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HUMANIZAÇÃO NA SAÚDE; Projeto devolve às mães o direito de dar à luz em Poconé com segurança

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Parceria entre Fomentas, Clínica Plena e Hospital Geral assegura atendimento para casos necessários e evita deslocamentos até Cuiabá

Há quatro anos, uma iniciativa vem transformando a realidade da saúde materna em Poconé (a 100 km de Cuiabá) e devolvendo às famílias um momento que antes acontecia longe de casa: o nascimento dos filhos. O Projeto Parto Cesárea, desenvolvido em parceria entre a Fomentas, a Clínica Plena e o Hospital Geral de Poconé, passou a garantir o acesso ao procedimento para gestantes que realmente necessitam, já que o serviço não é ofertado pelo SUS no município.

Mais do que viabilizar cirurgias, o projeto tem caráter social. Ele oferece triagem médica especializada, acompanhamento durante o pré-natal e assistência no pós-parto, assegurando cuidado integral à mãe e ao recém-nascido. A iniciativa surgiu após registros de óbitos de gestantes e bebês que não conseguiram acesso ao procedimento a tempo.

Desde então, o impacto tem sido direto: mulheres que antes precisavam se deslocar até Cuiabá, muitas vezes sem condições financeiras ou apoio familiar, agora têm a possibilidade de realizar o parto em Poconé, com segurança e acompanhamento adequado.

Para a jovem mãe Tayane Corrêa de Almeida, de 29 anos, a experiência representa mais do que acesso à saúde: é a realização de um sonho. Mãe do pequeno Ravi Bernardo, nascido no Hospital Geral de Poconé, ela destaca o alívio de poder viver esse momento na própria cidade.

“Eu estou achando muito bom, porque está ajudando as mães grávidas a terem seus filhos aqui em Poconé. Se fosse no particular, eu teria que ter uns R$ 15 mil, um custo que eu não teria como conseguir. Foi um alívio. Sempre quis que meu filho nascesse aqui, que fosse registrado na nossa cidade”, relata.

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Tayane também chama atenção para a importância do projeto para outras mulheres. “Tem muita gente daqui que sonha em ter o filho aqui, mas antes precisava ir para Cuiabá. Agora a gente tem essa oportunidade, principalmente quem tem gravidez de risco e precisa de um acompanhamento mais específico”.

Apesar de garantir o acesso à cesariana, o projeto segue critérios médicos rigorosos e não incentiva a realização do procedimento sem necessidade. O ginecologista e obstetra Rogério Barros de Siqueira explica que a iniciativa foi estruturada justamente para atender casos em que o parto cirúrgico é indispensável. “O parto normal é sempre o mais indicado quando possível. A cesariana entra como uma alternativa segura quando há riscos para a mãe ou para o bebê, ou quando a gestação não evolui como esperado. Nosso trabalho é justamente avaliar cada caso e indicar o procedimento apenas quando há real necessidade”, pontua.

Segundo o médico, a complexidade de manter uma estrutura completa para partos normais em regime integral, especialmente em cidades menores, foi um dos fatores que motivaram a criação do projeto. “Para garantir um parto normal com segurança, é preciso uma equipe disponível 24 horas, com obstetra, pediatra, anestesista e suporte completo. Isso exige uma estrutura difícil de manter continuamente no interior”.

Diante desse cenário, o modelo adotado permite organizar atendimentos semanais, com equipe preparada e seleção criteriosa das pacientes. “Nós acompanhamos essas gestantes desde o pré-natal, em parceria com as unidades de saúde, e avaliamos quem realmente precisa da cesariana. Hoje, realizamos em média duas cirurgias por semana, chegando a cerca de 90 a 100 partos por ano”, explica.

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O médico reforça ainda que o projeto também atua na conscientização. “Muitas pacientes chegam solicitando cesariana, mas nosso papel é orientar. A cirurgia só é indicada quando há necessidade clínica. Inclusive, conseguimos reduzir o número de cesáreas ao longo dos anos justamente por fortalecer essa orientação”.

Além do cuidado médico, o impacto social é evidente. A permanência das gestantes em Poconé evita custos elevados, deslocamentos desgastantes e a separação da rede de apoio familiar. “Nem sempre a família tem condições de acompanhar a gestante em outra cidade. Isso faz toda diferença no acolhimento e na segurança emocional dessas mulheres”, acrescenta Rogério.

Outro aspecto simbólico também ganha força: o resgate do nascimento em Poconé. Antes da implantação do projeto, praticamente todos os partos eram realizados fora do município. Hoje, a realidade começa a mudar. “Conseguimos devolver às famílias o direito de ver seus filhos nascerem aqui. É um vínculo importante com a cidade e é um avanço significativo na saúde pública local”, conclui o médico.

Para a assistente social da Fomentas, Valdinete, a iniciativa representa um marco importante para o município. “É um projeto inovador e, acima de tudo, social. Ele nasce da necessidade real da população e garantir dignidade às mães, que agora podem viver esse momento tão importante com mais segurança, perto de suas famílias e da sua comunidade”, destaca.

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