Durante os meses de chuva, eu ficava em prontidão para sair correndo de casa e ir para as ruas, como Voluntário da Pátria, Campo Grande e a Pedro Celestino. Às vezes, encontrava colegas por lá: André, Carlinhos e Beto.
Se tivéssemos sorte na caça, o ouro aparecia em quantidade, e eu já estava preparado com um palito de picolé que facilmente encontrava jogado na rua, além do meu vidrinho de Epocler. Assim, saía à procura do ouro, que, com a enxurrada da chuva, ficava visível no calçamento das ruas e nas frestas das pedras de paralelepípedos.
Passávamos o palitinho de picolé devagar, até que o amarelinho aparecia. Logo, eu gritava: “Achei! Achei mais um, mais um, mais um…” E, quando o vidrinho de Epocler estava cheio, eu já tinha meu comprador de ouro em mente. Saía correndo, pensando em quantos picolés de groselha conseguiria comprar.
Dirigia-me ao Sr. Armindo e ao Sr. Arlindo, irmãos que eram ourives. O Sr. Armindo, chefe forte e brincalhão, dizia: “Vale tanto, Raul.” E eu pensava nos picolés de groselha. Se ele me pagasse tanto, cada picolé era tanto…
“Vendido!”
E ali, ficava o ouro das ruas de Cuiabá, que se tornaria correntes e pulseiras artesanais, desfilando nos braços das morenas da cidade.





























