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GUERRA NO ORIENTE MÉDIO; Israel acusa Irã de lançar mísseis em seu território; troca de ataques ameaça cessar-fogo e coloca negociações de paz em risco

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Bombardeios dos dois lados elevaram a tensão na região e provocaram preocupação de potências envolvidas nas tentativas de mediação do conflito

Da redação

A retomada dos confrontos entre Israel e Irã aumentou a instabilidade no Oriente Médio e passou a ameaçar as negociações diplomáticas que buscam encerrar a guerra na região. Neste domingo (7), Israel acusou o Irã de lançar mísseis contra seu território, no primeiro ataque desse tipo desde a entrada em vigor de um cessar-fogo considerado frágil no início de abril.

A televisão estatal iraniana confirmou o disparo dos mísseis. Explosões foram registradas no norte de Israel, que respondeu com ataques contra alvos localizados nas regiões oeste e central do Irã.

A nova escalada ocorreu horas após Israel bombardear os subúrbios do sul de Beirute, no Líbano. A ação foi justificada pelo governo israelense como uma resposta a disparos realizados pelo Hezbollah contra cidades do norte do país. O grupo libanês é apoiado pelo Irã e rejeitou um acordo de cessar-fogo recentemente negociado entre Israel e o governo do Líbano com mediação dos Estados Unidos.

Após os ataques, Teerã voltou a alertar para possíveis consequências da retomada das hostilidades. Nesta segunda-feira (8), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que a ofensiva poderá afetar diretamente as negociações diplomáticas em andamento.

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“É perfeitamente natural que o processo diplomático iniciado para pôr fim a esta guerra imposta seja afetado”, declarou durante entrevista coletiva em Teerã.

A China também demonstrou preocupação com a deterioração da situação e defendeu a manutenção da trégua. O porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian, afirmou que uma nova escalada militar não beneficia nenhuma das partes envolvidas.

“Retomar as hostilidades não interessa a nenhuma das partes”, disse. “Espera-se que todas as partes envolvidas cumpram seu compromisso com o cessar-fogo”.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, o ataque israelense em Beirute atingiu um prédio residencial, deixando duas pessoas mortas e outras 20 feridas. O episódio ampliou os temores de uma expansão do conflito para outros países da região.

Enquanto isso, os Estados Unidos tentam preservar as negociações em curso com o Irã. O presidente Donald Trump afirmou que pretendia pedir ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que evitasse uma resposta militar ao lançamento dos mísseis iranianos para não comprometer as tratativas.

“Os ataques iranianos não machucaram ninguém. Com sorte, Israel não vai retaliar”, afirmou. “Estamos muito perto de um acordo final com o Irã. Vai ser um bom acordo. Eu não quero que isso exploda por causa do que está acontecendo agora.”

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Os apelos, porém, não impediram uma nova ofensiva israelense. As Forças de Defesa de Israel anunciaram nesta segunda-feira ataques contra alvos militares iranianos, classificados pelo governo como pertencentes ao “regime terrorista” do país.

A intensificação do conflito também teve reflexos no mercado internacional. Após a confirmação dos bombardeios, os preços do petróleo aceleraram os ganhos e passaram a registrar alta próxima de 4%.

Em paralelo aos confrontos, países como Paquistão, Catar, Egito e Turquia seguem tentando mediar um acordo mais amplo entre Washington e Teerã. No domingo, o ministro do Interior do Paquistão esteve em Teerã para reuniões com autoridades iranianas, em mais uma tentativa de reduzir as tensões e destravar as negociações diplomáticas.

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