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Leilão de petróleo em MT e Foz do Amazonas é alvo de protestos no Brasil e na Europa: “nem estava sabendo”, diz indígena

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debate ambiental

Nicola Pamplona – FolhaPress

Foto: Reprodução

Organizações ambientalistas e representantes de povos indígenas protestaram no Brasil e na Alemanha contra o leilão de concessão de áreas para exploração e produção de petróleo realizado no Rio de Janeiro nesta terça-feira (17).

Com o slogan “o leilão do juízo final”, o Instituto Internacional Arayara reuniu lideranças de povos que podem ser afetados pela exploração, seguindo estratégia que incluiu denúncia à ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a falta de consulta às comunidades tradicionais.

No leilão, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) oferece 172 blocos exploratórios em cinco bacias sedimentares brasileiras, entre elas a bacia Foz do Amazonas, alvo de embate entre as áreas energética e ambiental do governo.

“A gente nem estava sabendo o que estava acontecendo”, reclamou Almir Manoki, liderança do povo Manoki, no Mato Grosso, onde está a bacia de Parecis, uma das novas fronteiras exploratórias que serão oferecidas pela agência.

As lideranças reclamam não ter informações sobre como a atividade do petróleo pode impactar suas vidas. Almir, por exemplo, mora numa comunidade com cerca de 400 famílias que vive da agricultura de subsistência e da caça.

“Por mais que a gente seja consultado, a gente não está de acordo com esse leilão, porque a gente viu que ele prejudica muito em volta da área lá. Na verdade nem era para acontecer, não sei porque eles inventam esse negócio de leilão de petróleo.”

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Em Bonn, durante reunião preparatória para a COP30, a ONG 350.org também reuniu lideranças indígenas para protestar contra o leilão, com críticas à posição do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa da exploração na Foz do Amazonas.

“Não se trata apenas de emissões, mas de injustiça. Ao leiloar a floresta e o litoral amazônico para petroleiras, o governo viola os direitos dos povos indígenas, coloca comunidades tradicionais em risco e acende o pavio da destruição que diz querer evitar”, disse, em nota, o diretor para Amárica Latina da instituição, Ilan Zugman.

Na semana passada, diversas organizações se manifestaram contra o leilão, questionado também pelo Ministério Público do Pará, que chegou a pedir liminar suspendendo a oferta de áreas na Foz do Amazonas mas não havia sido atendido até a manhã desta terça.

O instituto Arayara também foi à Justiça tentando barrar o leilão, assim como a FUP (Federação Única dos Petroleiros), entidade sindical ligada à Petrobras e aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Embora citem argumentos ambientais na ação, porém, os petroleiros têm como foco alterar o regime exploratório da bacia da Foz do Amazonas para o mesmo hoje usado no pré-sal, que garante fatia da produção ao governo e dá exclusividade à Petrobras na operação.

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O Arayara questiona a oferta de 117 blocos com aval ambiental vencendo um dia após o leilão, a falta de consulta a comunidades indígenas e tradicionais afetadas e a sobreposição de blocos com áreas de elevada sensibilidade ambiental.

Além da Foz do Amazonas, o instituto vê sobreposição de blocos a áreas de elevada sensibilidade ambiental ou a comunidades indígenas também nas bacias Potiguar, no litoral do Rio Grande do Norte, e Parecis, no Mato Grosso.

À ONU, alegou que o leilão viola o direito à propriedade coletiva do território tradicional, da Convenção Americana de Direitos Humanos, e o direito à consulta prévia, livre e informada, da Declaração Americana sobre os Direitos dos Povos Indígenas e da Convenção 169 da OIT.

Segundo a ANP, 12 empresas demonstraram interesse pelas áreas e apresentaram garantias para dar lances no leilão. Além delas, outras 31 estão habilitadas para atuar em consórcio na disputa.

“Mais de dez anos atrás, o IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas] já falou, se quiser conter o aquecimento global a 1,5ºC, nós não podemos furar nenhum poço de petróleo novo”, disse a diretor do Arayara, Nicole Oliveira.

“Se a gente usasse o que já existe hoje de exploração do pré-sal para financiar a transição, a gente conseguiria ter recursos suficientes. A gente não precisa, nem do ponto de vista financeiro, nem do ponto de vista energético, expandir a fronteira de exploração”, completou.

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