoréu se baseia na agricultura, pecuária e comércio.
Cada setor, diz ele, representa um terço da arrecadação.
Mas a pecuária, embora fundamental, com 400 mil cabeças (dados de 2022), deve ceder espaço, em ocupação territorial, ao plantio de soja, segundo o prefeito.
“Ampliação da área de soja é um processo natural. Está relacionado ao aumento da rentabilidade”, analisa ele.
“A pecuária continuará sendo importante, mas ocupando áreas menores”, assinala Paim.
PONTES E LACERDA – Em Pontes e Lacerda (448 km a Oeste de Cuiabá), garimpos ilegais de ouro estão em atividade, gerando conflitos sociais e contendas judiciais.
Cada nova mina descoberta e desativada por ação de forças policiais deixa para trás as marcas de destruição na vegetação e no solo.
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Pontes e Lacerda: o fluxo migratório para a região foi grande nas décadas de 70 e 80, na corrida pelo metal precioso
Em uma das últimas grandes operações, em março deste ano, a Polícia Federal prendeu 18 pessoas e queimou maquinários.
Em uma operação maior, em dezembro de 2023, pelo menos R$ 20 milhões em maquinários e apetrechos empregados na extração ilegal de ouro foram destruídos.
A destruição pelo fogo têm sido a técnica usada para tentar impedir a reincidência da exploração ilegal.
No município, há minas legalmente autorizadas pelo poder público. Essas são submetidas à fiscalização.
































