Vinho, café, queijo, calçados e aguardente, o que tudo isso pode ter em
comum? São todos produtos com Indicação Geográfica (IG) brasileira, ou seja,
têm a região produtora reconhecida como um diferencial de origem, qualidade
e identidade cultural.
A indicação geográfica é um instrumento internacional utilizado para agregar
valor a um produto, proteger a região e os produtores e atestar aos
consumidores a origem e a qualidade do que estão comprando. É assim com o
famoso espumante champagne. Apesar do nome da bebida ser mundialmente
difundido, apenas os espumantes produzidos em uma determinada região da
França podem ser chamados de champagne.
No Brasil, alguns produtos usufruem dos benefícios desta ferramenta, como é
o caso do queijo da Canastra. Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo
Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o queijo da
Canastra é reconhecido internacionalmente. Assim como a cachaça brasileira,
que também possui IG da região de Salinas, em Minas Gerais.
Ao analisar o perfil das Indicações Geográficas, observamos que elas possuem
muitas coisas em comum, principalmente o fator cultural. A IG é uma
ferramenta para perpetuar os costumes e atividades de regiões e comunidades
que possuem importante papel histórico, econômico, social e ambiental no
Brasil.
As regiões Sul, Sudeste e Nordeste estão bastante avançadas neste processo
de reconhecimento da originalidade de seus produtos. Porém, no mapa das IGs
brasileiras, há poucos registros de produtos nas regiões Centro-Oeste e
Norte. Será que estamos tão carentes assim de originalidade?
Na pecuária de corte, por exemplo, não existe um modelo produtivo mais
verde, original e integrado ao meio ambiente do que a criação de gado nos
campos brasileiros. A atividade é realizada em harmonia com os ecossistemas,
garante o sustento das famílias e ainda tem como diferencial a carne com
sabor específico dos bois criados a pasto.
Identificar e certificar rebanho do Pantanal, da Mogiana e do Araguaia pode
ser uma forma para criar identidade aos produtos, assim como fizeram os
produtores dos Pampas Gaúchos que possuem a Identificação Geográfica do gado
da região.
E podemos ir além, por que não certificar a procedência da carne brasileira?
A pecuária nacional é a atividade que está presente em todos os municípios
do país, e foi importante instrumento de ocupação do território, para
produção de alimentos e desenvolvimento social. Sem falar que a carne
brasileira tem características próprias que a tornam uma iguaria singular.
As riquezas do interior do Brasil têm grande potencial, mas ainda faltam
iniciativas coletivas, ou melhor, associativistas, que valorizem o
conhecimento passado de geração em geração. Mostrar de onde veio, como foi
feito e por quem foi feito pode ser o diferencial para a valorizar os
produtos originais do Brasil, agregar valor, e reconhecer o trabalho, a
qualidade e as tradições culturais brasileiras.
*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.
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