Vamos imaginar um grande quebra-cabeça, desses de milhares de peças. Agora,
pense em 38 pessoas, cada uma com um punhado de peças na mão, tentando
montar a imagem final, mas sem conversar muito umas com as outras. Parece
confuso, não é? Pois é mais ou menos assim que funciona quando falamos da
estrutura de poder com seus ministérios, cada um responsável por formular
políticas públicas, executar orçamentos e criar programas de governo.
A esplanada dos ministérios é um grande exemplo disso, com seus prédios
todos iguais, dispostos lado a lado, manda uma mensagem clara, aqui todos
são iguais, e estão todos para ajudar a construir um governo. Em tese,
parece uma boa ideia, mas na prática, a coisa é bem complicada, por um
simples detalhe que passou despercebido por Oscar Niemeyer, não existe
ligação entre eles!
Na prática, cada ministério acaba criando suas próprias políticas, quase
como se fossem ilhas isoladas onde essas caixinhas desconexas trabalham com
foco em suas áreas específicas, mas muitas vezes sem uma visão integrada do
todo. O resultado? Programas que não conversam entre si, orçamentos que se
sobrepõem e, pior ainda, esforços que se anulam.
Quando cada setor age por conta própria, perde-se um tempo precioso e em vez
de somar forças, os recursos – sejam financeiros, humanos ou de tempo – são
dispersos. E aí, para tentar resolver essa falta de coordenação, o que
acontece? Criamos comissões de trabalho. Sim, aquelas reuniões
intermináveis, com dezenas de pessoas tentando alinhar o que poderia ter
sido planejado em conjunto desde o início. É como colocar um remendo em um
tecido que já está cheio de furos.
As comissões, embora bem-intencionadas, muitas vezes se tornam mais uma
camada de burocracia. Elas demandam tempo, energia e, não raro, mais verba.
E enquanto isso, as políticas públicas – que deveriam chegar de forma ágil e
eficiente à população – ficam emperradas em discussões e trâmites, e quem
acaba sentindo na pele são os cidadãos, que esperam por melhorias em saúde,
educação, infraestrutura e tantas outras áreas.
Outro ponto crucial é a execução orçamentária, já que com toda essa
estrutura desconectada fica difícil acompanhar para onde vai cada centavo.
Um orçamento fragmentado pode significar duplicidade de gastos ou, pior,
áreas essenciais ficando sem o investimento necessário. É como fazer várias
listas de compras separadas para a mesma casa: no final, você pode acabar
com três pacotes de arroz e zero de feijão.
Não se trata, claro, de criticar a existência de ministérios ou a
importância de políticas setoriais. Eles são fundamentais!
Mas o desafio está em como integrá-los. A chave talvez seja pensar menos em
quantos ministérios temos e mais em como eles trabalham juntos. Menos
“caixinhas” e mais “quebra-cabeças montados”. Menos comissões para corrigir
falhas de comunicação e mais planejamento colaborativo desde o início.
Um governo eficiente não é aquele que tem mais pastas, mas aquele que
consegue fazer com que elas atuem de forma sinérgica. Menos tempo gasto em
reuniões para resolver problemas de coordenação e mais tempo investido em
ações que realmente transformem a vida das pessoas. No fim das contas, o que
importa é que as políticas públicas cheguem até quem precisa, de forma
clara, ágil e coerente.
*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.
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