Psicóloga alerta para sinais de sofrimento emocional e reforça importância da rede de apoio no cuidado com mães
O Maio Furta-Cor, campanha dedicada à saúde mental materna, chama atenção para um aspecto ainda pouco discutido da maternidade: o impacto emocional desse período na vida das mulheres.
A experiência de ser mãe envolve não apenas afeto, mas também cansaço, ambivalência e sobrecarga. Quando a realidade não corresponde à expectativa, sentimentos como culpa, frustração e sensação de insuficiência podem surgir. “Existe uma cobrança social para que a mulher dê conta de tudo e esteja sempre bem. Quando isso não acontece, o sofrimento aparece, muitas vezes de forma silenciosa”, explica a psicóloga do Hospital São Mateus, Amanda Almeida.
Sinais como choro frequente, irritação, isolamento, sensação de incapacidade e perda de interesse por atividades do dia a dia indicam que algo não vai bem. A intensidade e a persistência desses sintomas ajudam a diferenciar situações transitórias de quadros que exigem atenção.
No período após o parto, é comum a ocorrência do chamado “baby blues”, caracterizado por oscilações emocionais leves e passageiras. Já a depressão pós-parto apresenta maior intensidade, duração prolongada e pode interferir no vínculo com o bebê, demandando acompanhamento profissional.
Sobrecarga e comparação agravam o cenário
A sobrecarga e a falta de rede de apoio estão entre os principais fatores de risco para o adoecimento emocional na maternidade. Quando as responsabilidades se concentram na mulher, o cansaço deixa de ser pontual e passa a fazer parte da rotina.
Nesse contexto, muitas mães seguem tentando dar conta de tudo, mesmo exaustas. “Existe um esforço constante para sustentar a ideia de que está tudo bem, quando, por dentro, essa mulher está cansada e precisando de cuidado também”, diz a especialista.
Amanda completa: “A comparação com outras mães, especialmente nas redes sociais, tende a ampliar a sensação de insuficiência. O que aparece nesses espaços são recortes, não a realidade completa, o que pode alimentar cobranças irreais e a percepção de não estar dando conta”. Segundo ela, esse cenário não afeta apenas a mulher e pode impactar diretamente o vínculo com o bebê e o desenvolvimento da criança, especialmente nos primeiros meses de vida.
Quando o sofrimento se torna frequente, intenso ou começa a afetar o dia a dia, é sinal de alerta. Buscar ajuda nesse momento faz parte do cuidado e não precisa ser adiado. “Reconhecer limites, reduzir a autocobrança e dividir responsabilidades são caminhos possíveis para atravessar a maternidade com mais equilíbrio. Pedir ajuda não é fraqueza, é cuidado”, resume Amanda Almeida.
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